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UM
HERÓI NACIONAl
Sérgio
Izecksohn
O
Sound Forge, da Sonic Foundry, é o editor de áudio mais
usado do Windows. Está presente nos estúdios de gravação,
masterização e restauração, nas emissoras de rádio e
TV, nos laboratórios de acústica, perícia judicial e até
de zoologia. Foi através dele, por exemplo, que, em 2001, o
perito Ricardo Molina, da Unicamp, autenticou a fita que
incriminava o presidente do Senado no processo de fraude do
painel de votações. Enfim, o Sound Forge é um herói
nacional, mesmo nascido nos EUA. Nos estúdios, em especial
nos pequenos estúdios, mais que uma mão na roda, o Sound
Forge pode ser a própria tábua de salvação. É um
programa poderoso e acessível, compatível com qualquer
configuração de PC.

O Sound Forge inclui um conjunto muito abrangente de
processadores, ferramentas e efeitos para a gravação e
manipulação do áudio. Ele é perfeito para edição de áudio,
gravação, processamento de efeitos, restauração e
conversão de arquivos. A versão 6, lançada em 2002, traz
grandes e pequenas inovações, como a visualização de
cada sample (amostra) da onda sonora, edição não-destrutiva
dos arquivos e muito mais velocidade e precisão.
Desde
a versão 5, de 2001, o Sound Forge perdeu o plug-in CD
Architect, importante ferramenta de masterização.
O plug-in, que rodava nas versões 4 e 4.5 do Sound
Forge, trazia formidáveis recursos para a organização de
um CD de áudio. Foi substituído pela ferramenta Burn CD,
com muito menos recursos. Após cerca de um ano e meio
descontinuado, o CD Architect está sendo relançado em
novembro de 2002 pela Sonic Foundry, agora como um programa
à parte (versão 5.0) e não mais como um plug-in.
O Sound Forge interage com diversos programas de gravação
multipista, como SONAR e Vegas. Assim, podemos gravar num
outro software e editar cada pista no Sound Forge. Basta
selecionar um trecho do áudio a ser editado e clicar, por
exemplo, no menu Tools do SONAR e na opção Sound
Forge, que o programa se abre com o material
selecionado, como se fosse uma outra janela do SONAR. Feitas
as alterações, clicamos em Save e retornamos ao
SONAR, clicando em seu ícone da barra de tarefas do Windows
ou teclando Alt+Tab.
Formatos de arquivos. O Sound Forge é um poderoso
conversor de arquivos. Abre os formatos Wave, AIFF, MP3,
MPEG, CD Audio, AVI, Quick Time, Windows Media, SND e vários
outros. Salva todos eles e também Real Media. O conversor
de MP3 é desenvolvido pelos criadores do MP3, o laboratório
Fraunhoffer, o que garante a qualidade dos arquivos
convertidos por ele.
Gravando. Clicando no botão Record, abrimos a
janela de gravação. No botão New, escolhemos as
propriedades do arquivo (bits, taxa de amostragem, mono/estéreo).
Deixe habilitados os itens Monitor e DC adjust
e clique em Calibrate para ajustar o sinal da placa
de som. Escolha o modo de gravação na setinha junto à
indicação Mode: Automatic retake (automatically
rewind) permite gravar algo por cima do material que
acabamos de gravar, apagando-o; Multiple takes creating
Regions cria uma marca entre cada trecho gravado e é
perfeito para quando trabalhamos com vários trechos ao
mesmo tempo e queremos editá-los ora individualmente (com
um duplo clique na região a editar), ora coletivamente (com
um terceiro clique, que seleciona todo o material); Multiple
takes (no Regions) permite gravar vários trechos
seguidos, sem separá-los em regiões; Create a new
window for each take cria um novo arquivo, numa nova
janela, para cada trecho gravado; Punch-In (record a
specific length) grava somente num trecho pré
determinado, para emendas e correções.
Esses modos de gravação são adaptáveis às diferentes técnicas
de operação: um restaurador pode gravar as faixas de um
vinil em um só arquivo, separadas em regiões. Assim, ele
pode editar todo o disco de uma vez ou trabalhar em cada música,
clicando nas regiões ou em todo o arquivo. Depois, se
preferir, ele pode recortar cada região e criar um arquivo
para cada música. Uma alternativa é gravar cada faixa do
disco num diferente arquivo.
