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Áudio
& MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
Parte VII: Bateria acústica X eletrônica
Sempre vem
à tona a polêmica que contrapõe instrumentos acústicos
aos sons eletrônicos que os imitam. Nosso tema opõe o
mais tradicional de todos às mais recentes conquistas
da história da música: as percussões acústicas e
eletrônicas. Será que vale a pena substituir peles e
pratos por amostras digitalizadas? A programação de
padrões rítmicos consegue substituir a execução do
baterista? Quais os investimentos para gravar bateria no
estúdio? Vamos analisar aqui os prós e contras dos
dois sistemas e verificar a praticidade de uni-los,
aproveitando o que cada um tem de melhor.
Para gravar uma bateria
tomamos cuidados especiais. Não registramos um som, e
sim o de vários instrumentos. Tambores e pratos,
captados por microfones específicos, podem e devem ser
armazenados em diferentes pistas. Temos assim mais
recursos para a mixagem final destes com os demais sons
do arranjo. Se for gravada em estéreo, em apenas duas
pistas, a bateria não tem como ser equalizada na
finalização do trabalho. Seus vários microfones, nos
canais da mesa, podem ser endereçados para duas ou várias
pistas do gravador.
Esses recursos são, contudo, os maiores investimentos
do estúdio. Chegam a multiplicar os custos em várias
vezes. A bateria, um instrumento caro, precisa de um kit
de microfones especiais, cabos e pedestais, além de
cerca de 8 pistas no gravador ou 8 entradas na interface
de som do computador. A mesa de som e a cabine acústica
completam os principais itens da lista, que ainda
incluem compressores, gates e outros. Nada disso evita o
vazamento dos sons pelos microfones. O resultado depende
do talento de cada produtor.
É óbvio que a maioria dos home studios começa usando
os recursos eletrônicos. Muitos deles obtêm ótimos
resultados. Disseminado na música pop a partir dos anos
80, o uso do sampler, com loops seqüenciados e timbres
originais ou muito bem copiados de instrumentos acústicos,
é hoje predominante em vários gêneros musicais, do
rap americano ao nosso pagode. E a bateria eletrônica
nada mais é que um seqüenciador de amostras sampleadas.
Em certos estilos de execução mais livre, como o jazz,
a bateria programada é menos conveniente. Em outros,
seu uso é a regra. Em muitos gêneros, uma boa e
detalhista programação de timbres bem escolhidos pode
convencer até profissionais mais experientes. Mal
feita, ridiculariza uma produção.
Uma bateria eletrônica, no senso estrito, é um
aparelho com um seqüenciador MIDI e botões ou pads que
ativam sons digitalizados de percussões. Num sentido
amplo, todos os instrumentos MIDI do estúdio que tenham
sons percussivos são tocados pelo teclado (ou outro
controlador) e programados num seqüenciador, de
computador ou não. Podemos programar os ritmos na tela
do computador, com muitos recursos, ou na própria
bateria eletrônica. Em vez de gravarmos o áudio desses
sons percussivos, poupamos as pistas de gravação
sincronizando o seqüenciador ou a bateria eletrônica
ao gravador multipista, fazendo com que atuem sempre
juntos. Na mixagem, reunimos na mesa as pistas gravadas
de vozes e instrumentos com o som direto dos
instrumentos MIDI.
O baterista pode programar seus ritmos usando pads, espécie
de “tambores” eletrônicos, e triggers, pequenos
microfones de contato que convertem qualquer fonte de
som em controladores MIDI. Com eles, pode lançar mão
de sua técnica instrumental para programar seqüências
com mais conforto, sem ter que se adaptar, por exemplo,
a um teclado. O músico toca até mesmo em uma bateria
de estudo trigada ao sistema MIDI.
Alguns estúdios chegam a combinar o uso simultâneo dos
processos de gravação acústica e de seqüenciamento
MIDI da bateria. Gravando os componentes que têm som
mais rico em detalhes, como caixa e pratos, enquanto seqüenciam
outros tambores “trigados”, aproveitam o melhor dos
dois mundos com contenção de despesas.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1998
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