SONAR 5 Producer Edition
Sérgio
Izecksohn
Acaba de ser lançada a nova versão do
programa de gravação mais popular dos estúdios em todo o mundo. Além de
vários recursos funcionais e novos instrumentos e efeitos, traz novas e
poderosas ferramentas de edição.
64 Bits. O Cakewalk Sonar 5 é o
primeiro software da categoria desenvolvido em 64 bits, com versões para
computadores de 32 ou 64 bits. Todas as duas versões usam processamento em
64 bits em ponto flutuante de dupla precisão, o que aumenta a capacidade de
processamento em até 30 por cento quando instalado numa máquina com CPU de
64 bits, como a Intel EM64T ou a AMD64, rodando o Windows XP x64 Edition. A
faixa dinâmica é enormemente expandida. Esta tecnologia representa uma nova
era na mixagem digital.

Máquinas. A configuração recomendada pelo fabricante tem o Windows
XP/x64 como requisito obrigatório para a operação em 64 bits. Mesmo operando
em 32 bits, o Sonar 5 só funciona com o Windows XP com o vídeo ajustado
para, no mínimo, 1024 X 768 pontos. Os processadores recomendados são o
Pentium 4 2.8 GHz e o Athlon 64 2800, mas a versão de 32 bits, segundo a
Cakewalk, roda até em Pentium 4 de 1.3 GHz ou Athlon XP 1500.
É a tal história: o fabricante diz que roda com 128 MB de RAM, mas quem se
aventura a trabalhar em uma configuração tão básica com um software tão
sofisticado? Como sempre, precisamos de muita RAM, muito processamento e
muito espaço em disco. Um mínimo de 512 MB de RAM, 80 GB no HD (se possível,
dois) e uma CPU de 2 GHz nos dão também um mínimo de confiança no
computador. Mas isso para rodar em 32 bits.
As placas de som indicadas são as que rodam em Windows XP (inclusive
ProTools HD ou M-Box) com controladores ASIO, inclusive superfícies de
controle e outros dispositivos.
Testei o novo programa num Pentium 4 HT de 2.8 GHz, com 1 GB de memória RAM,
chipset Intel 865, um HD (abarrotado) de 80 GB, placa de vídeo ATI Radeon e
placa de áudio M-Audio Audiophile 2496. O comportamento geral foi bom,
embora forçando bastante a CPU ao usar uns dez instrumentos virtuais.
Inovações. Entre as novidades incluídas, temos os sintetizadores PSYN
II, Pentagon I, Roland GrooveSynth, o sampler SFZ SoundFont e a groove
box RXP Rex Player, além do sintetizador TTS-1, do sampler Cyclone e da
DreamStation.
Os efeitos
agora incluem o reverberador com ambientes e efeitos sampleados Perfect
Space Convolution, além do Lexicon Pantheon e da coleção de 10 processadores
Sonitus:fx. Os efeitos MIDI também foram atualizados, num total de oito
efeitos MIDI e 31 efeitos de áudio.
MIDI volta à primeira página. A novidade que salta aos olhos,
literalmente, é a tela de edição Piano-roll, que passa a fazer parte
da janela principal ou Track view. As pistas MIDI têm um botão (PRV
mode) com a opção de apresentar o aspecto tradicional ou o de
Piano-roll. Isto traz uma integração muito maior entre a edição, o
arranjo e a mixagem do áudio e dos instrumentos MIDI, com todas as pistas
vistas ao mesmo tempo.
Na pista MIDI, na coluna central da janela Track, clique e arraste o
ponteiro do mouse para cima até aparecer o teclado do piano-roll.
Mova o mouse para cima e para baixo alargando e estreitando as “teclas” até
ajustar o zoom.
Na nova pista com visual de Piano-roll, as linhas verticais
indicadoras das intensidades das notas (velocity) passam a fazer
parte da mesma janela. Aumente ou diminua a intensidade de cada nota: após o
ponteiro se posicionar um pouco acima do centro do traço que representa a
nota, clique e arraste o mouse para cima ou para baixo quando aparecer um
pequeno hexagrama junto do ponteiro.
No entanto, se preferir, o usuário pode abrir a tela da maneira tradicional.
A janela Piano-roll propriamente dita agora também tem as imensas
linhas de velocities cruzando na vertical os traços horizontais das
notas. Podemos voltar para o modo de exibição tradicional, se for o caso,
com as linhas de velocities em outra janela (controller pane)
abaixo daquela onde ficam as notas. Para isso, clicamos no botão Use
Controller Pane, no alto da janela.
Mais novidades. Há muitas outras inovações. Os efeitos e instrumentos
VST não necessitam mais de um adaptador. A automação por envelopes e a
gravação passo-a-passo foram melhoradas. Os efeitos e as automações em
clips são orientados a objetos. Os efeitos e instrumentos VST de 32 bits
são habilitados mesmo no ambiente de 64 bits. Há uma saída de vídeo para
aparelhos que usam FireWire 1394 para visão de alta qualidade com baixo
consumo da CPU e do hard disk. O vídeo importado no Sonar agora é
visto numa pista com os fotogramas em vez da antiga janela Vídeo,
que, no entanto, permanece na nova versão.
O Sonar 5 grava loops de áudio e MIDI em camadas ou layers, para
compilarmos os “melhores momentos” de uma gravação com facilidade. Vários
trechos gravados podem se sobrepor em camadas, as Track layers.
Assim, temos controle total sobre cada clip, podendo visualizar e
manipular cada um deles.
Com os Track templates ou modelos das pistas, inserimos rapidamente
combinações complexas de pistas e endereçamentos. Criamos e salvamos nossos
modelos ou os usamos para salvar os endereçamentos, as Track folders
ou pastas de pistas, os estados Mute, Solo e Arm, os
efeitos, os sintetizadores e mais.
Com os Track icons escolhemos dentre inúmeros ícones pequenos ou
grandes para facilitar a identificação das pistas em diversas janelas, como
Track view e Console view.
A tecnologia Variphrase do processador de voz Roland V-Vocal é realmente
poderosa e deverá abalar o império do plug-in Auto-Tune da Antares.
Controlamos o tempo e a afinação da voz sem degradação notável e com
facilidade. Ajustamos o fraseado, o vibrato, a entonação e a dinâmica
da voz e adicionamos harmonias ou corais.
Novos e já clássicos recursos. A janela Loop construction, aberta
quando damos um clique duplo sobre um clip de áudio, é semelhante ao
Cyclone, da própria Cakewalk. Trabalhando com slices (fatias) do
áudio, separadas automaticamente pela dinâmica, podemos montar novos loops
aproveitando os elementos sonoros do loop original, trabalhando em qualquer
andamento sem alterar a sonoridade.
A função Freeze mixa as pistas com sintetizadores e efeitos, poupando
recursos da CPU. Ao descartarmos os plug-ins, liberamos memória e
processamento. Quando uma pista está realmente ‘pronta’, é o momento de usar
este recurso.
Track folders. Organizamos as pistas em pastas para gerenciar projetos
maiores. Assim, rapidamente podemos acionar Mute, Solo,
Record e outras funções em todas essas pistas de uma vez.
Formatos. Exporte seu material para os formatos-padrão da indústria:
WAV, Acid WAV, Broadcast Wave, AVI (com áudio estéreo ou 5.1), OMFI,
MIDI, MP3, QuickTime 6, Windows Media Audio 9 (WMA), WMA9 Pro 5.1,
WindowsMedia Video (com áudio estéreo ou 5.1) e formatos proprietários (.cwb,
.cwp).
Surround. O Sonar recebeu da revista Mix a menção de “mais fácil e
intuitiva experiência em surround”. Tem um controle panorâmico
realmente intuitivo, mais de 30 configurações de surround, diversos
processadores como o Sonitus Surround Compressor, o Lexicon Pantheon Reverb
e a tecnologia exclusiva SurroundBridge para uso de plug-ins estéreo no modo
surround.