Recursos. Selecione um trecho para edição,
arrastando o mouse sobre ele. Se nada for selecionado, o
efeito recairá sobre todo o arquivo. Os processadores,
efeitos e ferramentas estão nos menus Process, Effects,
Tools e DX Favorites. São muitas dezenas de
recursos, que podem ser acrescidos de centenas de plug-ins.
Quase todos têm ajustes pré-programados, os presets,
que podem ser usados quando ainda não dominamos um recurso
ou quando queremos deixar nossos próprios ajustes salvos
para uso posterior.
No menu Process, a função Auto Trim/Crop permite
selecionar um trecho e eliminar o que não for selecionado. Bit-depth
Converter muda arquivos para 16 e para 8 bit. Channel
Converter transforma arquivos estéreo em mono e
vice-versa. DC Offset corrige arquivos com problemas
de DC, causados por certas placas de som que fazem com que a
onda sonora no arquivo oscile fora do eixo-base (-inf. dB),
podendo causar surpresas desagradáveis durante o
processamento. EQ oferece um equalizador gráfico com
10 bandas, um paramétrico e um paragráfico com quatro
bandas. Fade In produz uma variação crescente e
constante no volume de um trecho selecionado. Fade Out,
um volume decrescente. Fade Graphic permite desenhar
variações de volume ao longo do trecho selecionado. Insert
Silence insere um trecho de silêncio no início, no fim
do arquivo ou a partir da posição do cursor. Invert/Flip
é semelhante ao botão Phase das mesas de som,
invertendo a polaridade do arquivo para corrigir problemas
de defasagem. Mute abaixa ao mínimo o som do trecho
selecionado, sendo diferente da função Delete, que
corta o trecho selecionado, antecipando o trecho seguinte. Normalize
leva o volume do arquivo até um pico máximo pré-determinado.
Pan/Expand permite modificar o panorama estéreo do
arquivo. Resample muda a taxa de amostragem para
qualquer valor entre 2 e 192 kHz. Reverse faz o
arquivo tocar de trás para a frente. Smooth/Enhance
torna o arquivo mais "abafado" ou mais
"brilhante", mas a função Smooth é mais eficaz.
Ainda
no menu Process, Time Stretch é uma poderosa
ferramenta de compressão e expansão do tempo do arquivo,
mantendo o tom original. Vários modos de operação se
mostram mais ou menos adequados a cada situação, obrigando
a audição de várias opções até a escolha do melhor
resultado. Quanto maior for a alteração na duração do
material, mais deformado será o produto final, já que porções
das ondas sonoras estão sendo recortadas ou replicadas
durante a tarefa de mudar o tempo para não alterar o tom.
Por fim, o comando Volume é útil para reduzir a
amplitude do material sonoro quando pretendemos usar
equalizadores ou processadores de efeitos.
O
menu Effects inclui diversos processadores de efeitos
e de dinâmica: Accoustic Mirror cria modelos acústicos.
Dependendo da característica acústica aplicada, é capaz
de simular microfones e salas de concerto. Amplitude
Modulation cria vários tipos do efeito de tremolo.
Há também um bom Chorus, um Delay ou eco
simples e outro Multi-tap. Distortion tenta
simular uma distorção de guitarra. Dynamics abre
dois poderosos compressores, Graphic e Multi-band.
Envelope ajusta os níveis do ataque e do decaimento
dos sons. Flange/Wah-wah é um poderoso efeito, e
ainda inclui um bom Phaser. Gapper/Snipper
corta trechos do material numa dada freqüência e então o
Gapper insere porções de silêncio dando um efeito
"picotado" ou "ácido" usado em música
eletrônica ou o Snipper elimina esses trechos, num efeito
de "disparada" do som. Noise Gate é um
recurso simples, mas muito útil para a limpeza de ruídos e
vazamentos. Pitch Bend, como na alavanca dos
teclados, faz oscilar a afinação em movimentos definidos
pelo usuário, só que aqui desenhando em um gráfico as
variações da afinação no tempo. Pitch Shift muda
o tom de uma música, de um trecho ou de uma nota, sem
afetar a duração. Varia até 50 semitons para baixo ou
para cima, com precisão de milésimo de semitom. À maneira
do Process/Time Stretch, e por razões semelhantes,
tem vários modos de operação que devem ser ouvidos até a
escolha do mais adequado para cada caso. Há ainda um
eficiente Reverber, um Vibrato e o Wave
Hammer, bom e enxuto compressor, que vem acompanhado de
um limitador chamado Volume Maximizer, não
muito original para quem conhece o tradicional e popularíssimo
plug-in Waves L1 Ultramaximizer.
