A evolução do Cakewalk Pro Audio leva quase todo o estúdio
para dentro do computador
A
Twelve Tone Systems, fabricante dos programas da linha
Cakewalk, anunciou há pouco o lançamento de seu novo
sistema de gravação em HD baseado em Windows, o Sonar. O
programa é voltado para gravação, edição e mixagem de
projetos de CDs, trilhas sonoras, multimídia e internet.
Além de todos os recursos de gravação multipista e edição
de áudio e do seqüenciador MIDI, já presentes no
popular Cakewalk Pro Audio, o novo software traz uma
grande quantidade de inovações.
Fazia tempo que o Cakewalk 9 estava no mercado, quase um
recorde na história da companhia. As mudanças foram tão
dramáticas que a empresa criou um novo produto, em vez de
chamá-lo simplesmente de Cakewalk Pro Audio 10. Tanto é
assim que o Cake 9 continua à venda.
Construção e edição de loops de áudio, controle,
processamento e monitoração de sinais na entrada e na saída,
endereçamento e automação de efeitos e sintetizadores
virtuais, infinitas pistas (dependentes da velocidade do
HD), melhorias na automação da mixagem e na visualização
das janelas são só algumas dessas novidades.
Vista geral das janelas do Sonar
Construção
e edição de loops de áudio. O
Sonar junta as funções de gravação de áudio e MIDI
com uma grande quantidade de ferramentas de criação e
edição de loops: mudanças de tempos e de afinações (pitch)
em tempo real; uma janela tipo Explorer para acesso direto
aos arquivos de áudio; compatibilidade com o ACID, com os
loops tocando no andamento do projeto; agilidade na
visualização de loops com o Loop Explorer, combinação
de infinitos loops numa mesma pista; edição de tempos
individuais dos loops para criação de um groove ou
suingue individual; importação e criação de loops do
tipo Power FX.
A janela Loop Explorer
Sintetizadores
em software. Os novos
programas sintetizadores DXi são baseados na tecnologia
DirectX, da Microsoft. Desenvolvidos por diversos
fabricantes, recriam e, segundo a Cakewalk, melhoram os
sons de velhos sintetizadores e permitem a programação
de novos sons com versatilidade e integração ao sistema
de áudio e MIDI. Seguindo os passos dos plug-ins de áudio
DirectX, que vêm substituindo o uso de processadores em
formato rack, trazendo ao mundo um imenso contingente de
novos produtores musicais, os instrumentos DirectX são
uma tendência irreversível que deve esvaziar ainda mais
as estantes dos estúdios. O espaço, dentro do democrático
universo Windows, já havia sido demarcado por programas e
sistemas como o GIGASAMPLER e o GIGASTUDIO, da Nemesys ou
o PULSAR, da Creamware. Agora, implementados no
carro-chefe da família Cakewalk, os sintetizadores
virtuais devem se popularizar e multiplicar de vez.
Um órgão B4 DirectX, da Native Instruments
Os
fabricantes se encontram em http://www.cakewalk.com/DXi/index.html
e os modelos incluídos, entre outros, são o EDIROL
(Roland) Virtual Sound Canvas™ DXi, Tassman™ SE DXi,
LiveSynth Pro™ SE*, e DreamStation™ DXi.
Sintetizador DreamStation no estilo analógico, como um
Minimoog
Os
instrumentos DX são sintetizadores em software desenhados
especialmente para performance otimizada sobre o Windows.
São facilmente endereçados para as pistas do Sonar ou de
outros programas compatíveis com DXi, ou tocados por um
controlador MIDI como se fossem sintetizadores “físicos”.
Efeitos de áudio podem ser enviados para as saídas dos
sintetizadores, ou estas podem ser endereçadas através
de mandadas auxiliares. As saídas dos sintetizadores DXi
podem ser gravadas nas pistas de áudio e os ajustes dos
instrumentos podem ser salvos com os projetos do Sonar.
A
automação dos instrumentos DX é mais apurada que em
sintetizadores convencionais, podendo-se editar os sons
através de gráficos e dispensando recursos como o
sistema exclusivo ou sysex. A programação dos
sons pode se dar como ocorre com os modelos tradicionais,
com nomes de bancos, patches e notas, controlados via MIDI
e sem limite de quantidade de instrumentos usados
simultaneamente. Os parâmetros automáticos também podem
ser usados ao mesmo tempo sem limite.
