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Gravação
e Edição no PC
VI.
Uma produção, passo-a-passo
Sérgio
Izecksohn
Gravar um
projeto no computador traz uma infinidade de vantagens
em relação às velhas fitas, porém toda essa
versatilidade nos impõe um novo planejamento da produção.
Combinando pistas de áudio e MIDI podemos dispor de
todos os instrumentos e vozes de que precisamos para
nossas músicas, mas esta liberdade não pode se
traduzir em mera improvisação. Vamos, então, definir
os passos de nosso projeto para, nos próximos artigos,
conhecer os detalhes de sua execução.
Usemos
como exemplo uma canção pop com voz, vocais de apoio,
violão, guitarras, piano, baixo, bateria, percussão e
uma orquestra de cordas ao fundo.
No processo tradicional de gravação, isto seria uma
produção de bom tamanho. Num estúdio de grande porte
seriam acomodados os músicos da orquestra (20 a 30), os
músicos da banda e os cantores. Junto a eles, o
produtor, o arranjador, o operador e os assistentes.
Seriam usadas algumas dúzias de microfones através de
uma mesa de centenas de milhares de dólares e tudo
seria armazenado em um ou dois gravadores de rolo de 24
pistas. Este material então seria mixado em estéreo e
gravado num rolo de meia polegada. Mais tarde, esta fita
seria copiada no processo industrial, para a prensagem
dos discos numa fábrica.
Hoje esta é apenas uma opção, indiscutivelmente mais
sofisticada. Com um poder de fogo comparável, milhares
de estúdios caseiros chegam a resultados competitivos.
Combinando o seqüenciamento dos teclados MIDI soando
como as cordas, piano, bateria e outros com a gravação
do áudio das vozes, guitarras e percussão, o estúdio
híbrido é usado pelos mais iniciantes e os mais
profissionais. Seu custo pode chegar a menos de um por
cento do investimento em um estúdio de áudio de grande
porte.
E como vamos realizar a façanha de produzir a tal canção
do exemplo com um estúdio que mais parece um brinquedo?
Com uma mesinha de boa marca (8 ou mais canais), um
computador atual, uma placa de som para gravação de
duas ou quatro entradas e oito saídas, uma placa MIDI,
um bom sintetizador multitimbral e um ou dois
microfones.
Primeiro, vamos programar a bateria no seqüenciador do
PC, usando os sons de bateria do sintetizador. Para
isto, tocamos num teclado ou outro instrumento
controlador MIDI. Podemos ainda “tocar” com o mouse
na tela de edição piano-roll. Gravamos primeiro
um esqueleto, quase uma caricatura da música, mas com a
forma e o andamento definidos. Podemos também gravar o
som de um violão-guia ou seqüenciar um piano-guia,
para definir a harmonia, enquanto rodamos um loop (ou pattern),
que é um compasso de bateria que fica se repetindo.
Indispensável, também, é uma voz guia, que pode ser a
sua, a minha ou de qualquer um que conheça bem a letra
e a melodia da canção. A partir deste monstrengo é
que vamos começar a registrar os instrumentos e vozes a
sério.
Já temos um roteiro sonoro completo. Agora, é só
vestir a canção com os instrumentos e as vozes do
arranjo. Vamos gravar o som das vozes, do violão e da
guitarra, fáceis de captar e difíceis de seqüenciar.
O baixo pode ser gravado ou seqüenciado. E vamos seqüenciar
a bateria, o piano e a orquestra de cordas, que são
instrumentos de captação complexa, cara e que, bem seqüenciados,
podem soar muito bem em vários estilos musicais.
Feito o planejamento e o esqueleto inicial, o ideal é
começarmos programando a bateria. Assim, demarcamos as
partes da música. Depois, acrescentamos os instrumentos
de harmonia funcional, como piano, violão e guitarra. O
baixo, neste caso, pode ser feito após a gravação de
outro instrumento harmônico. Seqüenciar um baixo eletrônico
ou gravar o áudio do baixo elétrico depende do estilo
e da conveniência. Em seguida, gravamos a voz
principal, os vocais de apoio e, por fim, os solos e
efeitos de acabamento.
É natural que, num ambiente com toda essa liberdade, o
arranjador experimente à vontade novas idéias para o
arranjo. Qualquer pista gravada que não agrade pode ser
rapidamente apagada com a tecla delete. As
pistas-guia gravadas preliminarmente com a harmonia e a
voz vão sendo apagadas à medida que gravamos as versões
definitivas desses instrumentos e vozes.
A seguir, editamos todo esse material, tanto as pistas
de áudio quanto aquelas com a programação MIDI.
Assim, otimizamos as performances instrumentais e
vocais, dando um grande realce às interpretações.
Trabalhando geralmente num só programa, o produtor tem
ali todos os recursos de gravação e processamento do
áudio, bem como de seqüenciamento e edição dos
eventos MIDI.
A mixagem, em pleno ano dois mil, ainda é melhor
realizada numa mesa externa ao computador do que dentro
dele. Especialmente pelo fato de que não temos o áudio
gravado dos teclados MIDI: eles tocam ao vivo junto com
a gravação, sequüenciador e gravador perfeitamente
sincronizados num único programa. Trazemos à mesa as
saídas da placa de som e do sintetizador. Na mesa,
fazemos a mixagem, que vai ser gravada em estéreo no próprio
PC.
Passamos à etapa de pré-masterização, com o
acabamento final do material estéreo, e gravamos o(s)
CD(s) no próprio computador. Com a Internet, podemos
ainda divulgar e distribuir o disco. E tiramos quantas cópias
quisermos: não dá para piratearmos nossa própria música.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 2000
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