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Um carrossel de parâmetros

 

Existe uma enorme confusão a respeito dos parâmetros, propriedades ou características do som. Uma troca primária de nomenclatura que envolve músicos, técnicos, produtores, professores e alunos de música e de acústica. E também a indústria.

 

Ao perturbar nosso entendimento, atrapalha a compreensão dos fenômenos sonoros e a nossa própria capacidade de intervir neles usando nossos instrumentos musicais, microfones e processadores de áudio.

 

A compreensão dos parâmetros do som é fundamental para uma boa interpretação musical e uma boa leitura, mas também para quase todos os aspectos da produção, como o arranjo, a captação do áudio, a programação de sintetizadores, samplers e outros instrumentos, a gravação, a edição, a mixagem e a masterização.

 

A linguagem popular pega emprestado da acústica e da música todos os termos técnicos, só que utilizando os sentidos trocados. As expressões técnicas e aquelas do dia-a-dia, como sons ‘altos’ e ‘baixos’, ou ‘fortes’ e ‘fracos’, ou ainda ‘agudos’ e ‘graves’, têm entre si uma defasagem de significados, formando um curioso carrossel.

 

Um som mais agudo, por exemplo, é uma nota mais alta na escala ou um timbre mais aberto? E se o cliente pedir ao arranjador para “abaixar”, estará se referindo à tonalidade ou ao volume?

A escrita musical se baseia em quatro parâmetros básicos do som: altura, intensidade, duração e timbre.

 

altura é a própria ‘afinação’ da nota musical ou uma frequência sonora. Se tocarmos uma escala como Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si e Dó, estamos subindo a escala, já que executamos frequências cada vez mais altas. Por isso, dizemos notas ou sons altos e baixos.

 

Quanto mais alto o som, mais curto é o ciclo da sua onda. Então, as baixas frequências são ondas mais longas.

 

Popularmente, no entanto, as alturas são mais conhecidas como sons “agudos” e “graves”. Aí começa a confusão. Note que não temos um “sax agudo” nem um “contragrave”, mas o sax alto e o contrabaixo. Agudo e grave são, antes, propriedades do timbre, outro parâmetro do som.

 

É claro que sons mais altos, como os do violino ou do flautim, soam mais agudos do que outros mais baixos como o da tuba ou do contrafagote. Mas também é claro que podemos abafar aqueles, tornando-os menos agudos, e até mesmo subtrair um tanto do grave destes usando um equalizador.

 

Ou seja, alteramos os timbres para torná-los mais ou menos agudos, ou ainda, mais ou menos graves. Mas isto não significa mudar as alturas!

 

Para aumentar a confusão, se você for comprar um aparelho de som numa loja de eletrodomésticos, o vendedor vai lhe informar que um modelo é mais caro porque ele tem o som mais “alto”. Os outros tocam mais “baixo”, ou com menor “volume”. Certo, mas ajudaria a diminuir a confusão se ele falasse em sons fortes e fracos. Mas, aí, já estamos falando do segundo parâmetro do som.

 

intensidade é a força ou o ‘volume’ de cada som. Tocando as mesmas frequências com mais energia fazemos o som se propagar por distâncias maiores e ser percebido com mais clareza ou mais próximo do ouvido do que se enfraquecermos a geração do som.

 

O termo “volume” tem seu uso generalizado em amplificadores e controles de intensidade sonora dos mais diversos produtos, de micro-systems a aplicativos de celulares. Relaciona-se ao volume do ambiente, ou seja, a área e a altura do espaço, o seu volume.

 

Para evitar dúvidas, seria mais claro falarmos em sons ‘fortes’ e ‘fracos’ (ou piano, do italiano, a língua da música) do que em sons ‘altos’ e ‘baixos’, deixando estes adjetivos para as alturas, não para as intensidades.

 

Mas é compreensível falar em ‘volume alto’ ou ‘volume baixo’. Até porque são diferentes os sons tocados com força por um guitarrista com sua palheta, por exemplo, e os mesmos sons tocados com suavidade, embora muito mais amplificados num P.A. de alto desempenho. Neste caso, o volume está alto, embora o músico não tenha tocado forte, e voltamos praticamente à estaca zero.

 

Na onda sonora, a variação da intensidade corresponde a uma mudança de amplitude. Como a onda representa graficamente a variação da pressão do ar no eixo vertical, ao longo do tempo, representado na horizontal, maiores amplitudes representam sons mais fortes.

 

Consequentemente, uma linha reta horizontal significa silêncio, ausência de vibrações ao longo do tempo.

 

timbre é a característica mais marcante do som, que distingue, por exemplo, a minha voz da sua, mesmo que estejamos cantando a mesma nota. 

 

Além do som ou frequência fundamental, emitimos outros sons mais altos (“agudos”, no jargão popular) e bem mais fracos, muito sutis, chamados harmônicos. São os múltiplos da frequência fundamental. Alguns desses harmônicos, com mais intensidade, predominam sobre os demais, definindo o ‘colorido’ do som.