Automação
dos efeitos de áudio. O
Sonar aperfeiçoou também a automação em tempo real dos
plug-ins de efeitos e demais processadores de áudio,
usando DirectX 8. Ele já vem com a coleção DSP-FX da
Power Technology, uma respeitada linha de plug-ins. Os
efeitos podem se valer dos envelopes das pistas, como já
acontecia apenas com os parâmetros de volume e pan no
agora velho Cakewalk Pro Audio 9. Isto significa que o usuário
pode desenhar as alterações dos processadores ao longo
das pistas, o que abre um novo campo de possibilidades de
mixagem e edição não-destrutiva em relação ao produto
anterior.
Os plug-ins DSP-FX vêm incluídos no pacote e são
controlados pela automação da mixagem virtual
Os
efeitos podem ser endereçados pelos inserts, pelas
mandadas auxiliares ou como efeitos máster. Eles também
podem ser usados na edição não-linear, tanto destrutiva
quanto não-destrutiva. Outros efeitos, sem automação,
mas de 32 bits, vêm incluídos: Compressor/Gate,
Expander/Gate,
Limiter, Tape Saturation,
AmpSimulation,
Pitch Shifting
e mais alguns.
A
coleção de plug-ins DirectX pode ser expandida pelo usuário
indefinidamente. Com um computador Pentium III, o usuário
pode usar simultaneamente algumas dezenas de plug-ins em
tempo real, dependendo da velocidade do processador.
Monitoração
de efeitos ao vivo. Com a nova tecnologia WDM (Windows
Driver Model) da Microsoft devidamente instalada no
computador, monitoramos os efeitos em tempo real nas
entradas e saídas, com baixa latência. Isto permite
endereçar reverberação “fantasma” para o fone de um
cantor, sem gravar o efeito, ou gravar um instrumento com
compressão e noise gate, por exemplo.
Ferramentas
de edição. Vários recursos intuitivos facilitam a
vida do usuário cansado de garimpar soluções em
programas de gravação e edição. A janela Explorer
facilita as operações de arrastar e soltar arquivos com
o mouse. A mixagem conta com uma quantidade potencialmente
ilimitada de pistas, dependendo só da velocidade ou da
taxa de transferência do HD, e de efeitos em tempo real,
estes dependendo da velocidade da CPU. São ao todo 16
mandadas auxiliares e até 64 mandadas coletivas ou
subgrupos virtuais. O programa permite a edição não-destrutiva
dos dados de áudio e MIDI, como também o crossfade
automático de trechos de áudio superpostos, bastando
arrastar com o mouse o início de um sobre o final de
outro. Os eventos da automação da mixagem podem ser
copiados, colados e editados.
Quanto
aos eventos MIDI, como o mais tradicional seqüenciador do
Windows, a nova cria da Cakewalk também traz algumas
inovações em relação ao Pro Audio 9. Por exemplo, a
possibilidade de definir marcadores ou pontos de locate
em tempo real e sincronizá-los ao SMPTE time code. Ou uma
tela Piano Roll com múltiplas pistas, para uma edição
mais precisa das notas e dos controles MIDI.
Um
dos aspectos mais positivos foi a substituição da parte
esquerda da tela Track View, que tinha a forma de uma
tabela ou planilha (como o MS Excel) nas versões
anteriores dos programas da linha Cakewalk. Agora, em vez
de linhas e colunas, cada pista tem sua caixa com botões
que acionam as mesmas funções anteriormente ativadas por
duplos cliques em infinitas colunas. A janela principal
abrange diversos recursos que antes eram mais espalhados
pela tela do monitor. Outro aspecto positivo é o suporte
a dois monitores de vídeo, que antes só podiam ser
ajustados pelo painel de controle. Com tantas janelas, o
usuário deverá mesmo sentir a necessidade de usar dois
monitores para ter mais conforto durante a operação. Se
você pensava em passar pra frente o velho monitor de 14
polegadas, considere a possibilidade de usá-lo como
segundo monitor.
