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Gravação
e Edição no PC
XVI.
Masterização
Sérgio
Izecksohn
A
propalada “masterização” existe desde que se começou
a gravar discos há cerca de um século. O termo se
popularizou com a introdução do CD e dos recursos
digitais de edição do áudio. Masterizar quer dizer
“passar para a master”, a fita matriz que contém o
material finalizado. Então, se mixarmos um trabalho e
gravar o resultado numa fita cassete, estamos
masterizando em cassete. No mercado fonográfico, já se
usaram fitas de rolo, fitas PCM e DAT. Hoje, já podemos
masterizar direto para o CD.
A
própria edição do material mixado, antes de ser
transferido para um suporte físico, não é privilégio
da era do CD. Nos tempos analógicos, já se editava o
material mixado numa fita, transferindo o resultado para
outra fita. Só que usar um mouse é muito mais fácil
que remendar fitas com gilete e cola. Daí, desde que se
começou a gravar em computador, as técnicas de pré-masterização
(edição do material estéreo) se difundiram em larga
escala, alcançando boa parte dos home studios.
Não estamos, aqui, preocupados com remasters, maneira
encontrada pela indústria para vender um CD duas ou três
vezes para os mesmos consumidores. O que está em questão,
além das técnicas de acondicionamento das gravações
num suporte físico, no caso o CD, são os procedimentos
para recuperarmos a qualidade do material. Redução de
ruídos, equilíbrio dos timbres, ganho de volume e
outros recursos que encontramos nos mesmos programas que
temos usado aqui nesta série de artigos. Assim, quem
tem um estúdio de gravação no seu PC, tem,
automaticamente, um estúdio de masterização, desde
que o computador contenha um gravador CD-R ou CD-RW. E
nele podemos tanto melhorar o resultado de nossas próprias
gravações e mixagens quanto corrigir certos erros nas
mixagens vindas de outros estúdios.
Preliminares. No artigo anterior, finalizamos nossa
mixagem salvando a música no HD como um arquivo .wav.
Vamos agora abrir este arquivo no programa Sound Forge.
Se a música vem mixada de outro estúdio, temos que
transformá-la primeiro num arquivo .wav. Caso a gravação
esteja em DAT, vamos copiá-la para o Sound Forge. Ligue
as saídas estéreo analógicas ou digitais do DAT à
mesa ou diretamente à placa de som. Ponha o Sound Forge
para gravar acionando o botão com a bolinha vermelha
(Record). Na janela que se abre, monitore o nível,
regulando-o na mesa ou no programa que controla a sua
placa. O nível dos picos máximos deve chegar perto da
marca 0 dB (zero decibel), sem nunca ultrapassá-lo (clip),
sob pena de distorção no som. Se a música vem de
outro estúdio em CD, transforme-a num arquivo .wav por
meio de um programa que faça a extração do áudio do
CD para .wav. Este programa pode ser o Easy CD Creator,
da Adaptec, que vem com a maioria dos gravadores de CD.
Pré-masterização. A fase mais crítica do
processo é a da edição do material. Agora que nossa música
está num arquivo .wav, vamos abri-la no Sound Forge. O
primeiro passo é verificar o nível do ruído e, se
preciso, reduzí-lo. Na parte mais baixa da tela do
Sound Forge temos lentes verticais e horizontais para a
visualização do gráfico com as ondas sonoras.
Focalizando o início do arquivo, antes da música começar,
observamos o nível de ruído. Se for insignificante,
deixamos como está. Caso contrário, vamos voltar a
usar o plug in Noise Reduction, que já tínhamos
detalhado no artigo IV desta série e utilizado no
artigo XIV, sobre a edição das pistas gravadas. Aqui,
muito cuidado para que a redução do ruído não altere
os timbres de vozes e instrumentos ou desequilibre a
mixagem.
Agora, ouvimos com atenção para verificar se os
timbres estão bem equilibrados. Se for absolutamente
necessário corrigi-los, vamos apelar para um
equalizador ou um enhancer. Bons modelos de plug ins são
o equalizador paragráfico de 10 bandas Waves Q10 e o
enhancer DSP/FX Aural Activator. O enhancer (“melhorador”)
realça harmônicos abafados nas diversas etapas, como a
captação e a mixagem. Mas, cuidado: equalizador não
inventa freqüências que não existem, apenas reforça
ou atenua o que está gravado. Quanto mais alteramos o
equilíbrio entre as diversas freqüências graves, médias
e agudas, mais riscos corremos de deformar o trabalho.