 

Esses harmônicos predominantes variam de um timbre para outro, ou seja, têm suas intensidades diferenciadas, embora sejam os mesmos harmônicos. Cada combinação de frequências com intensidades variadas resulta num timbre.

 

Com relação à onda sonora, o timbre é a onda resultante da superposição da onda fundamental e seus harmônicos, considerando suas diversas intensidades. Ou, ainda, o timbre é a forma da onda.

 

Cada frequência isolada, seja a fundamental ou um harmônico, tem a forma arredondada de uma onda senoide. Juntas, essas ondas senoides influenciam mais ou menos o desenho da onda resultante, de acordo com suas diversas intensidades. Quanto mais intensos os harmônicos, mais complexa se torna a forma da onda.

 

Os adjetivos mais apropriados aos timbres seriam − aí, sim! − agudo e grave, no lugar dos vagos ‘brilhante’, ‘pesado’ ou os perigosos ‘forte’ e ‘fraco’, que trazem confusão entre timbres e intensidades. Agudo no sentido de que concentra sons altos e grave porque nele predominam as baixas frequências.

 

duração é o parâmetro mais intuitivo de todos: sons longos ou curtos. Este, aparentemente, não traz confusão linguística.

 

Observando o gráfico da onda sonora, percebemos diferentes durações dos sons quando afastamos a visualização, reduzindo o zoom, até abranger todos os ciclos da onda de cada som ou nota musical. Observamos aí o contorno ou envelope das ondas sonoras.

 

Agudo ou grave, forte ou fraco, alto ou baixo são adjetivos que ainda trarão muita confusão. Isto também acontece em outros idiomas, como o inglês. Palavras comotreble, bass, high e low, por exemplo, também têm significados sobrepostos em relação às propriedades do som.

 

Os dicionários não ajudam muito, quando não reforçam ainda mais a confusão, refletindo as imprecisões da linguagem popular e da linguagem técnica muitas vezes mal empregada.

 

Combinando verbetes de alguns dos mais populares dicionários e selecionando as acepções mais ligadas ao assunto, temos diferentes significados apresentados para cada um dos atributos referentes aos parâmetros do som.

 

agudo adj Forte, violento, vivo. Mús Diz-se do som alto ou fino, em contraposição ao baixo. sm Mús Nota aguda.

 

grave adj Pesado. Intenso, profundo. Fís Mús Designativo do som produzido por pequeno número de vibrações. sm Fís Sujeito à ação da gravidade, pesado. Mús Nota grave ou baixa. 

 

alto adj Dotado de altura. Superior, elevado. Que soa forte. Agudo: Som altoadv A grande altura. Na parte mais alta. Em som ou voz alta. Mús A parte cantada pelas vozes masculinas mais altas. Mús A segunda em altura das quatro partes vocais do coro misto ou a parte ou partes baixas em um coro feminino. Mús Cantor de altos. 

 

baixo adj De pouca altura. Que está inferior a seu nível ordinário. Que tem som grave. Que mal se ouve. sm A parte inferior. Som grave. Mús Cantor, instrumento ou voz que ocupa a parte mais baixa na execução de uma peça musical. Mús As cordas mais grossas de certos instrumentos. adv Em lugar pouco elevado. Em tom grave. Em voz baixa.

 

forte adj Que tem força. Poderoso. Enérgico. Intenso: Cor forte. Entendido, muito instruído. Mús Trecho em que o som é reforçado. adv  Mús Com mais força.

 

fraco adj Que não tem força, débil, frouxo. Que soa mal ou debilmente. 

 

Aproveitemos a consulta ao dicionário para mais uma palavrinha perigosa: volume.

 

volume sm Grandeza, tamanho, desenvolvimento. Massa, quantidade. Extensão da voz. Mec O produto da massa pela densidade. Mús A massa de som produzido por uma voz ou por instrumento. 

 

O tradutor inglês/português também ajuda pouco:

 

volume Quantidade, massa. Intensidade do som, sonoridade. Tamanho, extensão.

 

Encontramos, ainda, traduções de treble (agudo, soprano), bass (baixo, grave), high (alto, forte) e low (baixo, fraco) que só complicam ainda mais a situação.

A imagem quase mítica do carrossel dos parâmetros do som pode ajudar a desvendar seus diversos significados. Nela, observamos a defasagem entre os conceitos técnicos e populares. São bem compreensíveis os termos assinalados em verde. Para maior clareza, podemos evitar os significados escritos na cor vermelha.

 

Sem a pretensão de sugerir uma nomenclatura, buscando apenas restringir o sentido de algumas palavras, podemos ser mais explícitos ao nos referirmos ao nosso som ou ao som dos outros.

 

Assim, alto e baixo se referem às alturas, frequências ou afinações.

 

Grave e agudo são mais adequados aos timbres.

 

E as intensidades podem ser classificadas como fortes ou fracas.

 

Mesmo continuando a falar a mesma linguagem, definir esses conceitos com clareza e objetividade nos permite traduzir facilmente o que os outros estão dizendo. E até nós mesmos!

 

 

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