A Escola | Cursos | Professores | Artigos | Links
 


Gravação e Edição no PC

XVII. Divulgação e Distribuição na Internet

Sérgio Izecksohn


Milhões de trabalhos de vendagem média ou pequena, que antes eram ignorados pelo mercado, agora já podem conhecer seus fãs. Produzidos por seus próprios criadores ou por quem eles convidarem a ajudar e divulgados de casa pro mundo. Ao mesmo tempo, todos num mesmo movimento e cada um solitário em seu estúdio e em sua trajetória musical.

Agora que nosso CD já está pronto, é hora de colocá-lo ao alcance de todos. E, para isto, nada melhor que a Internet. De nossas casas, confortavelmente, fazemos nossa música chegar aos quatro cantos da Terra. Sem intermediários nem burocracia (a não ser a operação de alguns programinhas, mas é para isso mesmo que estamos aqui, não?) e o melhor: até mesmo de graça.

E por que não tentar primeiro a cobertura e a segurança de uma gravadora? Bem, numa época em que até o rei Roberto Carlos monta um fantástico estúdio perto de casa e rompe um contrato de 38 anos com a Sony, fica a impressão de que ser independente pode ser mais promissor. A verdade é que milhões de artistas em todo o mundo estão partindo para a produção e divulgação independente, desde o surgimento dos arquivos de áudio para a Rede. Artistas novos, que se organizam em sites e comunidades de acordo com seus gêneros e estilos musicais, e artistas consagrados, como Prince, David Bowie e a banda Grateful Dead, cada um com sua estratégia. Só para dar uma idéia de sua popularidade, o termo MP3 aparece na ferramenta de busca Altavista (www.altavista.com) em 9.533.061 sites. Quase dez milhões de páginas sobre MP3 registradas somente em um portal.

Mas dá para vender esses arquivos ou os CDs pela Rede? Depende da estratégia. A maioria utiliza suas gravações exclusivamente para divulgar o trabalho e se fazer conhecer pelo seu público. Razões bem parecidas com aquelas que levam artistas iniciantes a aceitar termos constrangedores em contratos com grandes gravadoras: vai tocar no rádio, vai aparecer e viabilizar a venda de shows. Os artistas faturam mesmo é nos shows. E as gravadoras é que lucram com vendas de discos. Mesmo distribuindo as músicas de graça, já é lucro em comparação com o sistema tradicional: o fim dos intermediários (gravadoras, rádios, TVs) entre o artista e seu público, além de uma divulgação mais direcionada ao público-alvo. Já pensou? Vender o primeiro show de sua banda para um empresário da Bélgica? A Internet é assim mesmo. O primeiro site que sonorizei era de uma universidade japonesa.

Aqueles que pretendem vender seus CDs podem disponibilizar partes de músicas ou gravações com qualidade reduzida (e transferência mais rápida), só para dar o gostinho, e montar uma lojinha virtual num site, com pagamento via cartão ou boleto bancário e fornecimento pelo correio.

Formatos de arquivos.
O mesmo arquivo .wav que usamos na finalização de nossa música (e que foi convertido para o CD) será agora convertido para os formatos usados na Internet. Para uma transmissão rápida, quase imediata, o arquivo mais usado é o Real Audio (.ra ou .rm), que pode ser criado a partir do Sound Forge ou do Cakewalk. O Real Player, que toca os arquivos direto da rede, pode ser baixado de <www.real.com> e tem uma versão gratuita.

O arquivo mais badalado, claro, é o MP3, que, de tanto freqüentar os tribunais do Primeiro Mundo, tachado de todas as ilegalidades possíveis, ganhou uma aura de heroísmo que o transformou num padrão. O MP3 é um arquivo relativamente leve, de qualidade sonora comparável ao CD, que demanda alguns minutos de download.

Há muitos outros arquivos de áudio para a Internet, como Windows Media e MP4, sem o mesmo charme e a mesma base instalada que aqueles dois.

