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Áudio
& MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
Parte VI
– Placas de som, de MIDI e de Multimídia
Os estúdios, há
alguns anos, eram em geral classificados pelo número de
“canais”, as pistas de gravação. Era o tempo dos
gravadores de rolo de oito, 16 e 24 pistas. Os estúdios
de hoje, dos maiores aos home studios, combinando
recursos de gravação de áudio com o seqüenciamento
MIDI de sintetizadores, facilmente perdem a conta dos
canais que têm.
Sincronizando um seqüenciador MIDI à
gravação das pistas de áudio temos, em princípio, a
soma dos canais MIDI e de áudio, certo? Errado. Temos
mais que isso, já que cada canal MIDI aciona um
sintetizador estéreo ou mono, ou um sampler ou uma
bateria eletrônica com os tambores e pratos saindo cada
um por um canal de áudio. Então, na mesa de som, esses
canais da bateria e dos sintetizadores são finalmente
mixados às pistas de áudio. Ou a bateria pode mandar
seu som pra mesa em um par estéreo de canais, ou até
misturada aos demais sons de um sintetizador
multitimbral. Os seja, chegam à mesa, em dois canais,
os sons eletrônicos em geral, já mixados dentro do
sintetizador. Se, neste exemplo, temos oito canais de áudio
para gravar, ao todo, quantos canais tem esse estúdio?
A resposta é: depende de muitos fatores, como quantos
canais tem sua interface MIDI, sua placa de som ou
gravador multipista, quantos sintetizadores, quantos
canais de mixagem tem a mesa e outros.
Não podemos mais definir num número a dimensão de um
estúdio, mas especificar os detalhes. Toda essa expansão
do conceito de “canais” dos estúdios se deve à
combinação dos recursos de gravação com o seqüenciamento
MIDI, por causa da sincronização, do sync time code.
Com isto não gravamos os sons eletrônicos junto com a
voz e outros instrumentos, mas mixamos todos eles,
poupando as pistas do gravador. Teclados são tocados
“ao vivo” pelo seqüenciador, que está sincronizado
como “escravo” ao gravador multipista, o
“mestre”.
Este mesmo conceito, em que os teclados só são mesmo
gravados na mixagem final, se aplica aos programas híbridos
em voga, como o Cakewalk e o Cubase. Eles são ao mesmo
tempo seqüenciador e gravador. Isto economiza enorme
espaço do HD e os recursos das placas de som. Para que
tudo funcione, precisamos de dois tipos de interface: de
áudio e MIDI.
As interfaces de áudio, ou placas de som, como a Gina
ou a Audiomedia, se diferenciam pela qualidade dos
conversores AD/DA, pelos conectores, pela
compatibilidade com os programas. São as maiores
responsáveis pela qualidade do som gravado no
computador e pelo número de canais simultâneos de
entrada/saída de áudio.
Com as interfaces ou placas MIDI, como a MQX-32(M) e a
MIDI Time Piece, conectamos maior ou menor número de
sintetizadores e sincronizamos o seqüenciador com um
gravador multipista externo, juntando assim os dois
sistemas.
As placas de multimídia, como a SoundBlaster ou a Fiji,
fazem um pouco de tudo, mas raramente sincronizam o
micro com um gravador externo. Neste caso, o áudio é
gravado no HD do micro, junto com as levíssimas pistas
MIDI, e tudo é sincronizado internamente. Elas têm
conexões de áudio e MIDI, além do sintetizador
multitimbral interno, convidando a usar seus próprios
timbres e a fazer todo o trabalho no computador. Mas
ainda são limitadas em cada aspecto, desde o número de
canais MIDI e de áudio até a qualidade de conectores e
conversores de som.
O bom é usar cada interface de acordo com suas
necessidades, item por item. Separadas, de áudio e de
MIDI, mas trabalhando em conjunto, ou ter um sistema bem
mais simples com uma placa de multimídia, resumindo as
principais funções das verdadeiras placas de som e de
MIDI. Este é um proveitoso tubo de ensaio.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1998
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