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Tesouros
escondidos
Sérgio Izecksohn
Os
arquivos “CAL” permanecem, há anos, discretamente
guardados dentro do Cakewalk Pro Audio ou SONAR, mas poucos
conhecem a sua riqueza e o seu poder. Conheça, aqui, o mapa
dos tesouros.
Existem
algumas ferramentas formidáveis, mas pouco conhecidas, nos
seqüenciadores MIDI da família Cakewalk, o Pro Audio e o
SONAR. Algumas delas estão nos arquivos “CAL”,
iniciais de Cakewalk Advanced Language. Esta
linguagem ‘de macros’ exige alto conhecimento de
programação, ou seja, é inacessível aos pobres mortais
como nós. Porém, alguns arquivos programados na linguagem
CAL, incluídos em todas as versões desses programas, são
facílimos de usar e podem resolver problemas muito sérios.
Especialmente dois desses arquivos, chamados “Split
Channel to Tracks.cal” e “Split Note to Tracks.cal”,
são verdadeiros tesouros para um arranjador.
Os arquivos CAL são acessíveis, no SONAR, pelo menu Process...
na opção Run CAL... buscando, se for preciso, a
pasta "Sample Content". No velho Pro Audio, o menu
é Edit... e o resto do caminho é o mesmo, mas a
pasta se chama "Cakewalk". Quase todos os arquivos
CAL ali encontrados são de utilidade discutível, como
macros para montar acordes a partir de uma nota. Porém, os
dois arquivos “splits” citados são muito úteis
para todos os usuários.

Separando canais MIDI. O primeiro arquivo se chama “Split
Channel to Tracks.cal” e serve para separar canais
MIDI em diferentes pistas. Às vezes, um arquivo MIDI, como
uma música seqüenciada baixada da internet, vem com uma única
pista que contém todos os canais MIDI utilizados, do piano
à bateria. Embora cada evento MIDI (notas etc.) esteja
associado a um canal, todos vêm guardados na mesma pista.
Como fazer para editar o baixo ou o piano, separados uns dos
outros?
O procedimento consiste em recortar todos os eventos
relativos ao canal 1 e colá-los em outra pista, depois
recortar todos os eventos do canal 2 e colá-los noutra
pista e assim por diante, até termos tantas pistas quanto
canais MIDI utilizados naquele arranjo musical. Daí pra
frente, teremos a pista do piano, a pista do baixo, a pista
da bateria e as outras, já que cada canal ganhou sua própria
pista, em vez de uma pista única com as notas de todos os
canais.
Para não termos que recortar as notas e outros eventos de
cada canal MIDI e colá-los nas pistas subseqüentes, a
Cakewalk criou este arquivo, que realiza todas as tarefas
por nós. “Split channel to tracks” significa
“separar os canais pelas pistas”. Ele é realmente muito
fácil de operar. Com uma música aberta que contenha numa
mesma pista vários canais MIDI, primeiro nós selecionamos
a pista. Em seguida, clicamos em “Process...” ou
“Edit...”, de acordo com a versão, e depois “Run
CAL...” e seguimos o caminho citado acima.
Selecionamos o arquivo “Split Channel to Tracks.cal”
e clicamos em “Abrir”. O programa pergunta qual será a
primeira pista de destino, aquela onde ele vai acondicionar
as notas e outros eventos do primeiro canal MIDI utilizado
no arranjo. Escolha o número da pista e clique em OK.
Aguarde alguns instantes e o programa criará as novas
pistas, cada uma com o conteúdo associado a um diferente
canal MIDI. É a nossa vez de brincar à vontade com cada
pista em separado, mudar timbres, oitavas e copiar pistas ou
trechos delas para aproveitar nesse e em outros arranjos.
Separando as notas pelas pistas. Antes de apresentar o
arquivo “Split Note to Tracks.cal”, é preciso um
esclarecimento. A Música também tem sua teoria e suas
convenções. Uma delas reza que a nota DO3 é o DO central
do teclado do piano. Fica, então, estabelecido que o
primeiro DO de um teclado de cinco oitavas é o DO1, como
sempre se convencionou. Por exemplo, em diversos padrões de
bateria MIDI a nota DO1 aciona o bumbo, RE1 aciona a caixa e
FA#1 toca o contratempo fechado. (É verdade que a Roland
fala em DO2, RE2 e FA#2, respectivamente, mas a Cakewalk,
por incrível que pareça, chama essas mesmas notas de DO3,
RE3 e FA#3, e essa espantosa divergência entre as duas
empresas só prova que ambas estão erradas!). Não importa
que a Cakewalk chame o DO central de DO5, aqui para nós ele
será sempre o DO3. Como tem sido chamado pelos músicos há
séculos!
