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Áudio
& MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
Parte V – Tudo no Computador?
Nesta nova era das
gravações multipista no PC, com as interfaces de áudio
explodindo em recursos e seus preços descendo a
ladeira, cabe uma pergunta: ainda precisamos de todos
aqueles equipamentos em nossos estúdios? Ou chegou a
hora de aposentar a parafernália?
Muita gente pergunta se ainda é necessário
adquirir uma mesa, processadores e módulos de som
quando seus programas e interfaces dispõem dos mesmos
recursos. Se as placas multimídia contêm um
sintetizador multitimbral, por que haveríamos de
comprar outros sintetizadores? E se os programas de
gravação de áudio e seqüenciamento MIDI têm um
mixer virtual, não podemos mixar tudo no micro e
dispensar a mesa de som?
Como toda revolução, esta vive sua fase de transição.
Apesar das enormes inovações, nem tudo mudou e ninguém
sabe ao certo aonde vamos parar. É um período de
novidades, esperança, mas também de instabilidade. Os
computadores domésticos, de fato, já gravam áudio
profissional em vários canais, mas ainda é difícil
encontrar um que funcione com esses recursos o tempo
todo, sem dar sustos periódicos em seu dono.
Entradas para microfones. Com tantas opções de
interfaces e programas, seus usuários recorrem a
diferentes soluções para suas questões. Muitas placas
e interfaces de áudio só têm entradas em nível de
linha, o que nos impõe o uso de uma mesa ou de pré-amplificadores
para os microfones. Algumas interfaces já dispõem
dessas entradas pré-amplificadas, mas usam conectores
de ¼” (banana), inferiores ao padrão XLR (Canon)
usado nos estúdios. Este só é encontrado em sistemas
muito caros, para estúdios de maior porte.
O processamento em tempo real traz outras questões
para a maioria dos sistemas: como entrar com um sinal
comprimido no computador? E como usar reverberação
“fantasma” para gravar uma voz seca, porém dando
conforto ao cantor na hora de gravar? São necessidades
típicas dos estúdios, que somente uma interface com um
processador de sinal em separado (DSP) pode satisfazer.
Mesmo assim, a velocidade dos processadores atuais nem
sempre é suficiente para realizar todas as tarefas ao
mesmo tempo. E experimentar vários efeitos girando botões
continua a ser muito mais prático que determinar
valores dos parâmetros com o mouse e esperar o
processamento para só então conferir o resultado.
Os sintetizadores têm recursos que ainda não
foram contemplados pelas placas multimídia. Algumas
contêm timbres de alta qualidade, mas não em
quantidades comparáveis aos teclados e módulos atuais.
Também ainda são raros os recursos para a edição de
novos timbres. Por outro lado, vêm surgindo novos
programas que permitem tocar e seqüenciar amostras do
áudio gravado via MIDI, transformando o PC num poderoso
sampler.
A mixagem é um outro problema. É comum
misturarmos na mesa os sons dos sintetizadores MIDI seqüenciados
com os das pistas gravadas. Aproveitamos assim os
recursos do estúdio para todas as fontes sonoras. As
interfaces e os programas atuais permitem a mixagem
interna, isto é, sem que o áudio “saia” do
computador, mas para isso precisamos gravar o áudio dos
teclados em novas pistas.
Backup. Seus clientes pretendem guardar as pistas
de áudio para remixar em outro estúdio. Você pode
arquivá-las em um CD-ROM, mas, às vezes essas pistas só
rodam num determinado sistema. Nesse caso, para mixar em
outros sistemas, você terá que converter cada pista em
um arquivo .wav. Gravadores como o ADAT ainda são o
padrão mais freqüente, o que leva muitos clientes a
solicitarem um backup em fita.
Conclusões. Muitas funções do estúdio já
podem ser transferidas para o computador. Algumas têm o
desempenho muito melhorado com a edição não-linear.
“Ver” um gráfico de áudio ajuda em muito o
trabalho de produção. Recursos como recortar, copiar e
colar trechos do áudio são muito facilitados com o uso
do computador. Mas ainda não chegamos ao ponto de
dispensar os outros equipamentos do estúdio.
Continuamos a usar a mesa, os processadores e módulos
de som, e até mesmo gravadores de fita, uma mídia ágil
e barata. Pelo menos, ainda por alguns anos.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1998
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