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Áudio
& MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
Parte IX: A edição dos eventos MIDI
Vamos
entrar no penúltimo ano do milênio. E é incrível
como, na era dos upgrades e updates, onde versões de
programas ficam obsoletas em três meses, a interface
MIDI, que já passou dos 15 anos, continua com cara de
criança. É verdade! Nesta década e meia o padrão se
manteve inalterado, com as mesmas características desde
o seu lançamento, embora para muitos ainda seja uma
grande novidade. E é. Afinal, editar tudo o que tocamos
num instrumento eletrônico, depois de gravado, até
hoje parece milagre.
O seqüenciador em software foi o maior
beneficiário da interface MIDI. Com uma evolução frenética
e incessante, os melhores modelos acabaram tendo que
abrir uma nova frente, ou ficariam muito parecidos. Já
não tendo muito para onde correr na disputada concorrência,
incluíram a gravação de áudio multipista. A briga
recomeçou, agora no terreno do áudio. A MIDI não
precisou ser atualizada, mesmo com seus 8 bits, por ter
previsto a capacidade de evolução dos instrumentos
eletrônicos, deixando espaço livre para os recursos
que foram surgindo.
Como o seqüenciador registra simples comandos musicais
ao longo do tempo, e não o som, é fácil editar todos
eles. Cada nota é adiantada, atrasada, excluída ou
incluída com poucos cliques no mouse. Um instrumento
pode ter seu timbre modificado depois de gravado, e
podemos variar o andamento sem mudar o tom. Tudo é
simples, com as telas de edição gráfica. Não importa
se você é um virtuose no seu instrumento ou se não
domina a técnica: o mouse e as telas de edição são
grandes ferramentas para todo arranjador.
Na tela principal de cada programa, vemos as pistas de
gravação e suas características, como canal MIDI,
programa (timbre) do instrumento, volume, mute, solo,
mais play, rec, stop, compasso, andamento, contadores e
marcadores de tempo. Podemos alterar todos eles a todo
instante, e também alterar trechos que marcamos com o
mouse. Uma edição minuciosa permite grande aperfeiçoamento
da performance original.
Marcamos um trecho arrastando o cursor do mouse sobre um
grupo de eventos. Copiar, cortar, colar, quantizar
(tornar os ritmos precisos), mudar durações e alturas
são alguns dos comandos do menu de edição.
Para ajustar cada evento, como uma nota, um controle ou
uma troca de timbres, usamos basicamente três telas. A
mais antiga (e a mais complicada de operar!) é a lista
de eventos: cada linha (como numa folha de caderno) contém
todas as informações de um evento. É onde fazemos
variar timbres e outros parâmetros mais gerais. Uma
nota ocupa duas linhas, note on e note off.
Para mexermos nas notas e controles, as telas da
partitura (staff) e do piano-roll permitem uma visualização
infinitamente melhor. Vemos a música enquanto a
ouvimos, seja no pentagrama ou num gráfico onde as
notas são traços. Herdeiro dos rolos de papel
perfurado das pianolas movidas a corda, o piano-roll é
uma maneira mais cartesiana de lermos a partitura. O
comprimento do traço é a duração da nota e sua
altura na tela é a própria altura musical ou o pitch.
Abaixo ou acima, outra tela mostra variações nos
controles MIDI na mesma hora em que vemos as notas no
piano-roll. Com o mouse desenhamos variações de volume
e pan, cortamos notas erradas, mudamos a afinação, a
duração, o momento do ataque ou a intensidade de cada
nota, editando glissandos, pedais de sustain e muitos
outros recursos. É o gráfico mais completo e preciso.
Na partitura, apesar da leitura mais direta (para os que
a lêem), editamos parâmetros das notas e alguns
outros. Essas partituras também são editadas para
impressão. Além destes, temos gráficos (curvas) de
andamentos, compassos, tonalidades e outros.
A edição dos eventos MIDI, simples como um video-game,
tem uma incomparável gama de recursos. Afinal, não
estamos mexendo diretamente com os sons, mas com a forma
deles serem tocados. O que simplifica tudo, embora por
muito tempo ainda, para muita gente, vá parecer
milagre.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1999
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