Uma única pista seqüenciada de bateria pode conter muitos
"instrumentos" diferentes. Cada um desses
instrumentos é acionado por uma diferente nota MIDI. Muitas
vezes precisamos editar cada instrumento em separado, para
dosar sua dinâmica através do controle de velocity
ou para endereçá-lo para outras portas ou canais MIDI,
entre outros procedimentos. Com vários tambores tocados ao
mesmo tempo numa mesma pista, fica difícil executar essas ações.
O ideal é ter um instrumento registrado em cada pista.
Para separar as peças da bateria, pista por pista, depois
de seqüenciadas, teríamos que realizar uma verdadeira
operação de guerra. Confira: na pista da bateria, abrimos
a tela piano-roll, selecionamos todos os toques na
nota DO1 e os recortamos e colamos numa nova pista, endereçando-a
para uma porta e um canal MIDI. Esta seria, por exemplo, a
nova pista do bumbo. Voltamos à pista da bateria e
selecionamos todos os toques na nota DO#1 e os recortamos e
colamos numa terceira pista, endereçando-a também para uma
porta e um canal MIDI. Poderia ser a pista do aro da caixa.
Em seguida, voltamos à pista da bateria e selecionamos
todos os toques na nota RE1 e os recortamos e colamos numa
quarta pista, da caixa... Provavelmente, já teríamos
desistido, a esta altura.
O arquivo “Split Note to Tracks.cal” separa as
notas pelas pistas. Para cada nota MIDI utilizada, ele cria
uma pista. Na prática, cria uma pista para cada tambor,
prato ou outro instrumento de percussão, já que cada peça
da bateria é acionada por uma diferente nota.
Acione este arquivo chegando a ele pelo mesmo caminho citado
acima para os demais comandos “CAL”. Após selecionar
“Split Note to Tracks.cal”, clique em OK. Uma
janela se abre e pergunta qual a pista de origem. Indique o
número da pista da bateria e clique em OK. Outra janela
pergunta qual será a primeira pista de destino. Escolha o número
e dê OK. Responda quais serão as portas e os canais MIDI
das novas pistas de bateria. Clique em OK e aguarde. Em
instantes, aparecerão tantas pistas quantos tambores,
pratos e demais percussões que tenham sido usados no
arranjo.
Repare que o contratempo, também chamado de hihat ou
‘chimbal’, soa diferente quando tocado aberto, fechado
ou com o pedal. Usam-se três notas MIDI para representar
estes três principais timbres do contratempo. É comum o
uso do FA#1 para o contratempo fechado, do SOL#1 para o
pedal fechando o contratempo e do LA#1 para o contratempo
aberto. Neste caso, é natural que o “split” crie três
pistas para o contratempo. Se preferir, você pode fundi-las
novamente, arrastando o conteúdo de uma sobre a outra e
misturando os conteúdos. Ou trabalhar com as três pistas,
mesmo.
Renomeando as pistas. Uma vez separadas as pistas dos
diversos instrumentos, convém escrever seus nomes para não
desperdiçarmos tempo e atenção durante o trabalho. As
pistas criadas pelo comando “Split Note to Tracks.cal”
vêm com nomes como “Split Note C1”, “Split
Note F#4” etc. As criadas pelo arquivo “Split
Channel to Tracks.cal” são batizadas automaticamente
como “Split Chan 1”, “Split Chan 2” e
assim por diante. Escrevemos, na área denominada Name,
nomes como “Baixo”, “Piano”, “Bumbo”,
“Caixa”, “Crash” e “Contratempo aberto” em cada
uma das pistas para rápida identificação posterior de
cada uma delas.
Podemos separar pelas pistas as notas MIDI de todo tipo de
instrumento de percussão ou de qualquer programa de sampler
em que timbres diferentes ocupam notas diferentes.
Uma vez separadas as pistas, podemos agora editar cada uma
delas, escolher canais ou portas MIDI diferentes para
misturar peças de diferentes baterias, gravar o áudio de
cada peça numa pista separada, solando uma a uma das pistas
MIDI e gravando o seu áudio. Enfim, podemos editar e mixar,
um a um, os diversos instrumentos do arranjo, como num
grande estúdio.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2002
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