|
Gravação
e Edição no PC
XIV.
Edição das pistas gravadas com o Sound Forge e
plug-ins DirectX
Sérgio
Izecksohn
A
edição não-linear permite preparar para a mixagem
cada pista de áudio gravada num programa como o
Cakewalk. Preparar, aqui, significa reduzir ou eliminar
ruídos, comprimir a dinâmica, afinar vozes e alguns
instrumentos e definir melhor o timbre e o colorido dos
sons. O processamento de alguns efeitos, como o chorus,
pode ser realizado nesta fase, embora outros, como a
reverberação, necessitem ser ajustados quando estamos
ouvindo as demais pistas.
Embora o Cakewalk
disponha desses recursos, eles são melhor implementados
em programas de edição, como o Sound Forge. Por isso,
é preferível pegarmos cada pista gravada, uma a uma, e
levá-la para o Sound Forge, editando-a e voltando para
o Cakewalk para buscar outra pista até finalmente mixar
todas elas no próprio Cakewalk. Esse ziguezague ainda
é muito mais confortável do que editar todo o material
no Cakewalk.
Estamos usando o Cakewalk como exemplo de gravador de áudio
multipista e seqüenciador de sintetizadores MIDI. O
Sound Forge é nosso exemplo de editor. Contudo, essa
interação também é possível entre outros programas
gravadores, como o Vegas, Logic, Cubase, Samplitude, e
outros editores, como o WaveLab.
Quem vem acompanhando os artigos desta série viu que
gravamos uma canção em várias pistas de áudio (voz,
violão, guitarra, baixo, percussão) e outras MIDI
(bateria, piano, cordas, percussão). Podemos editar as
pistas de áudio com os recursos dos programas editores.
Se quisermos editar as pistas MIDI com esses recursos,
temos primeiro que gravar o som dos sintetizadores em
novas pistas de áudio, enviando os sons das saídas dos
instrumentos para as entradas da placa de áudio, seja
tudo de uma vez ou uma por uma.
No último artigo, já normalizamos os volumes de todas
as pistas. Vamos agora trabalhar com uma pista de cada
vez no Sound Forge. Poderemos utilizar seus recursos e
também os dos programas acessórios, os plug-ins, que
usam a tecnologia DirectX. Ela permite utilizar plug-ins
de marcas diversas em programas de quaisquer fabricantes
que a adotem. Como mexeremos numa pista por vez, não há
uma ordem pré-estabelecida das pistas a editar.
Trabalharemos, para exemplificar, principalmente com as
pistas do baixo e da voz. Os mesmos recursos podem ser
adotados na edição das demais pistas.
Transferindo uma pista do Cakewalk para o Sound Forge.
No Cakewalk, clicando na primeira coluna da janela <Track>
no número da pista onde gravamos o baixo, observamos
que a pista em questão foi selecionada, marcada com a
cor preta em toda a sua extensão. Acionamos, então, no
menu <Tools> a opção <Sound Forge> e
aguardamos. O programa se abre já com a pista do baixo
convertida num arquivo .wav temporário.

Ruídos. Uma pista limpa tem sons mais nítidos. Então,
comecemos limpando ruídos. Usaremos para isto dois
recursos, o Noise Reduction e o noise gate. O primeiro
é um plug-in feito para o S. Forge pela sua fábrica, a
Sonic Foundry. Foi detalhado no artigo IV desta série.
O segundo é um recurso do próprio programa, embora
possa aparecer na forma de diversos plug-ins DirectX de
quase todos os fabricantes. Qual é a vantagem de usá-los
juntos? O Noise Reduction, embora reduza
satisfatoriamente o ruído de fundo de todo o material
gravado, não elimina totalmente o ruído, até porque
quanto mais reduz o ruído mais pode deformar o timbre
original do instrumento ou da voz. Usado moderadamente,
o Noise Reduction passa a bola para o noise gate. Este só
tira ruídos dos momentos de silêncio, mas os elimina
completamente. Os momentos de pausa são onde os ruídos
mais se tornam perceptíveis. Resumindo, primeiro o NR
reduz o ruído geral, e depois o noise gate elimina ruídos
dos momentos de silêncio. Ajuste o limiar (threshold)
do gate para um volume maior que o ruído e menor que os
sons gravados.
Equalizando os timbres. Para podermos ajustar os
equalizadores, o ideal é fazer isso quando podemos
comparar os sons das diversas pistas. Então, é preferível
deixar a equalização para a mixagem. Em PCs mais
antigos e lentos, onde isto é difícil ou impossível
de realizar, temos que cuidar dos timbres na fase em que
estamos, a edição. Para isso, o Sound Forge tem um
equalizador gráfico, um paramétrico e um outro paragráfico.
