|
Montar um estúdio em casa, hoje, é muito mais barato do
que a maioria das pessoas imagina. Além da forte
valorização do real diante do dólar, o governo reduziu
bastante as taxas dos produtos de informática. Ao levar
computadores à maioria da população, a medida também
incentiva todos os profissionais e empresas que dependem
da tecnologia da informação.
Os estúdios já têm quase todos os componentes em forma
de programas de computador. Já não são apenas os
gravadores, as mesas de mixagem e os efeitos, mas
instrumentos musicais muito complexos com enormes
coleções de timbres de altíssima qualidade, simuladores
de amplificadores, de microfones e de ambientes
acústicos, ferramentas revolucionárias para produção de
música eletrônica e programas de edição de vídeo. É
lógico que os computadores que rodam tudo isto têm
configurações mais complexas do que as máquinas
domésticas.
Ao
mesmo tempo, continuamos precisando de certos itens que
vão continuar existindo ‘fora’ do computador, conectados
a ele. São microfones, instrumentos controladores,
monitores de áudio. Podemos, talvez, precisar de
pré-amplificadores, mesas de som, efeitos analógicos,
superfícies de controle, tratamento acústico e
instrumentos musicais diversos. Esses investimentos
precisam ser levados em conta antes de irmos às compras.
Os produtos que vamos adquirir agora e os que deixamos
para comprar depois têm que ser bem escolhidos desde já,
para não desperdiçarmos a grana toda em itens
desnecessários ou que já estão ficando obsoletos,
abdicando de outras ferramentas fundamentais para o
trabalho.
Um home studio básico
Assim, precisamos primeiro pensar no que queremos fazer
e quais as técnicas que vamos adotar. Só então podemos
configurar nosso estúdio, sempre levando em conta os
custos e benefícios. Um exemplo tradicional é a questão
da bateria. Com os timbres fantásticos de baterias reais
gerados por certos instrumentos virtuais já populares,
conseguimos uma qualidade sonora muito maior do que se
gravarmos o nosso baterista em boa parte dos estúdios
comerciais. No entanto, alugar o estúdio para uma
gravação dessas pode custar mais caro do que comprar
todo o equipamento para produzir um som que, afinal, vai
ficar melhor. Então, é melhor aprender a programar e
superar certos conceitos. Há muitos bons bateristas que
são também bons programadores, mesmo os que têm estúdios
bem completos. Por que será?
É importantíssimo que o computador seja montado por
profissionais especializados em máquinas para áudio ou
por um integrador experiente e estudioso, que consulte a
documentação de todos os fabricantes, por exemplo. Essas
máquinas não são para internet nem escritórios.
Respondem por cerca de noventa por cento do estúdio e
não podem se dar ao luxo de travar.
Os programas devem ser configurados para gravar o áudio
no segundo disco rígido, além de receber o som das
entradas e enviar para as saídas da placa de áudio. É
muito útil ler as recomendações dos fabricantes.
Atividades dos estúdios
Os home studios podem gravar e mixar áudio e
masterizar CDs ou divulgar na internet. Também podem
produzir trilhas sonoras e música eletrônica. Podem
ainda combinar instrumentos virtuais e gravação de
áudio, mixando e masterizando todo o material. Podem
sonorizar vídeos ou até mesmo produzir vídeos, exibi-los
na internet e autorar um DVD. Esses estúdios usam
equipamentos bem diferentes uns dos outros.
Categorias de estúdios
Para facilitar nossas configurações, classificamos
os estúdios como básicos, médios e avançados. Não há
receita; cada usuário deve saber o que quer fazer no seu
estúdio e vai precisar de uma configuração exclusiva.
Vamos observar os modelos usados com maior freqüência
nas diversas categorias. E adaptar nossas listas de
compras até encontrarmos o que for mais adequado e
estiver disponível no mercado. Não precisamos seguir
todas as tendências, mas tirar o melhor som.
Home studios básicos
É impressionante como um sistema de poucos milhares
de reais pode ser mais poderoso do que era um estúdio
milionário de uma gravadora multinacional alguns anos
atrás. Com criatividade, conhecimento e atitude, a
mágica se realiza.
