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KORG D8
- Porta-estúdio digital
de 8 pistas
Sérgio Izecksohn
Já foi o tempo em que os diversos estúdios usavam um mesmo
padrão de gravadores multipista. A idade do rolo e a era do ADAT
estão dando vez a uma crescente multiplicação de formatos.
O livre trânsito do material gravado entre os estúdios permite
ao produtor realizar as etapas de gravação e mixagem em ambientes
diferentes. Com muitos formatos disputando o mercado, a colaboração
entre os estúdios pode ser reduzida. Contudo, cada um deles tem
quase total liberdade de escolha. O limite é o orçamento.
Para os pequenos e médios estúdios, a opção
dos gravadores de HD em 8 pistas concorre com os programas de gravação.
Mais ágeis, estáveis e portáteis que o computador,
embora com menos recursos de edição, esses gravadores de
início eram muito caros. O mercado, até aqui abastecido pelos
gravadores de MD, ou seja, de custo entre mil e dois mil dólares,
agora tem acesso a equipamentos mais profissionais. O conceito do “estúdio
numa caixa” tornou esses porta-estúdios verdadeiras estações
de trabalho.
Apresentação
Entre tantos modelos de gravadores digitais, alguns com recursos suficientes
para substituir quase todo o estúdio, a Korg apresenta um modelo
simples, barato, versátil e relativamente fácil de operar.
A qualidade do áudio deixou de ser uma barreira para os pequenos
estúdios. Gravando em HD ou em discos removíveis como o Jaz
ou o Zip, temos som de CD a custos cada vez mais baixos. Seu preço
fica na faixa dos gravadores de MD, que não têm o mesmo som:
1500 dólares.
O D8 grava 8 pistas no hard disk interno ou em drives externos, que
podem ser adicionados aos poucos. Tem entradas e saídas analógicas
e digitais, alguns recursos de edição, memória de
cenas e uma grande variedade de efeitos e outros processadores de som.
Sua operação é simples, embora pouco intuitiva:
no início é fundamental a consulta ao manual (em inglês,
porém claro e bem redigido). Já é tempo das representantes
brasileiras da indústria de gravadores e programas de gravação
fornecerem manuais em português, afinal nosso mercado se profissionalizou
e não pára de crescer.
Vista externa
O D8 tem a forma de todo porta-estúdio: mesa de um lado e gravador
do outro. Só que o mixer de 8 canais, na verdade 6 canais mono (1
a 6) e um estéreo (7/8), tem apenas duas entradas e as saídas
estéreo analógicas e digitais. Sem múltiplas entradas
e saídas que permitiriam uma conexão a uma mesa externa,
todo o trabalho é realizado internamente.
Conexões
As duas entradas de áudio de ¼” (P10 ou banana) são
balanceadas, funcionando também com cabos desbalanceados, permitindo
a ligação de microfones, instrumentos e outras fontes sonoras.
Ambas têm controles de trim (ganho), junto dos conectores. Faz falta,
dada a boa sonoridade do aparelho, um par de entradas XLR (Canon). Cada
entrada pode ser gravada por qualquer das 8 pistas.
Limitado à gravação individual pista por pista
(ou 2 pistas de cada vez), o D8 tem utilidade somente para quem grava em
casa. Para gravar um show ou ensaio em apenas dois canais podemos usar
qualquer gravador estéreo, como um DAT. Há também
uma entrada estéreo digital (S/PDIF ótica) para copiar a
gravação de um DAT ou CD. Como não há entradas
coletivas, o endereçamento do sinal para as pistas de gravação
é muito simples: basta indicar a pista em que vamos gravar, pressionando
a chave de gravação daquele canal.
As saídas estéreo são um par de conectores analógicos
RCA e uma conexão S/PDIF ótica para masterizar em DAT ou
computador. Sem saídas individuais nem inserts para cada canal,
todo o áudio é tratado internamente ou por um único
processador externo.
As conexões auxiliares, todas RCA, incluem uma mandada mono
e um retorno estéreo. Podemos ligar um processador de efeitos ou
utilizar o retorno auxiliar como mais um par de entradas para outras fontes
sonoras. É pena que não sejam conectores banana de ¼”,
um padrão nos reverberadores e multi-efeitos. Facilitariam a vida
do usuário, que não precisaria adquirir três cabos
ou conversores RCA/banana. O D8 também tem uma outra mandada de
efeitos interna, com uma grande variedade de opções de processamento.
Pelo preço do produto, só a presença desse recurso
compensa em muito a escolha dos conectores.
Uma saída estéreo de ¼” com controle de volume
para o fone e uma entrada para pedal (foot switch) dividem com as duas
entradas principais e seus controles de ganho o apertado espaço
frontal do aparelho. As conexões auxiliares e as digitais ficam
na lateral, junto com a porta SCSI de 25 pinos para conectar os drives
externos.
Mídia de gravação
Com um HD interno de 1.4 GB, capaz de armazenar 35 minutos de som nas
8 pistas, o D8 pode usar até 7 drives SCSI, sejam hard disks ou
discos removíveis. Aos poucos, podemos acrescentar novas unidades
de disco, para expandir a capacidade de armazenamento do gravador.
Mixer
No lado esquerdo do painel superior do aparelho fica o mixer de 8 canais.
São canais de mixagem, já que o D8 só tem 2 entradas.
Os primeiros 6 canais são mono, cada um controlando o som gravado
na pista correspondente. O sétimo canal (7/8) é estéreo,
atuando ao mesmo tempo nas pistas 7 e 8. Cada um dos 7 canais tem um fader
de volume, um botão de pan (balanço no canal 7/8), uma chave
para acionar as pistas (record, playback e mute) e mais duas chaves, uma
para acionar os controles de tonalidade (grave e agudo) e a outra para
controlar os efeitos interno e externo. A equalização e os
efeitos são ajustados através do visor por meio de um dial
que fica no lado direito do gravador. Só escolhemos o controle (EQ
ou mandada de efeito) no canal da mesa, mas a regulagem se dá por
meio do dial.
