QUE
PC COMPRAR?
Sérgio Izecksohn
O que você faria se um dia a sua máquina
tivesse um conflito de difícil solução em plena gravação
de um cliente no estúdio? Valeria a pena adiar o
trabalho por uns dias até você mesmo ou aquele seu
amigo resolver o problema, com risco de perder o
cliente? Ou seria o caso de chamar um técnico? Mas,
qual? Será que o da loja de informática da esquina vai
resolver?
Antigamente, os estúdios tinham um técnico de manutenção
permanente, que todo dia alinhava cabeças de gravação
e fazia outras brincadeirinhas essenciais. Com a
migração do equipamento para o computador, ou você se
torna o seu técnico de informática ou recorre ao
suporte de um que seja especializado em áudio e MIDI no
computador. Porque não basta dominar a informática,
mas conhecer os componentes de um computador de áudio e
suas questões de compatibilidade. Esse profissional é
um personagem fundamental nos novos estúdios, tanto na
hora de escolher as peças e montar a máquina quanto
para mantê-la funcionando sem grandes sustos.
Os computadores que resolvem nosso
problema não são os mais baratos. Uma boa notícia é
que também não precisam ser os mais caros. Muita gente
indica HDs SCSI, computadores Macintosh G4 e outras
belezocas divinas e muito caras para a maioria. São
ótimos para aqueles que os podem comprar. Mas os PCs
modernos podem nos trazer até mais felicidade que
muitos Macs, e são mais baratos. Os HDs IDE do tipo ATA
de várias marcas (Quantum, Western, Seagate) já estão
bem rápidos para gravar áudio e custam muito menos que
os SCSI. Sim, os tempos mudaram e as coisas andam. Hoje,
muitos PCs, bem utilizados, são capazes de não travar
nunca, o que, aliás, deveria ser a obrigação de
qualquer aparelho. Mas, por outro lado, não adianta
comprar aquele PC da oferta do jornal de informática.
Na hora em que você quiser gravar som a sério, é
grande a chance dele te deixar na mão. E o suporte
técnico da loja, então...
Com planejamento, tendo sempre em
mente que este computador que estamos montando é o
nosso estúdio, podemos ser muito felizes. Não podemos
esquecer que o item mais crítico é nossa placa de som.
Mesmo que alguns comecem com uma placa de multimídia,
compatível com máquinas mais simples, é fundamental
que esta máquina seja compatível também com suas
necessidades. E levar em conta as possibilidades de
expansão futuras, como a troca da placa de som por
outra mais sofisticada, mais voltada para um home
studio. E essas placas são mais exigentes quanto ao
hardware.
Por exemplo, as já populares e
poderosas interfaces das linhas M-Audio (Delta e
Audiophile) e Echo (Layla, Gina, Mia) gostam de
processadores Pentium e placas-mãe com chipset Intel.
Implicam com o chipset VIA e de outras marcas, comuns em
várias boas placas-mãe, como a ASUS, e brigam também
com certas placas de vídeo. Essas são informações
não somente disponíveis nos sites na internet dos
fabricantes, como também são resultados de testes que
realizamos e acompanhamos. Um chipset é um circuito
integrado que administra o funcionamento de uma
placa-mãe ou outra interface. Os diversos chips que
víamos nas velhas placas foram substituídos pelo
chipset, do inglês ‘conjunto de chips’. Existem
componentes que simplesmente não funcionam juntos. Para
usufruirmos da qualidade do som e dos recursos dessas
placas de áudio, temos que escolher bem as peças do
sistema.
Vejamos uma sugestão de uma
máquina poderosa, de custo razoavelmente acessível e,
principalmente, compatível com a maioria dos sistemas
de gravação. Como tudo na informática, essas
especificações têm prazo de validade de 15 minutos, a
partir de novembro de 2001:
- Processador Pentium III (quanto mais rápido,
mais plug-ins são usados simultaneamente nas
mixagens, embora um P-III 600 MHz já rode mais de
25 desses programinhas);
- Placa-mãe com chipset genuíno da Intel, de
preferência o 815, compatível com as placas de som
usadas em home studios. Esta escolha deve levar em
conta a placa de som escolhida;
- A velocidade dos hard disks determina a
quantidade de pistas a gravar e reproduzir, mas
ninguém precisa mais comprar SCSI. Os HDs IDE Ultra
ATA 100 e até os ATA 66 gravam bem mais de 50
pistas e custam cinco vezes menos. Agora, deixar de
comprar um HD de 30 ou 40 gigabytes para economizar
20 dólares num de 20 giga é contraproducente.
Atenção ao custo/benefício;
- A memória mínima para restaurações e
masterização é de 128 Mb, sendo que o dobro ou o
quádruplo são recomendáveis para gravação
multipista. Memória deve ser de boa marca (MT, NEC)
e ter os pentes absolutamente idênticos. Se
possível, use um pente só, de 128, 256 ou 512
megabytes. Aproveite, que os preços caíram;
- A placa de vídeo pode ter 8 megabytes. Não use
placa com chipset S3. Uma marca que não tem dado
conflitos é a ATI. Monitor, quanto maior, melhor. E
dois, melhores que um. No caso, com duas placas de
vídeo, e a segunda pode ter 4 mega;
- Gravador CD-RW compatível com seu programa de
masterização de CDs de áudio, como o CD Architect;
- Placas (interfaces) de áudio e MIDI, podendo ser
substituídas inicialmente por uma placa de
multimídia SoundBlaster Live ou Platinum;
É
claro que seu PC estará protegido por um estabilizador
e um filtro de linha. Se possível, entre na moda do
apagão e compre um no-break.
Não se esqueça de que estas são
necessidades de quem trabalha com áudio multipista,
incluindo gravação, edição, mixagem, conversão de
arquivos e masterização de CDs. Para escrever cartas,
fazer a contabilidade, navegar na internet ou mesmo
trabalhar só com MIDI, tudo fica mais fácil: quase
toda máquina, desde que funcione, serve. O problema
dessas máquinas mais populares com o áudio é que elas
nem sempre funcionam.
Estejamos atentos às peculiaridades da
informática musical, especialmente no que tange ao
áudio. A presença freqüente de um técnico de
informática com experiência em áudio e MIDI nos
nossos estúdios é essencial. O melhor é que, aos
poucos, cada um de nós venha a se tornar esse técnico.
É ele que não deixa nosso estúdio parar.
Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2001
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