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Gravação
e Edição no PC
XIII.
Edição das pistas de áudio
Sérgio
Izecksohn
Não
existe trabalho mais agradável em um estúdio que uma
mixagem fácil, com canais limpos e todos os sons sob
controle, sem sustos. Na fase da edição das pistas
gravadas, nós as deixamos em condições de serem
mixadas sem dificuldades.
Após termos gravado todas as pistas de um
projeto, assunto abordado nos últimos artigos desta série,
vamos começar a editá-las.
A maioria dos músicos
e técnicos de estúdio fala apenas em gravação e
mixagem quando se referem aos processos de armazenamento
dos sons. Contudo, uma etapa crítica costuma ser
omitida, a edição. Nela preparamos o áudio gravado
para ser mixado ou masterizado, usando inúmeros
recursos. O próprio termo masterizar se refere à edição
do material mixado em estéreo (pré-masterização),
antes de ser acondicionado em um CD. Antes restrita aos
poderosos estúdios das grandes gravadoras, a edição
digital traz agora ao universo Windows todas as suas
fantásticas ferramentas.
Muitos problemas enfrentados numa mixagem podem ser
evitados com uma boa edição das pistas gravadas.
Limpeza de ruídos, limitação e compressão de picos,
equalização e adição de efeitos são alguns dos
recursos à nossa disposição. Muitos deles também
podem ser utilizados durante a mixagem. Uma preparação
das pistas antes de serem mixadas, no entanto, alivia o
computador da sobrecarga de processamento quando lidamos
com muitas pistas e muitos recursos simultaneamente.
Há vários tipos de edição no computador. Temos edição
destrutiva e não-destrutiva, edição linear e não-linear.
Edição linear é o processamento em tempo real,
geralmente realizado durante a mixagem. Um processo
semelhante ao que ocorre quando temos uma fita
multipista sendo executada e processadores de efeitos
conectados à mesa agindo em tempo real. No PC, um
programa como o Cakewalk toca as pistas de áudio
gravadas no HD enquanto efeitos, compressores e
equalizadores em forma de programas acessórios (plug
ins) atuam simultaneamente sobre o áudio dessas pistas.
Isto força bastante a CPU, isto é, o processador
central (o Pentium ou similar), que tem que realizar
todas as funções ao mesmo tempo.Edição não-linear
é o objeto deste artigo. Ela não acontece em tempo
real, isto é, com a música tocando. Visualizando um gráfico
com as ondas sonoras (oscilograma) de uma pista gravada
no HD, selecionamos com o mouse e alguns atalhos de
teclado o que deve ser editado. Divide-se em dois tipos:
edição destrutiva e não-destrutiva.

Edição destrutiva, não-linear (acima), é o
procedimento com mais recursos. Seu nome se deve ao fato
de alterar definitivamente os arquivos gravados, pois
eles são salvos com as modificações. Enquanto o
programa e o arquivo estiverem abertos, sempre podemos
desfazer (Undo) qualquer comando, mas, uma vez fechados
e reabertos, não há como voltar ao original. A solução,
aqui, é salvar antes o mesmo arquivo original com outro
nome.

Edição não-destrutiva é a que podemos desfazer
quando um arquivo é reaberto. Por exemplo, os envelopes
de volume e de pan que acionamos com o botão direito do
mouse sobre um trecho de áudio na janela <Audio view>
do Cakewalk.
Na edição não-linear temos incontáveis recursos para
otimizar nossas pistas gravadas. Como esses recursos são
implementados um a um, o computador tem “tempo”
suficiente para realizar todas as operações com êxito.
Os programas de gravação, como o Cakewalk, contêm vários
recursos de edição não-linear. Porém, programas
específicos para edição, como o Sound Forge e o Wave
Lab, realizam estas funções com muito mais conforto
para o operador. Além disso, os programas de gravação
interagem com os de edição. Instalados os dois no
computador, observamos no menu <Tools> do Cakewalk
a opção <Sound Forge>. Selecionando um trecho ou
pista de áudio e clicando nesta opção, o Sound Forge
se abre com o trecho selecionado convertido num arquivo
.wav temporário. Depois de realizada a edição,
voltamos ao Cakewalk salvando no Sound Forge o arquivo
(<Save>, não <Save as...>) e teclando em
<ALT> + <TAB>. O Cakewalk pergunta se
aceitamos as modificações. Confirmando, a pista do
Cakewalk assume as modificações realizadas no Sound
Forge.
Alguns procedimentos dão mais certo durante a edição,
outros durante a mixagem. Por exemplo, eliminar ruídos
de uma pista ou afinar a voz de um cantor são típicos
da edição não-linear. Mas só temos certeza a
respeito de uma taxa de compressão ou da intensidade de
reverberação aplicada a uma pista quando a ouvimos e a
comparamos com as outras. Num computador mais atual e rápido,
podemos deixar alguns procedimentos para a mixagem. Em máquinas
um pouquinho só mais lentas, a diferença já é
grande: elas não suportam muitos efeitos atuando
simultaneamente em tempo real. Neste caso, podemos fazer
quase tudo na fase de edição, que não sobrecarrega o
processador (se bem que, com HDs lentos, haja paciência!)
e deixar a máquina mais leve na hora de mixar as
pistas.
Assim, preparemos as pistas de nosso projeto, cuja gravação
acompanhamos passo a passo nos últimos artigos desta série,
para chegarmos à mixagem com as pistas limpas, a dinâmica
bem controlada e os timbres valorizados.

No Cakewalk, abrimos nosso projeto e selecionamos todas
as pistas de áudio, clicando e arrastando o mouse sobre
os números da primeira coluna da janela <Track>.
O primeiro passo é normalizar as pistas. Isto significa
levar o volume máximo da pista a 0 dB (zero decibel), o
volume máximo no áudio digital. Com tudo selecionado,
clicamos no menu <Edit>, em <Audio> e em
<Normalize>.
Aguardamos o processamento e então passamos à edição
individual de cada pista, o que faremos no próximo
artigo.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 2000
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