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Tudo ao mesmo tempo agora: Sonic Foundry Batch Converter

Sérgio Izecksohn

Se você precisa editar um monte de arquivos de áudio, seja para converter formatos, para restaurar gravações antigas ou mesmo para preparar muitas pistas gravadas para uma mixagem, aqui está a melhor maneira de ganhar uma enormidade de tempo. O programa Batch Converter, da Sonic Foundry, realiza todas essas rotinas enquanto você, segundo o manual, vai dar uma volta por aí. Economize tempo processando múltiplos arquivos de uma vez, salvando horas de edição, sem precisar realizar os mesmos procedimentos vezes e mais vezes seguidas.

No Batch Converter, simplesmente criamos uma seqüência de processamentos, os scripts, que são um roteiro com os procedimentos de edição através de plug-ins, tais como limpeza de ruídos ou conversão de formatos de arquivos e de taxas de bits. Então, aplicamos toda a seqüência sobre centenas ou milhares de arquivos de uma vez. Esses roteiros podem ser salvos e depois reutilizados, acelerando as etapas mais rotineiras do processamento do áudio até níveis industriais.



Converta arquivos de mais de 20 formatos de áudio e vídeo, como MP3, WMA e RM. Aplique qualquer combinação de efeitos, processadores e plug-ins DirectX. Converta diretórios inteiros de uma vez. Mude taxas de amostragem e de bits dos arquivos de áudio e vídeo. Adicione informações como a ficha técnica aos seus arquivos. Acompanhe a evolução dos sucessivos processamentos (ou vá dar um passeio) e salve o seu roteiro para uso futuro. Você também pode rodar várias cópias do programa ao mesmo tempo, realizando processamentos diferentes em arquivos diferentes.

Um exemplo típico da utilidade dessa ferramenta ocorre durante a restauração de discos de vinil. Muitos restauradores recebem pedidos para recuperar coleções de vinis com centenas ou milhares de títulos, passando seu conteúdo para CDs de áudio ou arquivos MP3, entre outras formas de armazenamento. Levando em conta que cada disco tem lá suas dez, doze músicas, podemos calcular o número total de canções. E se um restaurador for cobrar o preço que o mercado pede para “passar vinil para CD”, vai receber uns dois reais por música. Para que sua restauração de um-e-noventa-e-nove tenha qualidade sem levar o restaurador a pagar para trabalhar até hipotecar a casa e o estúdio, só com algum tipo de produção em série.

Cada uma das músicas do vinil será gravada no computador através da placa de som, depois editada e finalmente masterizada junto às suas irmãs num CD ou convertida para um certo formato de arquivo de áudio. É durante a edição do arquivo que limpamos chiados e estalos, normalizamos os volumes e, eventualmente, comprimimos a dinâmica e equalizamos os timbres. É o momento de recuperar e melhorar os sons ao máximo. Embora existam diversas técnicas e estilos, um restaurador com tamanha quantidade de trabalho pode se ver na necessidade de padronizar alguns procedimentos.

Podemos criar presets, ajustes pré-programados, nos plug-ins que queremos usar na seqüência. Por exemplo, usando um editor como o Sound Forge com um pequeno trecho de um disco de vinil que contenha um chiado que seja bastante comum, típico dos demais vinis, podemos criar um preset no plug-in Noise Reduction e batizá-lo de “vinil”. Este será o ajuste-padrão do Noise Reduction para reduzir os chiados de todos os discos na seqüência de restauração que vamos criar no Batch Converter. Criamos outros presets nos diversos plug-ins que pretendemos usar, para agilizar ainda mais o processo. Se preferirmos, no entanto, podemos regular cada parâmetro de cada plug-in na hora de montar o script do Batch Converter.



Em seguida, abrimos o Batch Converter, escolhemos os arquivos que serão processados, indicamos o endereço da pasta onde o Batch Converter vai salvar todos os arquivos logo após processá-los e escolhemos os plug-ins, suas regulagens ou seus presets, sua seqüência e o formato em que os arquivos serão salvos. Finalmente, clicamos no botão <Convert files> e pronto! Depois do seu passeio, que o manual e o marketing da Sonic Foundry fazem questão de recomendar (na versão antiga, da época dos lentos HDs pré-ATA, o manual dizia: “vá ao cinema”), os arquivos encontrar-se-ão na nova pasta, já editados e salvos. Bem, depois ainda tem que fazer os CDs, mas nem tudo é perfeito. Até porque já economizamos toda a parte mais demorada, a edição.

