PLACAS
DE SOM PARA TODOS
Sérgio Izecksohn
Hoje,
temos placas e interfaces de ótimo nível para todo
tipo de necessidade e orçamento. Seja para usuários de
mesas analógicas, digitais e até para os que têm
horror às mesas, a quantidade de recursos é variada
nos diversos modelos. Os preços caíram muito de uns
anos para cá e as opções se multiplicaram.
Para
escolhermos uma placa ou interface de áudio, temos que
considerar uma série de questões. Primeiro, o tipo de
conexão, seja analógica (com os respectivos
conversores AD nas entradas e DA nas saídas) ou
digital. Segundo, a presença do processador digital de
sinal, ou DSP, que divide as tarefas de processamento
com o computador. Nas placas com conexões analógicas,
temos que considerar também a qualidade dos conversores
AD e DA. A questão da compatibilidade tem que ser
levada em conta por dois aspectos: a versatilidade da
placa, ou seja, sua capacidade de trabalhar com diversos
programas, e a compatibilidade de seus drivers com as
demais peças do computador.

Placas
para mesas digitais. O estúdio que usa uma mesa
digital pode dispensar os conversores AD/DA da sua placa
de som. O áudio é convertido em digital ao entrar na
mesa e pode ser transmitido direto para o computador
através de um cabo digital. A conexão mais usada é a
do tipo ADAT ótica, ou lightpipe, que envia oito canais
por um cabo de fibra ótica. A mesa pode ter uma, duas
ou três dessas saídas, que mandam para fora oito, 16
ou 24 canais. De acordo com a quantidade de conexões
ADAT da mesa, escolhemos uma placa com a mesma
quantidade de entradas. Por exemplo, se você tem uma
mesa Yamaha 01/V, com uma saída ADAT, você pode usar a
placa Wavecenter, da Frontier. Além da entrada e da
saída ADAT, ele tem S/PDIF e duas portas MIDI. Já com
uma mesa Yamaha 02/R, se ela tiver 3 saídas ADAT, você
pode usar uma Wavecenter mais a sua Dakota, que tem mais
duas conexões ADAT de entrada e saída. Com as três
entradas e as três saídas, mandamos 24 canais de
áudio da mesa para a placa e os recebemos de volta.
Outra opção é a interface MOTU 2408, que tem as três
conexões ADAT e mais oito entradas e saídas
analógicas, além de três entradas e saídas TDIF,
formato concorrente do ADAT.
Placas
para mesas analógicas. Se a sua mesa é analógica,
as entradas e saídas de sua placa de som precisam de
bons conversores, que garantam a boa qualidade do som
digital. A quantidade de canais depende da necessidade
de cada estúdio, e deve ser decidida quando da escolha
da mesa e da placa. As duas estão intimamente
relacionadas. Seria um desperdício, por exemplo, optar
por uma mesa com oito saídas coletivas ou subgrupos e
uma placa com apenas duas ou quatro entradas.
Para
trabalhar com a mesa analógica, as opções são mais
variadas e dependem da maneira como operamos. Muitos
estúdios dispensam a gravação da bateria acústica,
optando pela programação MIDI ou pelo uso de loops de
bateria. Se este estúdio puder gravar os demais
instrumentos um a um, não precisará de um investimento
alto para se equipar. Uma placa com dois canais de
entrada costuma ser suficiente. Há placas com duas
entradas e duas saídas, de baixo custo e ótimo som,
como a Mia, da Echo, e a Audiophile, da M-Audio. Porém,
com essas placas, todo o processamento do som e a
mixagem são realizados através de software.