A seção master contém um fader de volume e três
chaves, REC SELECT (seleciona a fonte de som a gravar entre as entradas
analógicas, as digitais ou os canais master), EFFECT (seleciona
e edita os efeitos) e EFFECT ASSIGN (endereça o efeito para as entradas
ou para os canais master).
Visor
O lado direito do D8 contém um visor de cristal líquido (LCD) e os controles de transporte e edição. O visor mostra
os LEDs de volume dos 8 canais, dos masters estéreo e da mandada
de efeito. Mostra ainda o nome e número da música, o contador
de tempo, o modo de execução (linear ou loop) e os parâmetros
de edição.
Controles de transporte e edição
Além dos controles de transporte tradicionais (Record, Play, Stop, Rewind e Fast Forward) podemos usar o dial para escolher no visor
o tempo exato para disparar a gravação ou o playback. Há
ainda três chaves que determinam pontos de localização
rápida (locate) durante a música, que servem para tocarmos
e editarmos os trechos marcados. Podemos saltar para o início, fim
ou três outros pontos da música. Além desses, podemos
indicar no contador de tempo do visor o momento exato para recomeçar
a execução. Várias outras chaves acionam comandos
de edição, auto-punch (emendas automáticas), cenas
e metrônomo. Este último pode soar como um click ou um dos
131 ritmos pré-programados de bateria (não mixados junto
com as pistas), que tornam as performances mais naturais e poupam o tempo
de operação de uma bateria eletrônica.
Operação – Gravação e mixagem
É muito fácil gravar no D8. Conectada a fonte sonora
à entrada 1 (ou 1 e 2), basta indicar a(s) pista(s) a gravar, no
botão do canal correspondente. Depois, é só acionar
Rec e Play. O endereçamento é automático, assim como
o ato de salvar a gravação no HD. Os níveis de entrada
de sinal, controlados pelo botão trim da entrada de áudio
e pelo fader do canal, são monitorados pelos LEDs do visor. As emendas (punch in/out) podem ser manuais, acionadas pelo pedal ou automáticas
(auto-punch).
A redução ou ping-pong de várias pistas para uma
ou duas segue os procedimentos tradicionais dos porta-estúdios.
O endereçamento é feito pelos controles de pan dos canais,
gravando o sinal dos canais master esquerdo e direito. Como em todo gravador
digital em disco, a redução não precisa ser gravada
em uma pista livre. Podemos reduzir todas as oito pistas de uma vez. Por
garantia, convém primeiro copiarmos a música (Copy Song)
no HD, uma operação bem simples e rápida.
A mixagem das pistas para um outro gravador conta com processamento
de efeitos interno e externo em tempo real, equalizador e memória
de cenas.
Edição das pistas
As pistas, trechos delas ou as músicas inteiras podem ser editadas
em parâmetros como recortar, copiar, colar, mover e apagar. Marque
o trecho gravado e copie-o quantas vezes quiser, em qualquer parte da música,
inclusive de uma pista para outra. Copie também a música
em outro ponto do HD para que a edição não ofereça
riscos. O backup em outro HD é um procedimento de segurança
recomendável.
EQ e efeitos
Usamos até dois efeitos nos canais de gravação,
um interno e outro externo. Ambos podem ser gravados junto com a voz ou
instrumento, como também ser adicionados somente na mixagem. Neste
caso, na hora de gravar cada músico, podemos usar o efeito “fantasma”,
soando apenas nos fones e monitores, sem ser gravado.
O processador interno, muito versátil, dispõe de 130
programas com efeitos, processamento dinâmico, presets de equalização
e simuladores diversos. Desses, 65 programas são pré-ajustados
e 65 são armazenados na memória de usuário.
O EQ dispõe apenas de controles de graves e agudos, com ganho
ou atenuação de 15 dB.
Cenas
A memória de 20 cenas por música permite automatizar
a maioria dos controles do mixer durante a execução: volume,
pan, graves, agudos e os dois efeitos de cada um dos 8 canais. Em cada
trecho da canção em que gravamos uma cena, as posições
atuais da mesa são registradas. Essas posições são
automaticamente modificadas à medida em que a música atinge
os pontos com novas cenas. Embora não se trate de uma automação
no sentido estrito, já que não há variação
linear dos controles (só troca de posições), o uso
das cenas simplifica muito a mixagem. Infelizmente, as cenas não
registram as variações do fader master, o que seria muito
útil.
Sincronização
O D8 pode controlar o movimento de um seqüenciador ou bateria
eletrônica através de MIDI clock ou de MTC (MIDI Time Code),
bastando conectar a saída MIDI à entrada do seqüenciador
ou da placa MIDI. Pode também ser movimentado remotamente pelo seqüenciador,
com uso do MMC (MIDI Machine Control).
Conclusões
Se você busca um gravador de HD em hardware porque quer gravar
os ensaios de sua banda, este não é o modelo indicado para
você. Gravando em uma ou duas pistas de cada vez, o Korg D8 só
é útil para aqueles que adotam esta metodologia de trabalho
em seus estúdios. O que, aliás, é bastante comum.
Se é este o seu caso, você encontrará no D8 um estúdio
completo com qualidade de som profissional, vasta gama de recursos e muita
praticidade. E ao preço de um porta-estúdio semiprofissional,
mas com som de CD, esta é uma ótima opção para
os pequenos home studios iniciarem suas atividades em grande estilo.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio.
Publicado na Revista Backstage em 1999
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