Conclusões. O Sonar é um programa extremamente intuitivo, fácil de
encontrar, fácil de instalar e – o melhor – fácil de entender. Com seu novo
e possante ‘motor’ de 64 bits rodando em PCs comuns, ele é ao mesmo tempo
simples, sofisticado e poderoso. E agora também com um mecanismo de causar
inveja a diversos concorrentes, pelo menos por enquanto.
O conceituado editor Craig Anderton, da revista americana “Keyboard”, no
início do ano, já brincava com as torcidas rivais do Sonar. Primeiro,
comentava a dificuldade de escolha do programa com que cada um vai
trabalhar, por serem muito parecidos em recursos e preços. “Por exemplo,
diz, o Logic 7 pode carecer da Plug-in Delay Compensation do Sonar e não é
exatamente conhecido pelo seu desempenho intuitivo, mas traz uma variedade
tão imensa de excelentes efeitos e sintetizadores que faz os poucos
instrumentos do Sonar parecerem realmente escassos.”
Entraram finalmente na moda no Brasil os tradicionais Logic e Cubase,
principalmente na cena eletrônica. Anderton não perdoa: “quando a gente se
volta para o Cubase SX, a Steinberg vem com uma atualização significativa, o
SX3, que precisa de manutenção e atualização para corrigir bugs assim que
ele aparece... mas ele não faz tudo?”
“Acid e Live, prossegue ele, não são competidores, são programas
especializados, o primeiro com o foco nos loops e o segundo fazendo uma
ponte entre o palco e o estúdio de uma forma nova e criativa. O Samplitude é
ótimo mas tem omissões berrantes. O Digital Performer (Macintosh) é forte em
vários aspectos e tem uma legião de fãs leais.”

Craig Anderton continua: “Tracktion? Ótima relação custo/benefício, mas não
está no nível do Sonar. Adobe Audition? A implementação multipista não chega
perto da versatilidade do Sonar, embora sua edição de áudio estéreo bata
todos estes concorrentes. E, finalmente, a respeito do Pro Tools... Pro
Tools é Pro Tools. Você o usa, ou porque você gosta dele ou porque seus
clientes solicitam ou as duas coisas, e você não está a fim de pesquisar os
demais.
E termina: “Então, o que faz o Sonar brilhar tanto? Fluxo de trabalho. Ele
torna a vida fácil e a gravação simples. Quando eu rodo o Sonar, parece que
os projetos ficam prontos um pouco mais cedo, eu me sinto revigorado no fim
do dia e a qualidade fica melhor em grande parte porque eu não fico brigando
com o programa. O Sonar preserva a tradição de tornar o processo de gravação
acessível enquanto fornece as ‘ferramentas poderosas’ necessárias à
realização de projetos profundos e sofisticados.”
Se você já gostava do seu Sonar 4, 3, 2, 1 ou do Cakewalk Pro Áudio e está
com uma máquina relativamente recente, não perca tempo e conheça o Sonar 5
Producer Edition. Mesmo que você não tenha nada a ver com surround.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2005
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