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Áudio
& MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
Parte VIII: O Sampler e os Sons “Acústicos”
Popularizados no meio
musical a partir do início dos anos 80, os samplers,
hoje obrigatórios em todos os estúdios profissionais,
despertaram a princípio o desdém de muitos
compositores, arranjadores e instrumentistas. Gravar
sons dos instrumentos tradicionais para depois serem
tocados por teclados eletrônicos chegou a parecer
antimusical para cultores de diversos gêneros. Na
verdade, ainda há quem discuta a importância do
sampler. Enquanto isso, o mais versátil instrumento já
inventado vem promovendo, não uma, mas várias revoluções
nesta fase tão turbulenta da história da música.
Capaz de reproduzir qualquer som com
absoluta fidelidade e respeitando a dinâmica dos
instrumentos em suas sutilezas, o sampler pode ser
tocado por um instrumento controlador MIDI ou ainda por
um seqüenciador. Você pode tanto imitar o som de seu
instrumento acústico sampleando nota por nota quanto
criar um loop ou ostinato repetindo um trecho
quantas vezes quiser. Diversos gêneros musicais, como o
rap e o techno se desenvolveram a partir desses loops
eletrônicos. A música eletroacústica, importante tendência
erudita, como também diversos jazzistas, reconheceram e
adotaram o instrumento, explorando sua infinita riqueza
timbrística e expressiva e elevando-o à categoria que
merece.
O sampler não é um mero imitador de instrumentos. Com
ele, você pode criar as mais originais sonoridades, já
que o som digitalizado (gravado) por ele pode ser
editado como fazemos num sintetizador. A diferença é
que o sintetizador edita sons gerados internamente e o
sampler o faz com sons que gravamos. Não por acaso, a
maioria dos sintetizadores do mercado usa como matéria
prima amostras sonoras sampleadas. Conhecida como sample
playback, essa síntese permite o acesso de uma maior
quantidade de músicos e home studios ao vasto universo
de sonoridades digitais. Com um sintetizador sample
player, dispomos de um grande número de sons de
instrumentos “reais” que foram gravados pelo
fabricante, mas não podemos samplear novos sons. O
sampler, um pouco mais caro que os sintetizadores,
permite ao arranjador a escolha de qualquer som para seu
trabalho.
Os samplers vêm geralmente em rack ou teclado, podendo
conter drive de disquete, HD, CD-ROM, Zip Drive, memória,
igualzinho a um computador. Agora vêm surgindo os
softwares que transformam seu próprio PC num sampler.
Os sons utilizados podem ser obtidos por você,
gravando-os no HD de seu sampler, ou através de
amostras obtidas no mercado. Diversos fabricantes de CDs
de áudio com loops para serem sampleados e de CD-ROM
com amostras prontas nos diversos formatos (Akai, E-Mu,
Roland, Wav. e outros) oferecem milhares de sons e loops
para usuários de todos os gostos. É escolher o som e
tocar.
Os detalhes expressivos da maioria dos instrumentos acústicos
e elétricos garantem vida eterna para eles. Ninguém em
sã consciência pretende substituí-los. Os bons
instrumentistas sempre serão requisitados nas gravações
e performances. As conquistas obtidas com a entrada do
sampler no mercado são as novas formas de expressão
musical, o salto na qualidade do som gravado e uma maior
democratização da produção musical, já que mais
produtoras e home studios vêm tendo acesso a todo tipo
de timbre, o que barateia o custo dos projetos.
No home studio, o uso do sampler acarreta menor consumo
de pistas de gravação de áudio, já que ele permanece
tocado pelo seqüenciador MIDI até o momento da
mixagem, sincronizado ao gravador de áudio, e causa um
enorme salto na qualidade do som. Modelos profissionais
em torno de 2000 dólares, como o Akai S2000, E-Mu ESI-4000,
Roland S-760 e Yamaha A3000, viabilizam sua aquisição,
com todo o brilho dos produtos mais caros e
sofisticados. Poupe as pistas do gravador exclusivamente
para as vozes e os instrumentistas mais competentes. O
resto vai por MIDI, com o maior som.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1998
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