Operando o Batch Converter. A versão 5.0 roda em Windows 98SE, Me, 2000 e XP, em qualquer Pentium 200. O programa tem duas telas, acessíveis com um clique numa das duas abas embaixo à esquerda. Na primeira, chamada <Script>, definimos o roteiro de procedimentos. Na segunda tela, <Files to Convert>, teremos a lista com os arquivos que serão processados. Escolhemos os arquivos clicando no alto à esquerda em <Add Media> e navegando pelos diretórios. A lista com os arquivos de áudio e seu atributos aparece na tela <Files to Convert>.

Passamos, então, à janela <Script>. Esta tela se divide em três seções: <Audio Processing>, <Output File Settings> e <Metadata>. Na primeira, escolhemos e ajustamos os plug-ins que vão processar o áudio. Encadeamos os plug-ins em série, no mesmo conceito de encadeamento ou “pedaleira de guitarra” que aparece nos demais programas da Sonic Foundry. Para criar a seqüência, clicamos em <Edit Plug-In Chain>, abrindo a janela <Plug-In Chooser>, que parece um Windows Explorer só de plug-ins. Todos os plug-ins DirectX de processamento de áudio instalados no computador vão aparecer em ordem alfabética. Estes plug-ins podem ser organizados em novas pastas dentro desta mesma janela. Clicamos em cada plug-in desejado e no botão <Add> para acrescentar os processadores. Clicando em <OK>, a janela <Plug-In Chooser> se fecha e os plug-ins entram numa lista na janela principal. Podemos excluir cada um, trocar sua posição na seqüência e ajustar os seus parâmetros. Para isto, clicamos no nome do plug-in e depois em <Plug-In Properties>, o que abre o próprio plug-in. Ajustamos os seus parâmetros ou escolhemos um preset e clicamos em <OK>. Aparecem na tela os nomes dos presets escolhidos dos plug-ins utilizados.

A seção <Output File Settings> permite escolhermos onde e como o Batch Converter vai salvar todos os arquivos que ele vai processar ou converter. No item <File folder>, clicamos em <Save all files in:> e em <Browse...> para escolher ou criar o diretório onde os arquivos serão salvos. Ele pode se chamar “MP3” ou “Músicas”, por exemplo. Em <File format:> escolha a opção <Convert to:> e escolha o formato de áudio, como Wave ou MP3 e os seus atributos, clicando em <Template> ou em <Custom>. Os formatos disponíveis são:
AIF/SND (Macintosh AIFF), AU/SND da NeXT/Sun (Java), AVI (Microsoft Video for Windows),  DIG/SD (Sound Designer 1), IVC (Intervoice), MOV (Apple QuickTime Movie), MP3 (MPEG-1 Layer 3 de áudio), MPG (MPEG-1 ou MPEG-2 Video), ambos requerendo o plug-in de MP3 da Sonic Foundry,
OGG (Ogg Vorbis), PCA (Sonic Foundry Perfect Clarity Audio), RA (RealNetworks RealAudio 8.0) e RM (RealNetworks RealVideo 8.0), ambos só para a função salvar, SFA (Sonic Foundry Audio), W64 (Sonic Foundry Wave 64), WAV (Microsoft Wave), WMA (Microsoft Windows Media Audio Format) e WMV (Microsoft Windows Media Video).

Se pretendemos masterizar um CD, escolhemos WAV Stereo, 44,100 Hz, 16 bit PCM, que é o formato utilizado pelos gravadores de CDs de áudio.

A seção <Metadata> contém a ficha técnica com informações como artista, ano, gênero ou copyright que podem ser adicionadas aos arquivos, para serem lidos nos players de MP3, por exemplo.

O roteiro ou script que acabamos de criar pode ser útil em outros momentos. Para não termos que cria-lo novamente, salvamos o script, clicando em <File> e em <Save Script As> e depois dando-lhe um nome.

Por fim, clicamos em <Convert Files> e, se quisermos, podemos acompanhar o status das conversões e do processamento de cada arquivo através da janela
<Files to Convert>, observando a coluna <Status>. Se bem que o próprio marketing da companhia nos convide para dar uma voltinha por aí (“walk away”, propõem) enquanto o Batch Converter trabalha por nós. Quanto mais rápido for o hard disk, menor deve ser o tempo de espera. Talvez dê para um cafezinho. Antigamente, dava para assistir a duas ou três sessões de cinema.

Não se esqueça de ouvir todos os arquivos antes de finalizar o trabalho.

Mesmo que a gente não precise mais ir ao cinema durante as conversões, aproveite e divirta-se: você nunca mais tinha tido tanto tempo livre, não é mesmo?


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 2003