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"Se
queres ser universal, canta tua aldeia"
Sérgio Izecksohn
A
concentração da produção fonográfica nas mãos de
algumas grandes gravadoras durante o século XX teve
como resultado mais nefasto o afunilamento de toda a
classe artística, chegando-se ao ponto de só serem
gravados três ou quatro gêneros musicais num país de
cultura tão plural como o Brasil. A produção
independente liberta o compositor, o instrumentista, o
intérprete e o técnico das amarras culturais a que nos
vêm submetendo. Repetir no home studio o padrão
cultural divulgado pela mídia tradicional, ou seja,
imitar o que faz sucesso, é o caminho mais rápido para
a banalização, para o subproduto. E o público sabe
rejeitar essas imitações.
O
mesmo cuidado com a qualidade sonora que nos leva a
estudar e investir no melhor equipamento possível deve
ser tomado em relação ao objeto cultural. A música
mais moderna que podemos fazer é aquela que conhece as
influências mais vanguardistas, mas têm o pé sólido
nas raízes culturais mais profundas de nossa gente. Foi
assim com Villa-Lobos, com Tom Jobim e com Djavan. Com
Stravinsky, os Beatles, o Led Zeppelin e todos os que
mudaram a história da música para melhor.
A
maior vantagem do home studio não é ser barato, é
permitir a experimentação permanente. Não podemos
fazer da música um mero produto padronizado como se
fosse um sabonete. Ela se banaliza e acaba por perder
sua função.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2002
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