Por isso, uma boa mixagem é fundamental. Faça o dever
de casa.
Outro ponto importante é a compressão dinâmica. Como
já vimos em outros artigos, a compressão traz o som
“mais pra frente”. Isto é, comprimimos os picos de
volume para podermos aumentar o volume médio. O plug in
Waves L1 Ultramaximizer é um limitador de picos ideal
para a situação. Reduzindo os picos excessivos no
material mixado (por exemplo, do bumbo e da caixa da
bateria), o limitador aumenta automaticamente os demais
sons, chegando a alterar os níveis relativos dos
instrumentos e vozes. Mais uma vez, cuidado: a ânsia de
aumentar os volumes não deve permitir que tornemos a música
“chapada”, sem profundidade. Esta compressão final,
de poucos decibéis, depende do gênero e estilo
musicais. Na música erudita e instrumental em geral,
usamos muito menos compressão do que, por exemplo, num
hip hop ou em música techno.
O próximo passo é cortar o início e o fim do arquivo.
O corte é fundamental para que cada música, no CD,
comece no início e termine no fim de sua faixa. Parece
redundante, mas nada é mais desagradável que um CD
demo com intermináveis segundos de espera entre as canções.
Cortar é simples: selecione, arrastando o mouse, os
trechos de silêncio no início e no fim do arquivo, e
aperte a tecla <Delete>. O problema são os
estalinhos que às vezes se ouvem nesses pontos de
corte. Resolvemos o problema selecionando um trecho bem
curto (de alguns milissegundos) logo antes da música
começar e clicando em <Process>, <Fade> e
<In>; e selecionando um trechinho bem ao fim da música
e clicando em <Process>, <Fade> e
<Out>. Nas músicas que terminam com um longo fade
out de vários compassos, é preferível “desenhar”
o decréscimo de volume em gráficos de edição do que
ficar arrastando manualmente o controle de volume master
de uma mesa de som.
Salvamos o arquivo .wav e passamos às próximas etapas.
Masterizando o CD. No Sound Forge, pelo menu Tools,
abrimos o plug in CD-Architect, que é um excelente
programa de montagem de CDs de áudio. Um verdadeiro
paraíso para masterizadores e discotecários, já que
seqüenciar canções é sua função. Uma vez detectado
o seu gravador CD-R, ele está pronto para nos ajudar a
materializar o sonho: fazer o CD.

O
CD-Architect
Embaixo à direita, um simulador de CD player permite
escutarmos as músicas e navegar por elas, como é feito
nos aparelhos de CD.
Adicione as músicas selecionando seus arquivos .wav na
ordem preferida. Clique em <File>, <Audio
pool>, <Add...> e busque nos diretórios o seu
arquivo. Numa faixa da tela, chamada Audio Pool, o
CD-Architect vai pondo os gráficos com áudio estéreo,
um após o outro. Ele também separa as músicas
automaticamente por dois segundos, o que pode ser
modificado entre cada duas músicas. Podemos arrastar
cada música mais para perto ou longe da anterior,
usando o mouse. Uma linha sobre cada canção é o
envelope de volume: permite alterar o volume de cada
uma, inclusive desenhando fades e alterações. Se esses
arquivos estão normalizados, não aumente nenhum volume
acima de zero dB, apenas abaixe, se precisar, tendo como
referência a música de volume mais alto.
Após a organização das músicas no CD vamos,
finalmente, “masterizar”. Coloque um CD virgem no
gravador de CDs. No CD-Architect, clique no botão com a
bolinha vermelha (Record), escolha o número de cópias,
a opção de só gravar o CD (teste só na primeira vez)
e a velocidade, que pode ser a máxima do seu gravador.
Após alguns minutos, o gravador se abrirá e o programa
deverá informar que o CD foi gravado com sucesso.
Pegue-o e ouça-o. Ame-o ou deixe-o, mas grave outros.
Para facilitar ainda mais a sua carreira de sucesso,
fecharemos esta série no próximo artigo, com a conversão
do arquivo .wav para .mp3 e sua divulgação e distribuição
pela Internet.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 2000
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