Taxas de transferência.
Há várias taxas de compressão de áudio, de acordo com o tipo de material gravado (estéreo, mono, música de Cd, vídeo, voz) e as velocidades das conexões à Internet de nossos ouvintes. Para uma música estéreo em MP3, a taxa mais usada é de 128 kbps (kilobits por segundo), em que o arquivo fica cerca de 11 vezes menor que o .wav e a diferença de qualidade é quase imperceptível. O RealAudio pode ter uma qualidade inferior, já que é feito para audições imediatas, como uma música no rádio, não para ser colecionado.

Conversores.
Abra o arquivo .wav no Sound Forge e salve-o como RealMedia (.rm). Este arquivo é executado no próprio RealPlayer, que pode funcionar como um plug in do Internet Explorer ou do Netscape ou independente dos browsers, tocando áudio e vídeo. O arquivo MP3 também pode ser criado da mesma maneira, salvando um .wav como .mp3 no Sound Forge. Para que o SF possa salvar como .mp3, temos que instalar um programinha chamado Sonic Foundry MP3 Encoder (Fraunhofer), que traz esta nova capacidade para o Sound Forge e o Acid. É só escolher <Salvar como...> e <MPEG Layer 3>, e, na caixa de diálogo que se abre, escolher a taxa de transferência e outras opções.

Há outros programas que convertem arquivos .wav para .MP3, como Audioactive, Audio Grabber, Audio Catalist, WinDac e muitos outros, vários deles bons e disponíveis na Rede gratuitamente. O mais respeitado é o Audioactive Production Studio (APS). O popular Music Match, que converte CDs direto para MP3, tem causado conflitos em muitas máquinas. Convém experimentar converter seu arquivo .wav para .mp3 (em 128 kbps) através de vários desses programas (salvando nomes diferentes, como “musica01.mp3”, “musica02.mp3”) para depois ouvir e comparar seus sons e o tempo gasto por cada um durante a compactação. Muitos programas tocam esses arquivos, inclusive o Media Player do Windows, nas últimas versões.

Envio dos arquivos.
Para tocar na rede, precisamos enviar os arquivos para sites de música ou mesmo criar nosso próprio site. Montar uma página é fácil e isto pode ser feito até no Word. Basta salvar como .html ou .htm. Muitos usam o Dreamweaver ou o Front Page para desenvolver sites com mais recursos. Se você não se sentir à vontade para mais esta tarefa, é fácil encontrar jovens e eficientes webmasters na saída de um colégio, dispostos a divulgar suas habilidades através do seu site.

A hospedagem pode ser contratada em qualquer provedor de acesso à Rede, ou mesmo gratuita. Verifique se seu provedor fornece hospedagem gratuita para os usuários. Existem ainda os hospedeiros gratuitos (em troca de propaganda no site), como o Geocities (www.geocities.com), o Xoom (www.xoom.com) e muitos outros.

Se quiser um domínio, que é um endereço do tipo “www.minhabanda.com.br”, você terá que pedir um registro na FAPESP, que é o órgão brasileiro que trata de registros de domínios, e pagar o registro e a anuidade. Seu domínio ficará apontado para o endereço em que você hospedou o site.

Para enviar os arquivos .htm (com as páginas do site), .mp3 (com as músicas) .gif (com ilustrações) e .jpg (com as fotos de sua banda), use um programa para fazer upload, como o FTP Explorer. Alguns sites de divulgação de músicas permitem o envio de MP3 anexados ao email.

Publicidade.
Divulgue seu site nas ferramentas de busca, como o Yahoo, o Cadê? e o Altavista. Procure conhecer sites de divulgação de músicas no seu estilo e envie suas músicas para eles. Troque links com outros sites que tenham alguma relação com o seu. Conheça seu público nas salas de bate-papo, no ICQ e no IRC. Mande suas músicas para eles. Não tenha medo de copiarem seus arquivos. Quanto mais divulgado for o trabalho, melhor. É mais barato que pagar pra tocar no rádio ou pra botar o seu CD na vitrine da loja.

Agora, se sua música tem tudo a ver com a parada de sucessos e você conseguir um bom contrato, com uma participação justa nos lucros, vá em frente e assine com uma gravadora. E tenha sempre um bom advogado.

Este é o último artigo da série “Gravação e Edição no PC”.


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 2001