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Gravação
de Áudio no Computador
Muito têm evoluído
os sistemas de gravação de áudio. No princípio,
gravava-se toda a orquestra ou banda reunida,
monofonicamente (em um único canal). Ou seja, gravação
e mixagem eram uma coisa só, ocorriam no mesmo momento.
Havendo algum erro por parte de um dos músicos, tudo
precisava ser regravado. Depois, veio a gravação estéreo,
e daí em 4, 8, 16 e 24 pistas, nos gravadores analógicos
de rolo. Surgiu aí a técnica do playback, a gravação
em separado das partes de um arranjo. Mais recentemente,
com o advento do áudio digital, entraram em cena os
gravadores em fita de vídeo, com 8 pistas, como o ADAT,
e gravadores digitais de rolo. A nova tendência é o áudio
gravado diretamente para o disco rígido de um
computador. Através de uma interface (placa) de som e
um programa, o micro passa a ser o próprio estúdio de
gravação.
Primeiro surgiram programas dedicados
exclusivamente à gravação de áudio no hard disk, em
geral com 8 pistas, como o Pro Tools, para o Mac, e o
Session 8, para Windows, ambos da Digidesign. Nos últimos
anos, uma nova opção ganha cada vez mais força,
principalmente nos home studios: os programas que
conjugam gravadores de som e seqüenciadores MIDI, como
o Digital Performer, o Studio Vision (Mac), o Cubase
Audio, o Logic Audio, ambos para Mac e Windows, e o mais
popular de todos, o Cakewalk Pro Audio (Windows). Com um
programa como esses, em um PC multimídia, o usuário
dispõe de um estúdio de gravação com muitos recursos
de edição, junto a um poderoso seqüenciador de
teclados MIDI. No Cakewalk, por exemplo, usando qualquer
placa de som, pode-se gravar, em cada track, um canal de
áudio (voz, instrumento elétrico ou acústico) ou um
canal MIDI de instrumentos eletrônicos. Para isso,
basta selecionar a fonte sonora (MIDI ou áudio) com o
mouse, na coluna apropriada do programa. Os dois
sistemas de gravação, de áudio e MIDI, trabalham
sincronizados e unidos, como se fossem uma única
tecnologia. No entanto, são dois sistemas
independentes: um seqüencia (registra e ordena) informações
sobre a performance do músico nos teclados e baterias
eletrônicas, com baixo consumo de memória, e depende
de hardware externo, como sintetizadores, samplers e
bateria eletrônica; o outro é um gravador de som
multipista que usa o HD como meio, ao invés de uma
fita, convertendo os sinais de áudio em dados digitais,
consumindo um grande espaço em disco.
Para o home studio de nível básico, esta revolução
significa que, dispondo-se de um PC com uma placa
Soundblaster, geralmente usada para sonorizar jogos,
basta instalar um programa como o Cakewalk Pro Audio
para ter um porta-estúdio digital e um seqüenciador
MIDI sem custos adicionais. O estúdio de nível
intermediário pode usar uma placa de som Turtle Beach
ou Roland, que aceitam maior número de pistas de áudio
e conferem melhor qualidade sonora. O estúdio avançado
usa a mesma versão do software, com uma placa
Audiomedia III, da Digidesign, e um hard disk SCSI, mais
rápido que o IDE.
Conexões e recursos de edição de áudio. Para
se gravar o áudio, usa-se a entrada Line In da placa de
som. A fonte sonora é conectada à mesa de som, e
endereçada até a placa, por um cabo de áudio. Na ausência
da mesa, pode-se ligar um microfone na entrada Mic da
placa de som. Através da placa e do programa, os sons são
registrados no HD. Para se reproduzir o áudio, liga-se
a saída Line Out da placa às entradas da mesa, ou se
monitora diretamente nas caixas de som do kit multimídia,
ligadas à saída Speaker. O número de canais e pistas
de gravação, 2, 4, ou 8, é limitado apenas pela placa
de som, não pelo programa. Cada pista de áudio possui
várias ferramentas de edição, que vão desde o
recurso de cortar, copiar e colar trechos gravados, até
processadores e efeitos sonoros on board, como
equalizadores e reverberadores, sejam recursos do
programa ou da placa de som. Ë possível, por exemplo,
copiar a voz do refrão de uma música e fazer repetir o
trecho em outras partes dessa música.
Recursos do seqüenciador MIDI. O seqüenciador
é a função original desses programas. Embora contem
hoje com recursos de gravação de áudio, edição de
partituras etc., todos eram sequencers nas suas
primeiras versões. Através das conexões MIDI,
presentes nos instrumentos e na maioria das placas de
som, controlam os sintetizadores, samplers, baterias
eletrônicas, e até processadores de efeitos, mesas e
gravadores automáticos. Os teclados, por exemplo, são
literalmente tocados por ele, que “aprende a música”
quando o instrumentista a executa ou a escreve com o
mouse. O programa permite que se editem todas as partes
da música com enorme liberdade, como repetir trechos,
mudar timbres, andamentos, tons, acrescentar ou retirar
notas etc. A quantização corrige automaticamente
imprecisões no ritmo tocado pelo músico. O seqüenciador
executa ‘ao vivo’ os instrumentos eletrônicos,
tornando desnecessário o registro de seu áudio em um
gravador multipista, porque os dois sistemas, seqüenciador
e gravador, trabalham sincronizados. Assim, os teclados
se reúnem ao áudio gravado (voz, instrumentos acústicos
e elétricos) na mesa de som, sendo gravados, ainda em
1a geração, somente na mixagem. O uso do seqüenciador
sincronizado ao gravador multipista expande em muito os
recursos e os canais do estúdio, seja este pequeno ou
grande.
Vantagens do seqüenciador com áudio incorporado.
Essas novas versões dos programas, como o Cakewalk Pro
Audio, dispensam o gravador multipista externo. Toda a
gravação e o seqüenciamento são feitos no
computador. Além disso, a gravação de áudio conta
com os recursos de edição já citados, inexistentes
nos gravadores de fita, como o ADAT.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home
Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1997
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