um
computador e uma placa
Sérgio
Izecksohn e Dicastro
Agora vai. Embora lançados há mais de um ano,
sintetizadores e samplers virtuais só agora se tornam acessíveis
para nossos estúdios.
O computador substituiu todos os
racks de teclado. Com programas como o GigaSampler (ou o
GigaStudio) e os instrumentos DXi, podemos emular os
samplers e os sintetizadores virtualmente, dentro do nosso
computador.
Para
produzirmos arranjos com a máxima qualidade sonora de
nossos instrumentos, até há pouco tempo, precisaríamos
investir milhares de dólares em samplers como Emulator ou
Akai e em baterias eletrônicas e sintetizadores diversos,
como os populares Roland e Korg.
Hoje conseguimos resultados bem
melhores, simplesmente com uma placa de som e alguns
programas. Funciona assim: instalamos uma placa de som em
nosso computador, um programa seqüenciador (de áudio e
MIDI) e um outro programa (ou plug in) que fará o papel de
um sintetizador ou de um sampler.
GigaSampler ou GigaStudio:
com a placa de som, o gigasampler e o seu seqüenciador já
instalados, você primeiro abre o gigasampler, e de dentro
dele, clicando em um ícone, você abre o seqüenciador.
Dessa maneira, o seqüenciador, internamente, toca o
GigaSampler, e o som sai pela placa de áudio.
A maior vantagem do GigaSampler, além
da economia de investimento e espaço, é que ele consegue
ser mais eficiente que a maioria dos samplers em rack. Ele não
depende da memória RAM, rodando os sons diretamente do HD.
Com isso, ele consegue tocar samples muito mais
complexos, que um modelo em rack não suportaria. A versão
GigaStudio 160 atinge 160 vozes de polifonia e conta com 64
canais MIDI, reverberador e efeitos de chorus e delay
independentes por canal.
Instrumentos DirectX. Assim
como o Gigasampler emula um sampler, os plug ins de
instrumentos DXi substituem os sintetizadores. Usar um
destes é ainda mais fácil. Basta clicar com o botão
direito do mouse em uma pista de áudio do SONAR, por
exemplo, para habilitá-lo. A partir de agora você pode
acessar esse rack virtual usando uma pista MIDI.
Cada instrumento que você instalar
é como se tivesse comprado um novo teclado. Todos os
sintetizadores dos seus sonhos, de hoje e de ontem, baterias
eletrônicas, teclados vintage, aquele órgão Hammond B3
igual ao do Keith Emerson.
Sintetizadores virtuais. Também
podemos usar os sintetizadores virtuais, que assim como o
GigaSampler, funcionam como programas à parte, e não plug
ins, igualmente acionados pelo seu seqüenciador, só que
muito mais poderosos.
Um sintetizador virtual fantástico
é o Reason. Ele é como se fosse um rack com vários
aparelhos interligados (mixer, efeitos, sintetizadores,
bateria eletrônica, seqüenciador), que são operados como
os aparelhos analógicos dos velhos tempos. Podemos até
olhar atrás do rack e ver os cabos balançando ao vento, e
ainda conectá-los da forma que quisermos.

A máquina. É
claro que, para essa usina de sons funcionar a contento, é
necessário um computador à altura. Um Pentium 4 de 2.0 GHz
com 1 gigabyte de memória RAM e um HD de uns 80
GB é uma boa configuração para o seu sistema funcionar
sem sobressaltos. Embora o seu preço ainda seja um tanto
salgado, em pouco tempo esta será uma máquina popular.
Existem muitas plataformas disponíveis.
Os seqüenciadores Cubase VST, Nuendo, Logic Audio, ProTools
e inúmeros instrumentos virtuais utilizam outras
tecnologias similares, sobre Windows ou Macintosh.
Auto-suficiência.
O mais importante disto tudo é que, com um investimento
absurdamente menor, ultrapassamos em muito os resultados
obtidos por equipamentos caríssimos adquiridos há muito
pouco tempo. Este é mais um grande passo rumo à
auto-suficiência dos músicos, produtores e estúdios,
tornando mais próxima a possibilidade do artista conseguir,
pelo menos, realizar o seu próprio trabalho.
Façamos uma comparação. Alguns
anos atrás, para se gravar um disco, era necessária uma
estrutura que custava umas mil vezes mais que hoje. Estúdios
gigantescos, fantásticos gravadores analógicos de fita de
duas polegadas custavam milhões, não existindo portanto a
menor possibilidade desse trabalho ser realizado sem ter uma
indústria poderosíssima que o bancasse. Somente quem caísse
nas graças dessa indústria tinha o privilégio de fazer o
seu disco. Agora, milhões de músicos no mundo inteiro têm,
no mínimo, o direito de exercer a sua arte e, a curto
prazo, condições de desenvolver seus produtos utilizando
apenas um computador e uma placa de som.
Para
saber mais:
|