A bateria (bem) programada é um dos pulos do gato.
Instrumentos virtuais como EZ-Drummer e BFD têm sons
pré-gravados com uma qualidade difícil de se conseguir,
mesmo em estúdios maiores. Alguns trazem inúmeros ritmos
para auxiliar na programação. Assim, economizamos
diversos microfones, uma mesa grande, noise gates,
interfaces de áudio e muitos gigabytes do disco rígido.
Pistas de áudio de vozes e instrumentos acústicos e
elétricos são gravadas através de uma pequena mesa ou um
pré-amplificador, que envia os sons para a placa de
áudio. É comum, em estúdios de todos os níveis,
gravarmos uma guia e adicionarmos as partes uma a uma,
dispensando as mesas maiores.
As placas da M-Audio são as mais usadas hoje, pela
compatibilidade e custo. O melhor custo/benefício é da
Delta 1010 LT, que vem com duas entradas para microfones
e seis de linha, servindo até para quem não tem uma
mesa.
Esqueça as soundblasters e as placas on board (som da
placa-mãe). Placas de multimídia têm qualidade sonora
inferior e não têm processamento para rodar os programas
de áudio e música.
O
computador precisa de um processador veloz, compatível
com uma boa placa-mãe, muita memória de boa marca, dois
HDs grandes e rápidos, gravador de DVD e uma placa de
vídeo com bastante memória. Até um bom e velho Pentium 4
pode fazer bonito e resolver tudo, mas, quanto mais
processamento, mais instrumentos e efeitos podemos usar.
O sistema operacional é o Windows XP Pro. Em pleno 2008,
o Windows Vista ainda não tem todos os programas,
drivers (controladores) e plug-ins desenvolvidos para
ele, e gasta quase a metade da memória.
Um home studio médio
Quem grava áudio e MIDI usa versões de menor custo dos
programas Sonar, Cubase, Nuendo ou ProTools. Os
primeiros são preferidos nesta categoria pela maior
facilidade de se obterem plug-ins VST e maior
compatibilidade dos sistemas. A edição do áudio é feita
com Sound Forge ou Wave Lab. Os complementos são o
Reason, plug-ins VST como os efeitos da Waves ou da Sony
e os instrumentos como os da East West, Native e Ilio. O
CD Architect, da Sony, para masterização, completa a
lista de software.
O microfone do estúdio básico é dinâmico, como o Shure
SM58 ou SM57. Não dá para usar microfones a condensador
numa sala ou quarto sem tratamento acústico. A acústica
dos pequenos estúdios, quando se faz alguma coisa, é
resolvida com tapetes, cortinas e similares. Os cabos
devem ser balanceados. Quando isto não for possível,
devem ter menos de três metros.
Um teclado controlador MIDI ou USB e o melhor som
doméstico ou pequenos monitores de referência fecham a
lista. Com um equipamento desses, talento e um bocado de
conhecimento em MIDI e áudio, dá para produzirmos CDs e
trilhas de ótima qualidade.
Home studios médios
Além de um computador com hard disks maiores que os
do estúdio básico, inclusive caixinhas USB para
trocarmos os discos rígidos como quem trocava a fita do
gravador, o estúdio médio tem uma mesa de som ou bons
pré-amplificadores Behringer, PreSonus ou M-Audio. Mesas
com interface de áudio integrada, como as da M-Audio e
da Behringer, com conexão Firewire ou USB 2.0, são uma
opção prática. Se a mesa não tiver esse tipo de ligação
com o PC, interfaces de áudio com conectores P10
balanceados ou XLR evitam o ruído dos cabos.
O processador é um Intel Core 2 Duo ou Core 2 Quad
usando Windows XP Pro ou um Apple Power Mac G5 usando
Mac OS-X, com pelo menos dois gigabytes de memória. Os
programas são os mesmos usados nos estúdios básicos. Com
HDs maiores, gravamos mais áudio e mais instrumentos
virtuais podem ser instalados.
