Finale 2006
Sérgio
Izecksohn
Julio Moura
Os sons dos
melhores instrumentos virtuais no mais completo editor
de partituras tornam a orquestração, a composição e o
arranjo mais ‘reais’ do que nunca. Ouça todos os timbres
das partes de seu arranjo enquanto cria ou escreve, em
vez de simplesmente usar o ‘ouvido interno’, os sons da
placa onboard ou seu velho sintetizador.
Com o
Finale 2006 produzimos desde uma orquestração sinfônica
até um arranjo para música popular ou uma simples
melodia cifrada com todos os recursos gráficos e sonoros
e ainda gravamos o áudio de algum instrumento real e o
‘transformamos’ em uma partitura profissional. Podemos
até mesmo nos dar ao luxo de escrever a música tocando
um instrumento controlador sem o apoio do metrônomo e
depois fixar o andamento, quantizar os tempos e tudo o
mais.

Inserimos as notas na partitura de várias maneiras
diferentes. Através de cliques do mouse
(nota por nota ou ‘Simply Entry’), pelo teclado
do computador no prático modo ‘Speedy’ e pelo
teclado MIDI no modo ‘Hyper Scribe’. Estes são os
modos mais típicos. Além deles, podemos gravar uma
melodia de um instrumento acústico, importar um arquivo
MIDI ou ainda usar um scanner para copiar uma partitura
impressa.
Novidades
principais. A despeito do tradicional pioneirismo na
introdução de poderosos recursos de edição gráfica do
Finale, o suporte aos instrumentos virtuais adotados na
nova versão são realmente a sua maior inovação. É
realmente fantástico podermos escrever as partituras ou
desenvolver um arranjo ouvindo alguns dos melhores
samplers e sintetizadores do mercado, como o sample
player Garritan, com todos os elementos
instrumentais ou musicais, como rallentandos,
ornamentos, fermatas, glissandos, acentos
rítmicos e muitos outros. Podemos até mesmo aplicar
sobre esses instrumentos virtuais estilos expressivos de
diferentes gêneros musicais, como barroco, jazz ou funk,
para ouvirmos a interpretação instrumental de acordo com
a linguagem de cada música no lugar da leitura ‘dura’ da
partitura.
Mais uma importante novidade desta versão é o ‘Studio
View’, que é uma mesa de som com todos os recursos
como volume, pan, solo, mudo e endereçamento, como numa
mesa de ‘verdade’.
Máquinas.
Nosso editor de partituras roda em PC e Macintosh. A
versão Windows roda em Windows 98SE/2000/ME/XP. Os sons
do Garritan só rodam no Windows XP. Os usuários de Mac
precisam de um processador G4 ou superior, com o sistema
OS 10.2 ou mais recente. É necessário um drive de CD ou
DVD-ROM. A resolução mínima do monitor é de 800x600. A
memória RAM, segundo o fabricante, pode ser de 256 MB.
No entanto, para o uso dos sons do Garritan, o maior
trunfo do novo Finale, precisamos de um mínimo de 1 GB
de memória. Quanto mais memória RAM, mais sons estarão
disponíveis simultaneamente. O programa e seu manual
ocupam 200 MB do hard disk. Os sons do Garritan ocupam,
em princípio, 800 MB, mas a versão completa toma 2,7
Gigabytes do HD só para os sons.
Inovações.
Instrumentos VST podem ser abertos dentro do Finale
2006, divididos em algumas famílias:
Sampling Line
(Kontakt, Battery, Elektrik Piano, Kompakt,
Intakt), Synth Line (Reaktor,
Absynth, FM7, Pro-53, B4),
Effects Line (Vokator), todos da Native
Instruments, e também os samplers da família
Sampling Line OEM, de diversas marcas (Virtual
Grand Piano, Artist Drums, Galaxy Steinway 5.1, Cult
Sampler, Artist Grooves, Latin World, Ethno World
Complete e vários outros sample players, cobrindo todos
os gêneros musicais, do jazz às sonoridades étnicas, dos
timbres sinfônicos ao peso do rock ou do eletrônico).
O MicNotator
permite escrever melodias tocando um instrumentos de
sopro e tem uma boa precisão. Conectamos o microfone e
gravamos a melodia enquanto o Finale a escreve no
pentagrama. Assim, podemos registrar a partitura tocando
num instrumento acústico no lugar do controlador MIDI.
Outra grande novidade do Finale 2006 é a possibilidade
de usarmos até 128 canais MIDI, quando a versão anterior
dispunha de apenas 16 canais.
Na versão inicial
do Finale 2006 não era possível salvar o áudio com os
sons dos instrumentos virtuais, mas só com os timbres do
SmartMusic SoftSynth. Com a nova atualização 2006a é
possível salvar os sons dos instrumentos virtuais em
três formatos de áudio: MP3, WAV e AIFF.
