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Arranjo e mixagem: Causa e efeito


Sérgio Izecksohn

Vários produtores começam uma mixagem "levantando todos os faders", ou seja, aumentando os volumes de todos os canais da mesa, para em seguida abaixar alguns instrumentos, aumentar algumas vozes, ajustando o que for possível em cada pista gravada para "ver no que vai dar". Este procedimento equivale a pintar um quadro jogando na tela todas as tintas do atelier de pintura, para depois retirar algumas cores com solventes ou raspar a tinta com uma espátula.

Na verdade, para realizar uma boa mixagem, temos que primeiro "desenhar" mentalmente a sonoridade final que queremos para nossa gravação, para só então usar todas as ferramentas do estúdio, visando chegar o mais próximo possível dessa sonoridade.

O responsável pela mixagem, seja ele um produtor, técnico, engenheiro, músico, não importa, tem que "ouvir" internamente o resultado de seu trabalho, tem que imaginar a sonoridade final e completa da música, antes de começar a virar os botões. Assim, ele tem as ferramentas de mixagem (mesa, equalizadores, compressores e efeitos) à sua disposição.

Mas quem tem a música na cabeça não é o arranjador? Quem realmente pode ter uma idéia mais precisa de como aquele monte de instrumentos e vozes gravados em separado soam juntos é o músico (ou os músicos), ou seja, quem concebeu a obra como um todo. Um operador de estúdio que está sendo apresentado hoje à sua música não é, provavelmente, a pessoa mais indicada para decidir a importância de cada parte, os diversos planos, as ambiências e a presença de cada som. A não ser que ele freqüente todos os ensaios da banda.


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 2002