No menu Tools, encontra-se o (mau) substituto do
plug-in CD Architect. O comando Burn CD
permite inserir o arquivo como uma faixa do CD através do
botão Add Audio, que imediatamente grava o material
num CD-R previamente instalado na unidade gravadora. Após
abrirmos os arquivos e os adicionarmos ao CD, pressionamos o
botão Close Disc para concluir o processo de gravação.
Em nenhum momento podemos alterar a ordem das faixas, a
partir da adição da primeira faixa ao CD, o que torna a
ferramenta muito limitada. Auto Region cria regiões
automaticamente, acionado pelo ataque de um som, por
exemplo. Extract Region cria novos arquivos a partir
das regiões demarcadas. Essas regiões servem para marcar
as partes da música, como o refrão e o solo. O comando Find
permite localizar cliques e estalos nos arquivos de som,
para restauração. Repair inclui as ferramentas Interpolate
e Replace, fundamentais para restaurações de
gravações com estalos, cliques e arranhões. A função
Interpolate cria uma linha reta ligando o início ao fim da
seleção, sendo ideal para eliminar cliques bem curtos.
Replace substitui um pequeno trecho selecionado, como um scratch
ou um arranhão, por porções do material vizinho à seleção,
dando uma sensação de continuidade ao som.
Uma novidade muito bem vinda da nova versão é a organização
dos menus referentes aos plug-ins DirectX. O Sound Forge
aceita todos os plug-ins DirectX, desenvolvidos por inúmeros
fabricantes. Essas ferramentas, uma vez instaladas, passam a
fazer parte do já grande acervo de processadores e efeitos
que o programa oferece. Nas versões anteriores, a cada nova
coleção de plug-ins instalada no computador, o Sound Forge
ganhava um ou mais menus com os novos plug-ins listados em
ordem alfabética. Isto acabava deixando o Sound Forge com
uma infinidade de menus, às vezes com várias linhas deles,
confundindo a visualização e atrapalhando a própria edição
do áudio. Agora, o menu DX Favorites comporta todos
os plug-ins e os organiza por fabricante, para escolhermos
primeiro a marca e depois o modelo, num sub-menu.
Simplemente, instale o plug-in e depois reabra o Sound Forge
e clique em DX Favorites e, em seguida, em Recreate
by Plug-In Name. Logo abaixo, no mesmo menu, aparecerá
o nome da fábrica. Clicando ali, vemos ao lado a lista dos
plug-ins instalados.
Com o recurso Audio Plug-In Chainer, podemos ouvir e
ajustar vários plug-ins em cadeia, para que eles processem
simultaneamente os sons. Por exemplo, às vezes usamos um
compressor, mas ele reforça certas freqüências que não
desejaríamos. Que tal usar também um equalizador e um
analisador de espectro, todos ao mesmo tempo? Assim, podemos
comprimir a dinâmica, observar no analisador o
comportamento das faixas de freqüência e corrigir tudo no
equalizador, antes de dar o OK e modificar o arquivo. Como?
Simples. Clique em View e em Audio Plug-In Chainer
ou tecle Alt+9. Adicione os plug-ins à cadeia, clicando no
penúltimo botão do alto da janela (Add Plug-Ins to
chain), na ordem desejada. A cadeia com os processadores
vai se formando no alto da janela. Agora, clique no segundo
botão do alto (Preview) e ouça o arquivo. Clique no
nome do plug-in desejado e vá fazendo as alterações.
Assim, o resultado de todos os processamentos será efetuado
simultaneamente no arquivo, assim que clicarmos em Process
Selection, o terceiro botão do alto.
Conclusões. O Sound Forge é fácil de operar,
intuitivo, versátil e completo. Compensa em muito as limitações
dos recursos de edição de muitos programas de gravação
multipista, formando um belo par com muitos deles. Uma
ferramenta que não pode faltar em qualquer estúdio. Não só
por ter ajudado a desvendar o crime do senador, mas pelo que
vem proporcionando aos músicos e técnicos, em termos de
recursos, com seu baixo custo e compatibilidade com os PCs,
o programa merece ser classificado como herói.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2002
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