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Gravação
e Edição no PC
XII.
Percussão no PC: encontro de milênios
Sérgio
Izecksohn
Uma
batucada hi-tech. Não deixa de ser curiosa a combinação
de instrumentos de percussão com o computador. A
primeira manifestação musical do homem, ainda na pré-história,
há de ter sido um batuque num tronco com um pedaço de
osso ou um pau. Mesmo os mais sofisticados e elegantes
instrumentos percussivos têm um aspecto um tanto
primitivo ou tribal. São tambores de diversos tamanhos
e materiais, chocalhos, sinos, guizos, carrilhões de
objetos variados, calimbas, berimbaus e outros ainda
mais originais ou extravagantes. Tudo isso, de frente
para o computador, mostra a força e a influência das
culturas através de diferentes milênios.
Mas o computador está
aí para isso mesmo. Armazenar e processar toda a
cultura da humanidade é a tarefa da informática. E,
aqui, nosso PC nada deixa a desejar.
Podemos gravar os instrumentos captando seus sons por
microfones e os enviando para o programa de gravação
através da mesa e da placa de som. Podemos também seqüenciar
percussões MIDI sampleadas ou sintetizadas. E podemos
ainda fazer as duas coisas.
Gravando o áudio. Usando um programa como o
Cakewalk Pro Audio 9, podemos usar diversas pistas (tracks)
para registrar os vários instrumentos. Isso ajuda muito
na captação, na edição e na mixagem. Em vez de
captarmos todos os instrumentos de uma vez, podemos
solicitar ao percussionista que toque um por um, sempre
que possível, nas diversas passagens da música.
Assim, podemos gravar uma pista para cada instrumento.
Se temos um par de congas (tumbadora), usamos dois
microfones, um para cada conga, e as gravamos em duas
pistas mono ou numa pista estéreo. Os microfones podem
ser dois Shure SM-57 ou outros dinâmicos de boa
resposta de médias freqüências. Ligamos os microfones
a dois canais de entrada da mesa e enviamos seus sons
para duas saídas, devidamente conectadas a duas
entradas da placa de som.
No Cakewalk, podemos selecionar duas pistas mono ou uma
pista estéreo. A opção permite escolher entre editar
e mixar as congas uma por uma ou as duas de uma vez.
Se escolhemos uma pista estéreo, temos que clicar duas
vezes na coluna <Source> da pista em questão para
abrir a janela <Track Properties>. Na opção <Source>,
escolhemos uma entrada estéreo da placa de som. Na opção
<Port>, escolhemos uma saída estéreo. As
respectivas saídas da placa devem estar conectadas de
volta à mesa, para monitorarmos a gravação.
Podemos gravar as duas congas do exemplo em duas pistas
mono, o que permitirá uma edição mais detalhada de
cada peça. É só configurar duas pistas, uma para cada
conga, e escolher na opção <Source> de cada
pista uma diferente entrada da placa. Por exemplo,
entrada Left (esquerda) para a primeira e Right
(direita) para a segunda. Endereçamos cada pista para
uma diferente saída. Ou melhor, no Cakewalk cada pista
vai para o mesmo par de saídas, mas podemos separá-las
ajustando diferentes valores na coluna <Pan>. Se
enviarmos o som de uma conga para a mesa pela saída
esquerda da placa (pan = 0) e o som da outra conga pela
saída direita (pan = 127), ainda podemos ajustar o
panorama estéreo dessas congas com os controles de pan
da mesa de som.
Configuradas as entradas e saídas da(s) pista(s) do
Cakewalk, acionamos o comando <Arm> (o quadrado
com a letra <R> fica vermelho) e passamos à
monitoração do nível (volume) de gravação. Abrimos
a mesa virtual clicando em <View> e
<Console>. As pistas adquirem a feição de canais
de uma mesa. Aqueles canais habilitados para gravar
mostram LEDs para monitorarmos o nível de entrada.
Ajustamos os níveis de entrada e saída na mesa de som
e, se for preciso, nos faders virtuais do <Console
View>. Depois de ajustarmos os níveis ideais, com os
picos de volume quase atingindo a marca de 0 dB, é só
acionar <Record>. Após terminarmos de conferir o
resultado, passamos à gravação de outras percussões.
Captação. Tambores, congas e bongôs devem ser
captados por microfones dinâmicos. O Shure SM-57 tem
boa resposta de médios e é usado de modo geral, mas
tambores mais graves podem precisar de microfones com
melhor resposta de baixas freqüências. Outros dinâmicos
muito usados são o Sennheiser MD-421, o Electro-Voice
RE-20 ou o AKG D-112, este mais para sons graves como de
um bumbo. Sons mais agudos como os de chocalhos e guizos
podem usar microfones com melhor resposta de altas freqüências.
De qualquer forma, os sons de maior pressão devem usar
microfones dinâmicos e os de mais baixa intensidade
podem usar microfones a condensador. O pequeno estúdio
usará um ou dois microfones dinâmicos para registrar
tudo.
Aponte sempre o microfone para a fonte de som do
instrumento, experimentando sempre várias posições em
busca do melhor som. Os tambores devem ser captados por
cima da pele, a poucos centímetros, com o microfone na
posição perpendicular ou um pouco inclinada em relação
à pele. Um berimbau tem o microfone apontado para o
corpo da cabaça, enquanto que o xequeré ou um carrilhão
merecem que experimentemos a melhor distância do
microfone para evitar que os seus sons fiquem chapados.
Captando as percussões uma por uma, teremos seus sons
muito melhor equilibrados na mixagem do que se gravássemos
tudo captando como num show ao vivo. E o percussionista
tem muito mais liberdade criativa, sem ter que ficar
pegando e largando instrumentos a todo instante. Os
computadores
mais
atuais já têm recursos para suportar muito mais pistas
de gravação que os velhos gravadores de fita. Se a
tecnologia não é mais o limite, aproveitemos.
MIDI. Também podemos usar instrumentos eletrônicos
para fazê-los soar como congas, bongôs, chocalhos e
carrilhões. Com um bom sintetizador ou, de preferência,
um sampler, podemos tocar esses sons num instrumento
MIDI controlador e seqüenciá-los no Cakewalk,
exatamente como fizemos com a bateria, alguns artigos
atrás. Cada nota do instrumento corresponde a um som de
percussão, tipo conga aguda ou grave, abertas ou
abafadas, agogô agudo e grave, chocalho curto e longo e
muitos outros.
Se gravamos alguns instrumentos e seqüenciamos outros,
unimos as possibilidades expressivas de um
percussionista a uma grande coleção de timbres dos
instrumentos MIDI.
No próximo artigo, vamos começar a editar as pistas
usando o Cakewalk, o Sound Forge e os plug ins DirectX.
Conheceremos os conceitos e usaremos os recursos da edição
não-linear destrutiva e não-destrutiva. Otimizando o
som de cada pista, teremos depois uma mixagem segura,
sem sobressaltos.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 2000
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