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Instrumentos
Controladores MIDI
"Não
uso seqüenciador porque não toco teclado!" Esta
é uma frase muito repetida pelos músicos que não
conhecem os controladores alternativos. Eles suprem as
necessidades de todo tipo de instrumentista.
Controlador
é o instrumento MIDI em que realmente tocamos, aquele
onde o músico executa a sua performance. Num
computador, conectamos a saída MIDI out do instrumento
à entrada MIDI in da interface. Tocando no controlador,
‘gravamos’ (seqüenciamos) a música pista por
pista, canal por canal. Essa música soa através dos
sintetizadores, samplers e demais instrumentos MIDI.
O
controlador pode ser mudo, para tocar sons de outros
aparelhos, ou pode gerar sons próprios. Um sintetizador
MIDI de teclado, por exemplo, funciona ao mesmo tempo
com as funções de controlador e módulo de som. Para
executar bem as duas funções, deve ser encarado como
se fossem duas partes distintas do estúdio: o
controlador e o módulo. Facilmente desligamos a função
Local (LOCAL OFF) no teclado e conectamos dois cabos
MIDI entre ele e o computador: out para in e in para
out. O teclado agora só emitirá sons quando assim
determinarmos no seqüenciador. Sem isso, ele fica mudo.
Esta configuração permite que usemos o teclado para
controlar (tocar) o som de outro instrumento, sem que
seu próprio som atrapalhe a execução.
O
teclado e o mouse não são os únicos meios de
registrarmos a música num seqüenciador. Para adaptar
melhor a técnica instrumental de cada um à transmissão
de dados musicais via MIDI, existem inúmeros tipos de
controladores alternativos, em forma de guitarras, violões,
baterias de muitos formatos, violinos, violas,
violoncelos, instrumentos de sopro, vibrafones etc. Fábricas
como Roland, Yamaha e Zeta produzem diversos modelos.
Além
do controlador de sua preferência, mesmo que não toque
teclado, convém ao músico dispor de um, para programar
as baterias e percussões, realizar certos encadeamentos
harmônicos e outras facilidades típicas desse tipo de
intrumento. Esse teclado pode ser mudo ou conter os sons
que serão seqüenciados, tocados através dele e do
controlador alternativo.
Cada
tipo de controlador tem suas próprias características.
As guitarras MIDI podem causar um certo atraso na
transmissão dos dados, devido à dificuldade de
reconhecer a afinação da nota executada. Enquanto um
teclado transmite a nota imediatamente ao tocarmos, já
que cada tecla tem um contato eletrônico, a guitarra
usa um conversor, que primeiro reconhece a freqüência
fundamental de cada nota tocada, para só então convertê-la
numa nota MIDI e transmiti-la a um sintetizador ou outro
aparelho. Este conversor tem que aguardar que se
complete um ciclo da onda sonora da corda da guitarra,
para identificar a nota tocada. Só que o dedo do
guitarrista, como de qualquer instrumentista de cordas,
não tem a exatidão de uma tecla, porque é comum que a
corda fique ligeiramente esticada quando é tocada. Então,
por exemplo, um Fa é mesmo um Fa ou é um Mi que foi
esticado pelo pitch bender? O conversor, muitas vezes,
precisa tomar decisões como esta, antes de fazer a
conversão do som para uma nota MIDI.
Ao
seqüenciar cada parte do arranjo numa guitarra
controladora, o músico pode compensar esses atrasos de
duas formas: quantizando ou adiantando o trecho. As duas
operações são muito fáceis. Para quantizar, marque o
trecho no seqüenciador e acione o comando <Quantize>,
escolhendo a resolução correspondente à menor figura
rítmica utilizada. Para antecipá-lo, marque o trecho e
arraste-o com o mouse um pouco para a esquerda. Na
maioria das vezes, dá certo.
Cada
controlador combina melhor com certos timbres, e pior
com outros. É melhor tocarmos bateria eletrônica por
meio de pads do que nas cordas de uma guitarra MIDI
(embora seja possível), mas os pads não nos permitem
tocar violino, e a guitarra, sim. O músico deve
escolher aquele controlador que melhor se adapta à sua
técnica instrumental, procurando manter também um
teclado.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1999
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