|
QUEM
TEM MEDO DA NUMERAÇÃO DE CDs?
Sérgio Izecksohn
No fechamento desta edição, estava para ser votada pelo
Congresso Nacional a lei que obriga as gravadoras a
numerar os CDs, de autoria da deputada Tânia Soares (PC
do B-SE). O assunto levou os presidentes das filiais
tupiniquins das multinacionais do disco a amarrarem a
cara. O presidente da BMG e da Associação Brasileira de
Produtores de Discos (ABPD), Luiz Oscar Niemeyer diz,
segundo o jornal "O Globo", que "a
numeração de CDs, como diz o projeto da deputada, é
inviável. O que se pode fazer é criar um código de
barras para cada lote de discos, mas isso tem um custo que
será repassado para o consumidor".
Diversos
músicos, como Lobão, vêm se mobilizando pela
aprovação da lei, embora a grande imprensa praticamente
não tenha noticiado. Segundo ele, "as gravadoras
não são transparentes ao comunicar as vendas aos
artistas".
O
presidente da Som Livre, João Araújo, afirmou, ainda de
acordo com "O Globo": -
Só reclama quem não vende disco. Nunca vi Roberto Carlos
ou Caetano Veloso dizendo que foram roubados por suas
gravadoras. Aliás, se eles desconfiassem das companhias,
não permaneceriam nelas por 20 ou 30 anos, como estão.-
O pai de Cazuza esquece que o processo que o
"Rei" moveu contra a Sony Music no ano passado,
após 38 anos de casa, foi assunto em todos os jornais.
Lobão
lembra que artistas como Beth Carvalho, Marina Lima,
Marisa Monte, Roberta Miranda e Zeca Pagodinho, entre
outros, subscreveram o abaixo-assinado passado pelo
movimento pró-numeração: -
Todos têm histórias escabrosas das gravadoras. Eu mesmo
fiquei contratado por 20 anos e nunca deixei de
desconfiar. "Me chama", por exemplo, foi a
música mais tocada da década de 80, e a gravadora diz
que meu disco vendeu 23 mil cópias.
O
consultor jurídico da ABPD, João Carlos Muller Chaves,
prega que os CDs e cassetes virgens deveriam embutir uma
taxa "para os autores", como acontece, segundo
ele, nos EUA e Europa: -
A cópia doméstica, inevitável, geraria uma
compensação. -
sonha, como se os autores já não fossem espoliados de
outras taxas, como os direitos de execução pública e
outros.
Lobão
acrescenta: -
Para numerar meu disco o custo foi de R$0,01 por CD. Se as
gravadoras continuarem com essa margem de lucro de 3000%
na venda de discos, vão falir de vez".
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2002
|