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Reason: todo o estúdio MIDI em um só programa
Sérgio Izecksohn
No universo dos
sintetizadores virtuais, o programa Reason, da sueca
Propellerhead, é provavelmente o mais completo. Além de
incluir toda a gama de equipamentos de MIDI e de áudio
de que precisamos, como samplers poderosos,
sintetizadores modernos ou com jeito de analógicos,
mesas, baterias eletrônicas, efeitos e um seqüenciador
MIDI que atua em tempo real, ele tem uma maneira toda
própria e extremamente intuitiva de ser operado: todos
os “equipamentos” disponíveis têm forma de rack e são
conectados a uma mesa de som virtual e a processadores
de efeitos exatamente como num estúdio convencional.
A aparência do programa é a de um rack de teclados, com
os diversos módulos um em cima do outro. Teclando <Tab>,
viramos o rack para trás e vemos os cabos balançando.
Conectamos os diversos módulos com o mouse como se
estivéssemos plugando os fios nas entradas e saídas de
um estúdio analógico. Definimos todo o endereçamento de
sons de instrumentos e efeitos conectando cabos e
plugues virtuais aos canais da mesa do Reason. Contendo
um poderoso e muito intuitivo seqüenciador MIDI (que só
toca, contudo, os próprios instrumentos), o programa
permite incluir infinitos sintetizadores, samplers e
baterias eletrônicas (ou quantos seu computador
conseguir rodar) e conectar todos eles automaticamente,
além de salvar todas as configurações junto com cada
música. Toda a tecnologia a serviço da facilidade de
operação.
Cada um dos dispositivos do Reason tem o visual e o
sentimento do objeto real, mas o mais importante é que
eles têm o som, o desempenho e a atitude igualmente
reais. E você pode repetir o uso de cada dispositivo
quantas vezes sua CPU agüentar. Ele é um programa
modular, o que implica em maior consumo do processador
quanto mais módulos são requeridos.
O Reason está na versão 2.5, que introduziu alguns novos
componentes ao sistema. As novidades principais são
novos processadores de efeitos, como o reverberador
RV7000, o distorcedor Scream 4 Sound Destruction e o
vocoder BV512, que vêm adicionar recursos à família de
processadores do Reason. Ele roda em Windows 98, Me,
2000 ou XP, Mac OS X e Mac OS 9. Embora a configuração
mínima recomendada pelo fabricante seja bem básica, uma
máquina mais moderna tem um desempenho mais adequado.
Mixer, instrumentos e efeitos.
Todos os controles do Reason e
de cada um dos seus componentes ficam sempre expostos ao
alcance do mouse. Nada daquelas janelas “intuitivas” que
temos que adivinhar que existem. Tudo está sempre
visível e acessível. E todos esses controles podem ser
gravados e automatizados pelo seqüenciador.
O Reason contém no alto da tela uma interface com várias
entradas MIDI para os teclados controladores e outra com
as saídas de áudio para a placa de som. Bem abaixo, tem
o seqüenciador. No meio, fica o Rack, a principal área
de trabalho do programa.
No Rack, vamos incluindo os componentes do estúdio, um a
um. Mesa(s) de som, efeitos, sintetizadores, samplers e
máquinas de loops. Eles são automaticamente conectados à
mesa de som, embora possamos sempre modificar todo o
endereçamento na parte traseira do Rack, acessível
através da tecla <Tab>. Ali, vemos cabos coloridos
interligando todos os componentes do estúdio virtual com
o visual mais realista que já apareceu. Chegam a
balançar. Todos os instrumentos estão conectados aos
canais da mesa que, no lado da frente, tem até as
etiquetinhas de fita adesiva coladas ao longo dos canais
com os nomes dos instrumentos. Mandam som para os
efeitos pelos conectores Auxiliar Sends e os recebem de
volta pelos Aux Returns, como nas mesas “de verdade”.
Tudo muito intuitivo e tradicional. Podemos reconectar
esses cabos de todas as maneiras, arrastando os
conectores com o mouse ou clicando com o botão direito e
escolhendo em um menu o destino da outra ponta do “fio”.
Depois de tudo, voltamos para a frente do Rack
pressionando <Tab> outra vez. Cada novo instrumento ou
efeito adicionado é conectado automaticamente ao canal
ou canais correspondentes.
O primeiro dispositivo a ser adotado é a mesa de som.
Basta clicar no menu <Create...> e selecionar <Mixer
14:2> para ter uma mesa aparafusada no Rack. Ela tem
faders e knobs (botões deslizantes e
giratórios) com as mesmas funções de uma mesa real, com
exceção dos maus-contatos. As saídas estéreo principais
enviam seu som para as primeiras saídas da placa de som.
Se forem necessárias, mais mesas iguais podem ser
adicionadas indefinidamente, para aumento do número de
canais e outros recursos. É só clicar novamente em
<Create...> e em <Mixer 14:2>.
Depois, começamos a adicionar os instrumentos. A
polifonia deles num Pentium ou Mac atuais é de cerca de
160 vozes. Incluímos os instrumentos no Rack clicando
outra vez no menu <Create...> e no nome de cada
componente de nossa infinita coleção de samplers e
sintetizadores.

