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Áudio & MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
 
Parte VIII: O Sampler e os Sons “Acústicos”
 

Sérgio Izecksohn

Popularizados no meio musical a partir do início dos anos 80, os samplers, hoje obrigatórios em todos os estúdios profissionais, despertaram a princípio o desdém de muitos compositores, arranjadores e instrumentistas. Gravar sons dos instrumentos tradicionais para depois serem tocados por teclados eletrônicos chegou a parecer antimusical para cultores de diversos gêneros. Na verdade, ainda há quem discuta a importância do sampler. Enquanto isso, o mais versátil instrumento já inventado vem promovendo, não uma, mas várias revoluções nesta fase tão turbulenta da história da música.
 
Capaz de reproduzir qualquer som com absoluta fidelidade e respeitando a dinâmica dos instrumentos em suas sutilezas, o sampler pode ser tocado por um instrumento controlador MIDI ou ainda por um seqüenciador. Você pode tanto imitar o som de seu instrumento acústico sampleando nota por nota quanto criar um loop ou ostinato repetindo um trecho quantas vezes quiser. Diversos gêneros musicais, como o rap e o techno se desenvolveram a partir desses loops eletrônicos. A música eletroacústica, importante tendência erudita, como também diversos jazzistas, reconheceram e adotaram o instrumento, explorando sua infinita riqueza timbrística e expressiva e elevando-o à categoria que merece.
 
O sampler não é um mero imitador de instrumentos. Com ele, você pode criar as mais originais sonoridades, já que o som digitalizado (gravado) por ele pode ser editado como fazemos num sintetizador. A diferença é que o sintetizador edita sons gerados internamente e o sampler o faz com sons que gravamos. Não por acaso, a maioria dos sintetizadores do mercado usa como matéria prima amostras sonoras sampleadas. Conhecida como sample playback, essa síntese permite o acesso de uma maior quantidade de músicos e home studios ao vasto universo de sonoridades digitais. Com um sintetizador sample player, dispomos de um grande número de sons de instrumentos “reais” que foram gravados pelo fabricante, mas não podemos samplear novos sons. O sampler, um pouco mais caro que os sintetizadores, permite ao arranjador a escolha de qualquer som para seu trabalho.
 
Os samplers vêm geralmente em rack ou teclado, podendo conter drive de disquete, HD, CD-ROM, Zip Drive, memória, igualzinho a um computador. Agora vêm surgindo os softwares que transformam seu próprio PC num sampler. Os sons utilizados podem ser obtidos por você, gravando-os no HD de seu sampler, ou através de amostras obtidas no mercado. Diversos fabricantes de CDs de áudio com loops para serem sampleados e de CD-ROM com amostras prontas nos diversos formatos (Akai, E-Mu, Roland, Wav. e outros) oferecem milhares de sons e loops para usuários de todos os gostos. É escolher o som e tocar.
 
Os detalhes expressivos da maioria dos instrumentos acústicos e elétricos garantem vida eterna para eles. Ninguém em sã consciência pretende substituí-los. Os bons instrumentistas sempre serão requisitados nas gravações e performances. As conquistas obtidas com a entrada do sampler no mercado são as novas formas de expressão musical, o salto na qualidade do som gravado e uma maior democratização da produção musical, já que mais produtoras e home studios vêm tendo acesso a todo tipo de timbre, o que barateia o custo dos projetos.
 
No home studio, o uso do sampler acarreta menor consumo de pistas de gravação de áudio, já que ele permanece tocado pelo seqüenciador MIDI até o momento da mixagem, sincronizado ao gravador de áudio, e causa um enorme salto na qualidade do som. Modelos profissionais em torno de 2000 dólares, como o Akai S2000, E-Mu ESI-4000, Roland S-760 e Yamaha A3000, viabilizam sua aquisição, com todo o brilho dos produtos mais caros e sofisticados. Poupe as pistas do gravador exclusivamente para as vozes e os instrumentistas mais competentes. O resto vai por MIDI, com o maior som.


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 1998