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Tirando leite das pedras
Sérgio
Izecksohn
ÁUDIO
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Grave sempre no nível máximo
tolerado por seu sistema. Sem deixar distorcer o som, leve cada LED (entrada
e saída da mesa, entrada do gravador) ao limite máximo de
operação. Isto enche o sistema com som, minimizando os ruídos.
Cada pista deve ser gravada no limite, não importando se o nível
for atingido por um instrumento gravado sozinho ou pela soma de sons gravados
juntos. Mesmo um instrumento que vai ser mixado baixo, se gravado sozinho
na pista, deve ser armazenado no pico de volume.
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O timbre da guitarra é melhor captado
ao microfonarmos um amplificador, de preferência a válvula.
Encare a guitarra como se fosse um instrumento acústico, composto
dela própria, mais a pedaleira e o amplificador. Use um microfone
dinâmico a alguns centímetros do meio do raio do cone de um
dos alto-falantes. Plugada direto na mesa, a guitarra soa menos natural.
Já o baixo elétrico ganha peso quando conectado à
mesa em linha, dispensando o microfone.
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Você pode gravar som num estúdio
analógico, digital ou híbrido. Se optar pelo digital, além
dos gravadores, você precisa de uma mesa digital. As conexões
entre ela e os gravadores ou a interface de áudio devem ser do mesmo
protocolo. Som estéreo profissional usa AES/EBU, mas os home studios
digitais tendem mais ao uso do S/PDIF. Este pode ainda ser ótico
ou coaxial (RCA). Conectores multicanais geralmente são do tipo
ADAT ou TOSLINK (Alesis) ou então TDIF (Tascam). Por exemplo, a
mesa digital pode se conectar a uma interface de áudio por cabos
óticos do formato ADAT (8 canais em cada cabo), para gravação
multipista, e mandar o som estéreo mixado para um DAT por um cabo
S/PDIF. Esses formatos não são compatíveis entre si.
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Com bons conversores AD/DA nos gravadores
ou interfaces e uma mesa de som cristalino, seja analógica ou digital,
o fato é que nem sempre dá para percebermos a diferença
entre o estúdio digital e o híbrido. Enquanto você
não obtiver total estabilidade e perfeita sincronização
na transferência digital do áudio, você pode e deve
começar conectando seus equipamentos digitais através de
cabos analógicos.
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Gravando vários instrumentos acústicos,
se os vazamentos dos sons entre os canais são inevitáveis,
leve-os em conta ao posicionar os microfones e monitorar a gravação.
Não sonhe com correções na mixagem, porque elas não
serão possíveis.
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Use ambientes diferentes ao reverberar
vozes, instrumentos harmônicos, caixa da bateria etc. Aproveite os
efeitos dos sintetizadores e também dos programas para poupar seus
processadores ‘físicos’. Guarde sempre o melhor modelo para a voz
ou o instrumento solista.
MIDI
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Quantize aquelas pistas MIDI que, se fossem
de áudio gravado, você exigiria absoluta precisão rítmica
de seus músicos. É o caso da bateria e do baixo na música
pop. O fator "humano" está presente através da dinâmica (variação
de "velocity") de um toque ou nota pra outro. Não
é o fato do seu "baterista virtual" errar os tempos que vai torná-lo
mais humano.
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Nos loops, como também para copiar
e colar trechos MIDI, temos muito menos trabalho quando esses trechos estão
quantizados. A quantização também ajuda a resolver
o problema dos ‘atrasos’ gerados por controladores MIDI alternativos, como
a guitarra. Entretanto, solos, "camas" (pads), cordas e sopros tendem
a soar melhor sem quantização.
MISCELÂNEA
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Quantizar e mudar o tempo dos trechos
de áudio é sempre temerário. Grave boas performances
vocais e instrumentais, regrave quantas vezes forem necessárias,
processe esses sons com efeitos e compressão, mas evite mexer nos
tempos dos sons gravados. Quantize só as pistas MIDI.
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De nada adianta ter sempre equipamentos
e programas atualizados e não ter tempo para gravar porque você
está ocupado lendo manuais o tempo todo. O bom sistema é
aquele que você sabe usar, com produtos compatíveis entre
si. Procure investir em material de boa qualidade, para não ter
a mesma despesa duas vezes. Planeje sempre a totalidade dos itens antes
de sair comprando.
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Se você grava áudio no computador,
faça backup das gravações multipista em CD-ROM. É
como se fosse a fita do ADAT, que permite que o material seja remixado
em outro estúdio, ou ainda que façamos acréscimos
posteriores às gravações. Assim como as fitas se deterioram,
o áudio no HD pode ser corrompido ou apagado erroneamente. Quem
usa o popular Cakewalk Pro Audio deve gravar primeiro o arquivo no HD no
formato "bundle" (pacote) ou <.bun> e só depois passá-lo
para o CD-ROM.
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Cuide bem de cada som em cada etapa do
processo, e terá maior conforto para mixá-los. Ao criar um
arranjo procure usar o seu ouvido interno para prever a mixagem dos timbres.
Arranjo bom, mixagem fácil.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos do Home Studio
Publicado na
revista Backstage em 1999
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