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E-Mu Audio Production Studio
Workstation de áudio para PC
 

Sérgio Izecksohn


Estamos em plena revolução no campo dos sistemas digitais para gravações caseiras em hard disk. Novas e velhas indústrias têm lançado interfaces e programas de altíssimo desempenho, a custos cada vez mais baixos, popularizando as técnicas de gravação e edição digital de áudio. A E-Mu, tradicional fabricante de famosos samplers e sintetizadores, como o Emulator e o Proteus, vem a público apresentar sua nova estação de trabalho para Windows.
   
Talvez o produto até o seja. Mas o nome Audio Production Studio não pode ser chamado de pretensioso: o lançamento da E-Mu contempla todos os recursos e supre as mais variadas necessidades de um pequeno estúdio profissional ou particular. Segundo informações disponíveis no site da empresa na Internet (www.emu.com/ecard.html) trata-se de um kit contendo placa de som, interface externa e software. Mas, contrastando com a maioria dos recentes lançamentos nesta área, o sistema se apresenta como extremamente versátil. Além dos já comuns recursos de múltiplos canais analógicos e digitais de entrada e saída de áudio, processamento digital (efeitos) e da interface MIDI, o Audio Production Studio age também como um sampler (e um sampler E-Mu!) com 64 vozes de polifonia, tocado por qualquer instrumento controlador MIDI. Em suma, o objetivo é concentrar todas as atividades do estúdio no computador.

O kit é composto de uma placa PCI plug and play para Windows 95, uma interface que se instala junto às unidades de disco no gabinete do computador e um conjunto de programas para gravação e edição de áudio, sampler e seqüenciamento MIDI. A interface MIDI não ocupa outro slot do computador. A própria placa conecta o controlador, os 32 canais MIDI do sintetizador interno e 16 canais MIDI de saída. O CD-ROM traz ainda centenas de sons. O usuário que preferir pode continuar usando seu software preferido, aproveitando os recursos do Audio Production Studio.

O áudio pode ser gravado e editado tanto em multipistas como em forma de samples para serem acionados via MIDI por um controlador ou um seqüenciador. Assim, o sistema grava e processa o som e controla os sintetizadores MIDI, funcionando ao mesmo tempo como um seqüenciador, sintetizador, sampler e gravador multipista e estéreo. O processamento do áudio é feito no próprio hardware, para possibilitar a operação em tempo real. Inclui reverber, chorus, flanger, delay, equalizadores gráficos e paramétricos, compressor e envelope follower. Há ainda um mixer em software com controle de todos os recursos e pré-amplificadores para microfones.

O produto da E-Mu possui 4 entradas e 2 saídas analógicas de áudio, além de 4 canais de entrada e saída digitais e uma saída para fone de ouvido. Você pode mixar tudo internamente e sair em estéreo pelos outputs analógicos. Ou pode usar uma mesa digital externa, através dos 4 canais digitais. Contém também uma entrada e uma saída MIDI, para o controlador e 16 canais externos. O sistema se apoia em três pilares: a placa E-Card, a interface E-Drive e o programa E-Control.
 

 
A placa de som E-Card, segundo a E-Mu, é o coração do sistema. Trabalha com 64 vozes, que podem ser tanto as notas polifônicas do sampler de 32 canais MIDI quanto as pistas de gravação. Ou seja, você pode usar 64 pistas de áudio ou um sampler interno de 64 vozes de polifonia, ou dividir esse limite, que não é pequeno, entre as vozes do sampler e as pistas gravadas. As amostras sampleadas, no formato SoundFont, consomem 32 MB da memória do próprio micro, barateando muito a configuração do sampler. Os efeitos e o processamento do sinal são realizados pela E-Card, o que deve permitir o processamento do som na entrada, em tempo real.

Os conectores de áudio localizam-se na placa e na interface externa. A E-Card tem 2 conectores de entrada e 2 de saída de áudio analógico, no formato ¼” (banana), balanceados. Tem ainda uma entrada e uma saída estéreo digitais S/PDIF com conectores coaxiais (RCA), para conexão direta à placa, e conectores MIDI que precisam de uma passagem vazia na traseira do computador.
 

 
A interface E-Drive é instalada na face do computador, junto aos drives de CD-ROM e floppy disk, aproveitando um drive bay vazio do gabinete. Por ali são feitas várias conexões de áudio, inclusive dos microfones. Parecem ser práticas tanto a economia de espaço quanto o cabeamento e controle de ganho de entrada no próprio micro. Porém, dependendo da disposição do estúdio, pode ser um tanto desconfortável a presença de meia dúzia de cabos saindo da frente do Pentium. E é sempre bom deixar os conversores AD/DA longe dos ruídos gerados pelo computador. De qualquer forma, o formato é coerente com a proposta de “tudo-no-micro”. O computador é o estúdio.

O E-Drive tem duas entradas chaveadas para microfone ou linha, em plugs de ¼” balanceados, com pré-amplificadores com qualidade de estúdio, segundo a E-Mu, e controle trim, do ganho de entrada. Tem também outra entrada/saída digital estéreo S/PDIF. E tem ainda uma saída de ¼” para headphone, com ajuste de volume. Tudo bem na frente do seu computador.
 

 

 

 


A mesa virtual E-Control é o programa onde você monitora todas as funções do Audio Production Studio. Por ele todo o áudio é endereçado, como numa mesa de som. Na tela do computador, cada canal de entrada tem um insert, 2 mandadas de efeito e controles de volume, pan, mute e solo. A seção master tem 4 mandadas coletivas separadas, para efeitos ou endereçamento via submasters.

Biblioteca de sons. O Audio Production Studio vem com uma vasta coleção de sons sampleados, disponível no CD-ROM ou via Internet (www.emutdm.com) para serem tocados via MIDI, seqüenciados e editados. Você também poderá fazer tudo isto com os próprios sons que você gravar ou samplear. Aqui, os dois processos se confundem num só: gravar pistas ou samplear amostras de áudio são a mesma coisa. O que muda é o que você vai fazer com o áudio, se vai tocar a amostra via MIDI ou tratá-la como uma pista de gravação.

Conclusões. Pelo que aparenta, o estúdio de produção da E-Mu será um dos fortes da nova safra de sistemas para o Windows. Existe atualmente uma tendência dos pequenos estúdios se voltarem cada vez mais para o computador. A interface amigável do Audio Production Studio, tanto no software quanto no hardware, senão o preço, de que ainda não dispomos, deverá ajudar o produto a se impor como boa solução para os que querem se ver livres da parafernália de máquinas em que fatalmente se transformam os home studios.
 
 
Configuração mínima recomendada:  

Pentium 200 com 64 MB/RAM 
Windows 95 
Hard Disk 
Monitor 1024x768 Hi Color (16 bit) 
Slot PCI e drive bay disponíveis 
Drive de CD-ROM

 


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 1998