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Áudio & MIDI: o Melhor dos Dois Mundos
Parte III - Fita ou Disco?  

Sérgio Izecksohn 

Qual é o melhor meio para gravarmos o áudio? Eis uma questão complexa e delicada. Bom exemplo é o do leitor João Bonon Netto, que precisa comprar um gravador de 8 pistas. Gostou do Alesis ADAT, mas teme que o equipamento tenha problemas de desalinhamento de cabeça, já que ele mora distante de uma assistência técnica. Ele gostaria de saber qual a melhor opção, ADAT ou hard disk. Outros leitores escrevem querendo saber de porta-estúdios em MD, Zip Disk, HD e cassete. Há ainda os que se mantêm fiéis à fita de rolo.

A escolha do formato. Os estúdios têm diferentes necessidades e condições. Podem servir para gravar discos ou demos de grupos e artistas. Ou pode ser um estúdio pessoal, de um músico, que faz trilhas ou registra os próprios trabalhos. Cada caso é um caso. E cada caso requer uma solução. Com uma fita temos mais agilidade para gravar. E fitas de gravadores comuns, como do ADAT, transitam por vários estúdios, gravando em um e mixando em outro. No HD há incríveis recursos de edição dos sons, alguns impraticáveis fora de um computador. Mas você não vai tirar o seu HD para remixar o material fora de casa, então precisará fazer backup (cópia) do áudio. Usará um computador possante, com uns 64 Mb de memória. E, mesmo assim, talvez um ADAT para as cópias.

Sistemas e custos. Há produtos caros e baratos, tanto em hardware como em software. Entre R$300 e R$3.000 temos os porta-estúdios (cassete, MD, HD e Zip disk) e algumas interfaces de áudio para o PC. Entre R$2.000 e R$5.000, há o ADAT, modelos similares da Tascam e boas interfaces para o PC. Os sistemas mais profissionais em HD para Macintosh ou mesmo em rack e gravadores de rolo custam entre R$5.000 e R$50.000. O DAT e o MiniDisk, ambos para a mixagem estéreo, custam em torno de R$1.000, o primeiro bem superior ao segundo. Leve em conta os custos com o computador, memória, hard disk e outros, se optar pela gravação em software.

Captação e monitoração do áudio. Com as fitas em geral e os porta-estúdios digitais (MD, HD e Zip), durante a gravação de novas pistas, os sons são fáceis de monitorar, pelos canais da mesa. Gravando pela placa de som, o número de canais de gravação/reprodução costuma ser limitado por ela e/ou pela velocidade do HD. Trabalhando com muitas pistas, temos que processá-las e mixá-las no computador, antes de as monitorarmos pela mesa.
 

Prós & Contras

Fita (analógica ou digital)

Disco (HD, MD, Zip ou Jaz Disks)

Prós 

Contras

Prós

Contras

Agilidade na gravação

Trânsito entre estúdios

Fácil de monitorar

Recursos de edição limitados ou inexistentes 

Rápida obsolescência

Suporte técnico escasso 

Edição total do áudio

Freqüentes atualizações

Uso dos processadores de som do software e do estúdio

Masterização de CDs

Gravação mais lenta

Difícil trânsito entre estúdios

Monitoração limitada aos recursos da interface

Dependente do "humor" do computador

 
Todos os sistemas permitem a sincronização com um seqüenciador MIDI. Assim, os sintetizadores continuam soando ao vivo durante a mixagem, poupando pistas de gravação e trazendo mais flexibilidade à produção. Em suma, o melhor sistema será o que melhor se adaptar às suas necessidades e possibilidades. O ideal é ter os dois (computador e fita). Escolha de acordo com o seu coração.


Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br) é músico, produtor e professor dos cursos do Home Studio


Publicado na Revista Backstage em 1998