O estúdio médio pode criar trilhas sonoras com mais
memória na placa de vídeo (256 ou 512 MB), usando os
próprios programas Sonar ou Cubase. Com o Vegas, da
Sony, e uma conexão Firewire, esse estúdio captura e
edita vídeos em grande estilo.
Para usar microfones a condensador, como os da MXL ou da
Behringer, o home studio intermediário precisa investir
em painéis acústicos, absorvedores e armadilhas de
graves.
Home studios avançados
A gravação de bateria e de grupos instrumentais e
vocais é um diferencial dos maiores estúdios. A presença
da mesa grande, das medusas e dos multicabos é uma
conseqüência natural desta opção.
É claro que vamos gravar a bateria num outro cômodo da
casa. De preferência, que não tenha uma parede em comum
com a técnica, para não confundirmos o som dos monitores
com os vazamentos, já que a bateria produz muita pressão
sonora, especialmente o bumbo. Uma casa com paredes
grossas tem muito mais chance de sucesso que um
apartamento novo com o pé direito baixo.
Divisórias acústicas, geralmente duplas, à base de
madeira, lã de vidro e gesso acartonado, podem dar
ótimos resultados. Painéis, absorvedores e armadilhas de
graves também devem ser distribuídos pelas salas. Mas só
faça essas obras com projetistas e marceneiros
experientes que conheçam os problemas e as soluções da
acústica, tanto para o tratamento quanto para o
isolamento. Eles podem fazer também todos os móveis do
estúdio, como estantes e outros. Esta vai ser a maior
despesa e vai valorizar muito o seu empreendimento
.
Os
computadores mais indicados neste nível de configuração
são Intel Core 2 Extreme quad-core e Apple Mac Pro (com
Quad-Core Intel Xeon), este 2,6 vezes mais rápido que o
velho Macintosh G5 em aplicações de áudio. É um
investimento também várias vezes maior do que em um PC
“topo de linha”.
Os programas usados nos PCs (com Windows XP Pro) são o
Cubase, o Nuendo, o Sonar e o Pro Tools LE, que é
adquirido com a interface Digidesign 003, ou mesmo o Pro
Tools HD com os seus periféricos, usados também nos
grandes estúdios. Nos Macs, usamos Logic, Performer,
Cubase ou Pro Tools sobre o sistema operacional Mac
OS-X.
Um home studio avançado
Os microfones devem ser capazes de abranger toda a gama
de instrumentos e vozes que serão captados. Usamos
modelos diversos de marcas como Neumann, AKG,
Sennheiser, Shure e Electro-Voice, entre outras, para
gravar tambores, pratos, percussões, vozes, cordas,
sopros, piano e tudo o mais.
O som destes microfones pode ser valorizado por
pré-amplificadores de diversas grandes marcas, como
Avalon, Apogee, Focusrite ou Universal Audio,
especialmente os valvulados. Do preamp, o som vai direto
para o computador por cabos balanceados. Alguns desses
estúdios avançados usam efeitos analógicos como
compressores valvulados e outros. O direct box serve
para balancear o sinal de, por exemplo, instrumentos
elétricos.
Controladores MIDI para os instrumentos virtuais podem
ter a forma de qualquer instrumento musical. É útil ter
dois teclados, um de ação pesada (tipo piano) com 88
teclas e outro com 61 ou 76 teclas leves. Podem ser
vistos vários outros formatos de controladores MIDI,
como guitarras, violões, violinos, tambores e
controladores para música eletrônica em forma de bateria
MPC.
Uma superfície de controle é compatível com o porte
desse estúdio. Escolha uma que opere com seus programas
favoritos e configure-as à vontade para dar uma folga
para o mouse.
Conclusões
Na verdade, nenhum estúdio é exatamente como as
sugestões acima. Como já vimos, as opções citadas servem
de referência, mas a sua escolha deve sempre se pautar
pelas suas necessidades específicas, tanto musicais
quanto de orçamento. Planeje bem e boas compras!
Os links dos fabricantes citados estão
aqui.
|