Mas diversas fábricas têm no mercado plug-ins com
equalizadores excelentes. Evite exageros na equalização.
Os efeitos colaterais são terríveis. Como o volume da
pista foi normalizado, caso queiramos aumentar a
intensidade de algumas freqüências teremos primeiro
que abaixar esse volume, para evitar clips ou distorções.
Isto vale também para o uso de enhancers, exciters e
outros processadores de timbre, como o DSP-FX Aural
Activator e o Waves MaxxBass.
Compressão. Já livre de ruídos e com seu volume
normalizado pelo pico, podemos comprimir a dinâmica do
baixo. Isto vai torná-lo mais presente em todos os
momentos da música. Nos gêneros musicais que usam o
baixo mais pesado, podemos usar um limitador de picos
como o plug-in Waves L1 Ultramaximizer. Clicando em
<Real Time> e em <Preview> e movendo o botão
Threshold, ajustamos a compressão enquanto escutamos o
resultado, imediatamente. Em outros gêneros, com a dinâmica
do baixo mais variada, é preferível comprimir todos os
sons durante a mixagem. Se tiver que comprimir aqui e
agora, use o compressor do Sound Forge, sob os comandos
<Effect>, <Dynamics> e <Graphic>, ou
os plug-ins da Waves, Hyperprism ou outros.
Encerrando a edição de uma pista, podemos retornar
ao Cakewalk. Para isso, salvamos o arquivo (clicando em
<Save> sem nomear o arquivo) no Sound Forge e
“chamamos” o Cakewalk pelas teclas <Alt> +
<Tab>. Confirmamos que queremos efetivar as alterações,
ouvimos como está ficando o trabalho e salvamos o
material no Cakewalk. Podemos editar outra pista.
Afinando a voz. Selecionando a pista de voz no
Cakewalk e abrindo-a no Sound Forge, repetimos os
procedimentos anteriores. Limpamos os ruídos,
comprimimos, eventualmente equalizamos, mas podemos
fazer muito mais. Por exemplo, afinar a voz. Sim, aquele
cliente que veio gravar no seu estúdio encorajado pelos
vizinhos e parentes, finalmente canta como gente grande.
O plug-in Auto Tune, da Antares, não é mais privilégio
de animadoras de programas infantis quando resolvem
cantar. Está disponível, também na sua versão
DirectX. Abra-o, indique o tom (Key) e o modo (Scale -
maior, menor ou outro) da canção, ponha a pista da voz
para tocar clicando em Preview e vá movendo os botões
Retune e Tracking até que nosso candidato a Frank
Sinatra soe afinado e sem parecer um robô. Se a
harmonia da música modula, isto é, muda de tom, convém
editarmos por trechos, indicando cada tom na tela do
Auto Tune.
As notas mais desafinadas podem ser editadas em
separado, ou seja, nota por nota. Com o mouse,
selecionamos o trecho correspondente a uma nota
desafinada e abrimos, no menu <Effects>, a tela
<Pitch Shift>. Ajustamos quantos centésimos (ou
milésimos!) de semitom queremos subir ou descer e
escolhemos o modo (Mode) que soar mais agradável,
sempre ouvindo através do botão Preview.
As pistas da bateria. A nossa bateria do exemplo é
MIDI e, portanto, foi seqüenciada, sem direito aos
plug-ins de áudio, mas podemos gravar seus sons e editá-los.
Para isto, seqüenciamos a bateria em pistas separadas
por tambor ou prato. Para o Cakewalk tocar uma peça de
cada vez, acionamos o botão Solo na pista
correspondente, por exemplo, a do bumbo. Gravamos o som
do bumbo do teclado ou da bateria eletrônica numa nova
pista de áudio. Depois, “solamos” outra pista MIDI,
como a da caixa, e gravamos mais uma pista de áudio. Ao
final, temos novas pistas de áudio com a bateria toda
separada. Acionamos os botões Mute das pistas MIDI com
a bateria ou as apagamos e passamos a trabalhar com a
bateria gravada, com todos os recursos de edição que
abordamos acima.
Mixagem.
Terminada
a edição das pistas, podemos partir para a mixagem no
Cakewalk, mas este é o assunto de nosso próximo
artigo. Veremos a utilização da automação na mesa de
som do Cakewalk e o processamento das pistas em tempo
real.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 2000
|