O Finale 2006 já
vem com o sample player
Garritan Personal Orchestra e uma imensa coleção
de samples. Junto com o Kontakt Player, o Garritan é
automaticamente carregado e configurado no Finale. Basta
clicar e tocar. O recurso Human Playback melhora
bastante a integração do Garritan Personal Orchestra ao Finale 2006 pela inclusão de legatos
personalizados e uma boa variedade de técnicas
instrumentais especializadas para harpa, cordas e
percussão, incluindo interpretações aperfeiçoadas como
rolls, diddles e flams.
Além de adicionar
sentimento e nuances naturais automaticamente, o Human
Playback também interpreta quaisquer tipos de elementos
musicais a partir da partitura, incluindo
crescendo/diminuendo, sforzando,
accelerando/rallentando, fermatas, trilos e
trinados, tremolos, vibratos, ornamentos do barroco e do
jazz, bends de guitarra, varreduras de acordes de
violão, guitarra, harpa ou cravo, glissando,
pedais de piano, harmônicos,
pizzicato,
surdina e outros.
O
reverberador
Advanced
Reverb Control
faz
escolhas inteligentes por nós, embora com os controles
ao nosso alcance.
Recursos
clássicos.
A
janela ‘Playback Control’ é onde controlamos as
funções de transporte do Finale. Uma de suas funções é a
‘Human Playback’ onde podemos “humanizar” o som
das partituras em vários estilos musicais (barroco,
romântico, clássico, jazz, rock e samba, entre outros).
Para humanizarmos a execução dos instrumentos virtuais
(articulações, efeitos, vibratos, glissando...),
podemos usar os plug-ins da entrada TG Tools do menu
Plug-ins.
Podemos conectar o Finale ao sampler GigaStudio 3 por
oito portas MIDI, totalizando 128 canais, o que é mais
do que seqüenciar uma orquestra inteira, violino por
violino, violoncelo por violoncelo e flauta por flauta,
como se alguém trabalhasse assim!
O
Finale traz uma versão ‘light’ do programa
SmartScore da Musitek, que pode ser atualizada para a
versão completa. Através deste recurso, uma partitura
impressa ou escrita em papel pode ser lida por um
scanner comum e convertida num arquivo do Finale. Em
nossos testes, conseguimos cerca de 75% de acerto.
Outra função simpática do programa é a possibilidade de
inserirmos imagens nas partituras.
Formatos.
O formato
nativo é .mus, embora o Finale, como outros programas
desta classe, também abra e salve arquivos MIDI (.mid).
É interessante notar que ele importa arquivos do Encore
(.enc). Isto é importante para quem está migrando do
Encore para o mais robusto Finale. Outra utilidade é
salvar os arquivos no formato do Sibelius (.etf), um
editor de partituras com recursos de vídeo sincronizado.
Conclusões. Um avanço incrível na hora de compor
porque já temos uma noção mais aproximada do som real.
Com o suporte aos instrumentos virtuais, a mesa e a
exportação dos arquivos de áudio, dá para fazer uma
pré-mixagem durante a composição e até queimar um CD ou
enviar um MP3 por e-mail. A “humanização”, interagindo
com os sons do Garritan
Personal Orchestra, leva a expressividade até o
limite da imaginação e, principalmente, permite ao
escriba avaliar se sua escrita terá o suingue adequado
quando sua partitura for interpretada por músicos
daquele mesmo gênero musical.
Na edição gráfica,
nenhuma novidade significativa. Até porque,
aparentemente, o programa não tem muito mais por onde
evoluir nesta área.
O
Finale é o mais completo e tradicional editor de
partituras. É usado nas principais editoras musicais do
Brasil e do mundo. Com a introdução do suporte aos
instrumentos virtuais, o Finale 2006 evolui para o
status de estação de trabalho. Para quem prefere compor
apoiado na partitura do que usar outros gráficos de
edição, como o Piano-roll, o Matrix e
similares, o novo Finale é completo. Para escrever
partituras em geral, ele está hoje em dia infinitamente
mais simples de operar do que há alguns anos, quando
adquiriu uma certa fama de “complicado”.
Mas o suporte e a interatividade com os instrumentos
virtuais marcam uma grande diferença, pelo menos
momentaneamente, entre o Finale e a concorrência.
Enquanto o Sibelius se limita aos seus sons
pré-definidos, o Finale 2006, com o suporte a mais de 30
instrumentos da melhor qualidade e de variados
fabricantes, como a coleção da Native Instruments,
permite uma maior ‘inspiração’.
E inspiração, na hora de criar, é tudo do que
precisamos.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é o professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Julio Moura (julioc_moura@yahoo.com.br) é professor dos
cursos de Home Studio e de Finale no Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2005
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