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Captação do Som
Gravar vozes, instrumentos acústicos e elétricos
é a tarefa mais delicada de um estúdio. Ainda mais, por não
haver regras pré-estabelecidas sobre qual a melhor forma de
se captar o som de um instrumento. Neste artigo, vamos
conhecer os procedimentos usuais de captação e os
microfones mais usados pelos estúdios mundo afora.
Se o seu home studio opera somente via MIDI,
isto é, se teclados e baterias eletrônicas são suas únicas
fontes sonoras, não há muito com que se preocupar, pois os
instrumentos eletrônicos são conectados diretamente à
mesa de som pelos cabos de áudio. Porém, se o estúdio
dispõe de um gravador multipista (em fita, HD ou MD) e tem
o objetivo de gravar vozes e instrumentos, é necessário
conhecer alguns recursos técnicos.
Se o seu home studio é básico, com um porta-estúdio
cassete de 4 pistas e sem tratamento acústico, ainda não
é o momento apropriado para se fazer uma coleção de
microfones para todas as finalidades. Neste caso, o uso de
microfones dinâmicos, desses que se usam nos palcos, como
os Shure SM57 e SM58 (ou Beta 57, 58) pode ser uma boa solução.
Dinâmicos e unidirecionais (cardióides), esses modelos
compensam a falta de tratamento acústico do pequeno estúdio.
Outra boa solução para o pequeno estúdio com isolamento
acústico é o modelo AKG C3000, a condensador.
Há vários tipos de microfones, para diversas finalidades.
Os microfones para gravação se dividem em dinâmicos, que
são mais resistentes a ruídos de manuseio e têm uma
resposta mais dura, e os microfones a condensador, bem mais
sensíveis. Estes precisam ser alimentados por corrente elétrica.
Geralmente, a mesa de som tem uma chave de “phantom power”,
que os alimenta com uma corrente de 48 V através do próprio
cabo de áudio. Quanto à área de atuação, os cardióides
captam melhor o som numa área em forma de coração, diante
da cápsula e a moderada distância, sendo chamados de
unidirecionais. Os hiper-cardióides têm essa área de
captação ainda mais estreita. Há ainda os
omni-direcionais ou multi-direcionais, captando áreas mais
largas, e ainda em forma de 8.
A mesa deve ter inputs do formato XLR ou Canon para uma
melhor qualidade do som. Se ela só possui entradas com
plugs do tipo “banana”, verifique no manual se essas
entradas são balanceadas. Neste caso, podem-se usar plugs
banana estéreo (com 3 vias) para fazer a conexão. Note que
esses plugs estéreo serão usados como “mono” (a
terceira via é usada como terra). Para gravar instrumentos
em linha numa mesa com entradas Canon, é ideal o uso de
Direct Boxes, casadores de impedância que mandam o sinal
para a mesa por cabos Canon. Já os microfones são plugados
diretamente à mesa.
Vejamos aqui algumas técnicas e os microfones mais usados
para a captação de vozes e dos instrumentos mais comuns:
Voz. Os microfones a condensador são os mais
apropriados. Os mais usados são o Neumann U87 e AKG C-414.
O AKG C3000, de menor custo, é uma boa solução para o
home studio. O microfone deve ficar sempre no pedestal, com
suspensão própria e uma tela para filtrar o som da voz e
barrar a emissão mais forte do ar, que causa o indesejável
“puf” na gravação. A distância varia de acordo com a
potência vocal do cantor, geralmente entre 20 e 70 cm, mais
ou menos na altura dos olhos.
Usando-se um microfone dinâmico (no pequeno estúdio),
deve-se posicioná-lo a 45 graus da boca do cantor, a uns 5,
10 cm.
Violão. Temos aqui várias opções de captação. O
violão com cordas de nylon será captado por um microfone a
condensador, como os citados para voz, a uns 20 ou 30 cm da
boca do instrumento. Usa-se ainda, nos violões
eletrificados, combinar o som do microfone com o som direto,
plugando-se o violão em um segundo canal da mesa. O ideal
é se gravar em várias pistas para então dosar o nível
dos sons. O violão com cordas de aço, atuando em conjunto
com outros instrumentos de harmonia, pode ser captado por um
microfone que realce as altas freqüências (agudos), como o
AKG C-391 ou o Shure SM-81.
Guitarra. Apesar da polêmica entre som direto e
microfonado, é majoritária a gravação da guitarra através
de microfones dinâmicos, como o Shure SM-57, captando o
alto-falante do amplificador a uns 20 cm. O amplificador
deve estar em outra sala, isolado da técnica. Após se
definir o timbre no amplificador da guitarra, busca-se
reproduzi-lo nos monitores do estúdio através dos
equalizadores da mesa. Usa-se também a gravação em linha
através de um pré-amplificador.
Baixo elétrico. Pode ser gravado diretamente na
mesa, microfonado, via amplificador, ou de várias formas
combinadas. Microfonado, segue os padrões da guitarra,
usando Shure SM 57, AKG D112, Eletro-Voice RE 20 ou
Sennheiser 421. Em linha, com direct box, o som é mais nítido.
As cordas têm que estar novas, o instrumento regulado e, se
usar captação ativa, bateria nova. O ideal é experimentar
até se alcançar a sonoridade desejada. O custo/hora do
home studio costuma ser bem menor que nos estúdios de maior
porte, o que permite uma experimentação maior.
Bateria. Usam-se vários microfones diferentes, em
geral dinâmicos para as peles e condenser para os pratos.
Para a caixa, o mais comum é o Shure SM57, voltado para a
pele superior, a uns 5 cm. Para o bumbo, AKG D112 ou Eletro
Voice RE 20, dentro do bumbo. Tom tons e surdo, Sennheiser
MD 421, posicionados como na caixa. Contratempo, Shure SM
94. Os pratos podem ser captados por dois microfones overall
do tipo lapiseira, como o Shure SM 81.
Nunca é demais experimentar opções de captação, já que
o que realmente importa é o resultado. A boa execução
vocal ou instrumental é o fator mais importante para uma
gravação de qualidade. Não deixe para recuperar a
qualidade na mixagem. As melhores soluções são
encontradas na hora de gravar.
Sérgio Izecksohn (sergio@homestudio.com.br)
é músico, produtor e professor dos cursos do Home Studio
Publicado na Revista
Backstage em 1997
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