Podemos começar, por exemplo, com a máquina de loops de
bateria Dr. Rex. Ela trabalha com o conceito de loops de
áudio “reciclados”, usando a técnica de picotar os loops
em “slices”, conhecida como “ReCycle”. Se
queremos usar um loop de bateria com andamento de 150
BPM numa música de 132 BPM, abaixar o tom com comandos
tipo Transpose não é boa prática, pois ainda por
cima altera o timbre. O comando Time Stretch,
embora preserve a tonalidade, também altera o timbre e
tira o ataque original dos sons. Com o ReCycle, cada
toque da bateria vira um arquivinho em separado, chamado
um slice. Esses arquivinhos com o bumbo, a caixa
e o contratempo são acionados por diversas notas num
seqüenciador. Um arquivo MIDI chega a ser gerado, e os
slices podem ser exportados para outros samplers.
Podemos até mesmo mudar a ordem dos sons, criar viradas
e outras levadas com os mesmo timbres do loop original
e, é claro, tocar em qualquer andamento sem nenhuma
alteração na qualidade sonora.
O Dr. Rex vem com um bom acervo de loops de bateria de
diversos gêneros, que podem ser executados no andamento
que preferirmos. Selecionamos um loop, o abrimos e o
enviamos para o seqüenciador na quantidade de compassos
desejada. Se quisermos superpor dois ou mais loops,
basta abrir vários Dr. Rex.

Outra boa opção para a base rítmica é a bateria Redrum.
Ela aceita dez arquivos .wav ou .aif com o bumbo, a
caixa e as demais peças. Contém um seqüenciador de
padrões rítmicos fácil de operar, mas pode ser
manipulada pelo seqüenciador principal do Reason ou ser
tocada remotamente por MIDI ou outro seqüenciador
sincronizado por ReWire.

Os timbres dos instrumentos de harmonia, melodia ou de
colorido são produzidos por dois samplers, o NN-19 e o
NN-XT, e dois sintetizadores, Malström e
Subtractor,
também acessíveis no menu <Create...>. Todos são racks
conectados aos canais da mesa. E todos vêm com coleções
de programas ou patches de instrumentos
variados. Enquanto o NN-19 é um sampler rápido, fácil de
operar e com todos os recursos essenciais, o NN-XT é um
sampler muito avançado com detalhadas opções de
programação, para todas as necessidades de sound design
ou para emular instrumentos. O Subtractor é um
sintetizador de estilo analógico setentista baseado na
síntese subtrativa com filtros ressonantes, uma técnica
bem tradicional. Já o Malström é um sintetizador mais
para revolucionário, introduzindo a técnica chamada de
Graintable, uma combinação das sínteses
granular e wavetable para produção de sons bem mais
originais.

Seqüenciando o arranjo.
Trabalhar com o Reason é sempre instigante. O
seqüenciador é bastante completo, muito intuitivo e
inteligente. A cada recurso usado, como pitch bender
ou modulation, surge uma janela com o gráfico
correspondente. O programa interage com um
gravador/seqüenciador como o Sonar através da tecnologia
ReWire, que sincroniza totalmente os dois programas,
permitindo, por exemplo, gravar a voz num e sequenciar o
arranjo no outro. Ao final, é só exportarmos toda a
mixagem para um arquivo .wav e podemos queimar o CD.

Conclusões. Quando estamos operando o Reason, a todo
instante exclamamos: “lógico!”, “é claro!”, tem razão!”
O nome do programa também foi uma escolha feliz. Esqueça
toda a fiarada, os manuais em japonês e, principalmente,
o alto custo de uma coleção de samplers e
sintetizadores. O estúdio MIDI foi inteirinho para
dentro do computador. E o seu nome é Reason. Num estilo
retrô, ele trouxe novos ares para renovar o já
tradicional cenário dos estúdios MIDI.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2003
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