Plug-ins
MIDI. Uma variedade de efeitos e outros
recursos para o seqüenciador MIDI vem incluída no pacote
do Sonar. O Session Drummer auxilia na programação de
bateria e vem com uma biblioteca de diversos estilos
musicais. O NTONYX Style Enhancer humaniza a interpretação
das pistas MIDI em tempo real, baseado em vários estilos
de performance instrumental, como solos de guitarra,
metais e outros. Com o Rhythm'n'Chords, da MusicLab, o
fabricante assegura que basta teclar a cifra de um acorde
e selecionar um padrão rítmico e o programa cria sua
pista de guitarra base ou violão. O MusicLab VeloMaster
é um processador dinâmico, como um compressor das notas
MIDI, e o Fixed Length comprime as durações das notas.
Ainda da MusicLab, o Looper cria e edita loops MIDI. Fora
isso, o Sonar vem ainda com vários outros plug-ins MIDI:
arpejador, quantização, Delay, transposição de tom,
controle de velocity, analisador de acordes e
filtro de eventos MIDI.
Mais plug-ins. Uma miscelânea
de programas de usos diversos enriquece ainda mais a versátil
coleção de penduricalhos que acompanham o Sonar. O
ReValver, da Alien Connections, é um simulador de
amplificadores de guitarra. O premiado Tassman 2.0 DXi, da
Applied Acoustics Systems, permite a construção de novos
sintetizadores virtuais. Temos ainda várias coleções de
loops para sampler, de muitos estilos, desenvolvidos por
diversos fabricantes. E o Sonar é compatível com o
VEGAS, da Sonic Foundry, o preferido dos programas de
loops.
Mais algumas novidades. Como
se não bastasse, o Sonar traz ainda um bocado de novos
recursos, se comparado ao Cakewalk ProAudio9:
Meters
ou LEDs com opções de medição de nível para pico,
RMS, pico e RMS, pré-fader, pós-fader e pré-fader pós
efeitos.
Resolução
MIDI de 960 PPQ (pulsos por semínima), para maior
precisão na sincronização, gravação e edição.
Sincronização
SMPTE com precisão de um frame. Auto-detecção do
time code na sincronização.
Notação
musical mais completa para a edição de partituras.
Importa
os formatos .wav, ACID, AIFF, .asf, .au, .snd, .mp2,
.mp3, MPG e MPEG. Exporta para .wav para a queima de
CDs.
Compacta
o áudio para MP3, RealSystem G2 e Windows
Media Advanced Streaming para publicação na
internet. Inclui o encoder Fraunhofer MP3 numa versão
de teste.
Inverte
a fase dos canais individualmente.
Configuração mínima. Segundo
o fabricante, Windows
98, Windows 98 SE, Windows ME ou Windows 2000, processador
de 400 MHz, 64 MB de memória RAM, 100 MB de espaço livre
no HD, resolução de 800x600 com 256 cores, drive de
CD-ROM para a instalação, interface MIDI e/ou placa de
som compatível com Windows. Os drivers WDM, que não
rodam no Windows 98 original,são necessários para otimizar a mixagem do áudio e para
rodar sem atrasos os sintetizadores virtuais. A memória
recomendada de 64 MB nos parece insuficiente para suportar
tantos recursos e gravar tanto material. Com o dobro ou o
quádruplo de memória, evitamos muitas falhas na operação
de programas como esse.
Conclusões.
O
Sonar ainda estava em fase de lançamento no exterior
quando este artigo estava sendo redigido, impossibilitando
a realização de testes de performance, embora os ótimos
resultados do Cakewalk Pro Audio 9 permitam prever muito
sucesso para o novo programa. A grande quantidade de
recursos adicionais, informatizando quase todo o estúdio,
a aparente maior facilidade de operação e de configuração
das janelas e a compatibilidade com os loops do ACID
prometem fazer do Cakewalk Sonar, num futuro próximo, uma
ferramenta de trabalho poderosa para estúdios de qualquer
porte, um recurso indispensável para a produção de música
eletrônica e mais uma revolução na trajetória dos
pequenos estúdios.