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Áudio & MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
 
Parte VI – Placas de som, de MIDI e de Multimídia  

Sérgio Izecksohn

Os estúdios, há alguns anos, eram em geral classificados pelo número de “canais”, as pistas de gravação. Era o tempo dos gravadores de rolo de oito, 16 e 24 pistas. Os estúdios de hoje, dos maiores aos home studios, combinando recursos de gravação de áudio com o seqüenciamento MIDI de sintetizadores, facilmente perdem a conta dos canais que têm.
 
Sincronizando um seqüenciador MIDI à gravação das pistas de áudio temos, em princípio, a soma dos canais MIDI e de áudio, certo? Errado. Temos mais que isso, já que cada canal MIDI aciona um sintetizador estéreo ou mono, ou um sampler ou uma bateria eletrônica com os tambores e pratos saindo cada um por um canal de áudio. Então, na mesa de som, esses canais da bateria e dos sintetizadores são finalmente mixados às pistas de áudio. Ou a bateria pode mandar seu som pra mesa em um par estéreo de canais, ou até misturada aos demais sons de um sintetizador multitimbral. Os seja, chegam à mesa, em dois canais, os sons eletrônicos em geral, já mixados dentro do sintetizador. Se, neste exemplo, temos oito canais de áudio para gravar, ao todo, quantos canais tem esse estúdio? A resposta é: depende de muitos fatores, como quantos canais tem sua interface MIDI, sua placa de som ou gravador multipista, quantos sintetizadores, quantos canais de mixagem tem a mesa e outros.
 
Não podemos mais definir num número a dimensão de um estúdio, mas especificar os detalhes. Toda essa expansão do conceito de “canais” dos estúdios se deve à combinação dos recursos de gravação com o seqüenciamento MIDI, por causa da sincronização, do sync time code. Com isto não gravamos os sons eletrônicos junto com a voz e outros instrumentos, mas mixamos todos eles, poupando as pistas do gravador. Teclados são tocados “ao vivo” pelo seqüenciador, que está sincronizado como “escravo” ao gravador multipista, o “mestre”.
 
Este mesmo conceito, em que os teclados só são mesmo gravados na mixagem final, se aplica aos programas híbridos em voga, como o Cakewalk e o Cubase. Eles são ao mesmo tempo seqüenciador e gravador. Isto economiza enorme espaço do HD e os recursos das placas de som. Para que tudo funcione, precisamos de dois tipos de interface: de áudio e MIDI.
 
As interfaces de áudio, ou placas de som, como a Gina ou a Audiomedia, se diferenciam pela qualidade dos conversores AD/DA, pelos conectores, pela compatibilidade com os programas. São as maiores responsáveis pela qualidade do som gravado no computador e pelo número de canais simultâneos de entrada/saída de áudio.
 
Com as interfaces ou placas MIDI, como a MQX-32(M) e a MIDI Time Piece, conectamos maior ou menor número de sintetizadores e sincronizamos o seqüenciador com um gravador multipista externo, juntando assim os dois sistemas.
 
As placas de multimídia, como a SoundBlaster ou a Fiji, fazem um pouco de tudo, mas raramente sincronizam o micro com um gravador externo. Neste caso, o áudio é gravado no HD do micro, junto com as levíssimas pistas MIDI, e tudo é sincronizado internamente. Elas têm conexões de áudio e MIDI, além do sintetizador multitimbral interno, convidando a usar seus próprios timbres e a fazer todo o trabalho no computador. Mas ainda são limitadas em cada aspecto, desde o número de canais MIDI e de áudio até a qualidade de conectores e conversores de som.
 
O bom é usar cada interface de acordo com suas necessidades, item por item. Separadas, de áudio e de MIDI, mas trabalhando em conjunto, ou ter um sistema bem mais simples com uma placa de multimídia, resumindo as principais funções das verdadeiras placas de som e de MIDI. Este é um proveitoso tubo de ensaio.


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 1998