Uma
placa com mais canais de saída, mesmo que tenha apenas
duas entradas, dá mais agilidade e liberdade ao
estúdio. Se você grava um instrumento de cada vez, mas
monitora cada um por uma diferente saída da placa num
diferente canal da mesa, você pode rapidamente
equalizar na mesa analógica os canais de monitoração,
facilitando a gravação. Pode ainda mixar na mesa
externa, aproveitando recursos extra-computador. A placa
Gina 24, da Echo, tem duas entradas e oito saídas
balanceadas, além de uma conexão ADAT e uma S/PDIF,
que podem ser usadas quando você adquirir uma mesa
digital (ou um velho ADAT, só para converter os
canais). As placas Delta 66 e Delta 44, da M-Audio, com
suas quatro entradas e saídas analógicas também são
boas opções. A Delta 66 também tem uma conexão S/PDIF.
 Continuando
no terreno das mesas analógicas, quem vai gravar grupos
instrumentais ou vocais simultaneamente, ou ainda gravar
bateria acústica, precisará de uma ou duas interfaces
de oito canais. Com oito ou 16 canais, podemos registrar
as várias fontes sonoras em diversas pistas e mixar na
mesa ou no computador. Mesmo gravando um número maior
de pistas, podemos agrupa-las para que saiam pelos
diversos canais da interface. As placas mais usadas,
neste caso, são a Layla 24, da Echo (que também tem
ADAT ótica, S/PDIF, MIDI e Word Clock), a MOTU 2408,
já citada, e a Delta 1010, da M-Audio.
Sem
a mesa. Alguns estúdios optam por conectar os
microfones diretamente ao computador e realizar dentro
dele todo o trabalho de gravação, processamento e
mixagem. Para abdicar da mesa de som, precisamos de
pré-amplificadores de microfones, já que a maioria das
placas de som só têm entradas em nível de linha. Uma
interface que possui quatro pré-amplificadores e inclui
phantom power para alimentar microfones a condensador é
a Mona, da Echo. Ela tem conectores universais que
recebem plugues XLR (Canon) ou P10 (banana), seis
saídas XLR ou RCA e uma ligação ADAT ótica.

De
qualquer modo, se o estúdio também usa samplers e
sintetizadores MIDI, precisaremos de uma mesa ou mixer
para conecta-los e enviar seus sons para os monitores e
para o computador.
Praticando
com placas de multimídia. A grande maioria das
pessoas começa a gravar, hoje em dia, aproveitando uma
placa de multimídia, SoundBlaster ou compatível,
geralmente já presente no computador. Aqui, é
importante atentarmos para alguns detalhes. Essas são
placas feitas para jogos ou para monitorar arquivos MP3
e similares, isto é, são para uso doméstico. Seu uso
num ambiente de gravação traz algumas limitações.
Embora a linha “Live” das placas da Creative tenha
evoluído bastante em sonoridade, se comparada às
versões anteriores, encontramos certos problemas. A
entrada de microfone não merece atenção, por não ter
um pré-amplificador que mereça ser usado em
gravações. A entrada de linha, uma conexão estéreo,
usando plugues P2 na maioria dos modelos, pode ser usada
para uma prática preliminar de gravação. Mas, se o
usuário quiser usar os sons sintetizados da própria
placa, terá dificuldades em gravar o seu áudio, a fim
de envia-lo para um CD ou um arquivo de computador.
Afinal, este tipo de placa tem apenas o par estéreo de
canais de saída, por onde passam o áudio gravado e
também os sons MIDI gerados por ela. Já que estes sons
não vêm do HD, mas do sintetizador da própria placa,
ainda precisam ser gravados no computador, sob pena de
desaparecerem da mixagem final. Mas, ao serem gravados,
saindo e entrando na própria placa, não têm como ser
monitorados durante a gravação. Se mandarmos a saída
da placa para a sua entrada e quisermos ouvir como está
ficando o som, estaremos realimentando o sinal de
entrada com o sinal de saída. A solução é desligar
momentaneamente a saída de som “wave” nos controles
de volume do computador para gravarmos os sons dos
instrumentos MIDI sem monitora-los.
Leve
em conta todas estas questões antes de optar por sua
interface de áudio e faça uma boa escolha.

Sérgio
Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor-coordenador dos cursos
do Home Studio
Publicado
na Revista Backstage em 2001
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